sábado, dezembro 08, 2012


I Domingo do Advento

“Reanimai-vos e levantai as vossas cabeças;
 porque se aproxima a vossa libertação
                                                                                                                                  (Lc. 21, 28)




Caríssimos,

Estamos na primeira semana do Tempo do Advento, durante este tempo litúrgico, a Igreja por meio da Liturgia nos convida a refletir e prepara-nos para a chegada do Messias, isto é, de Jesus que vem como o nosso Salvador, o próprio Filho de Deus que vem ao mundo de modo tão simples e tão pequeno, assim Ele entra na história e no tempo para resgatar o homem de toda a treva do pecado e da morte. Preparamo-nos durante este tempo do advento, não para chegada de “Jesus menino”, esta vinda já aconteceu. Somos convidados a preparar o nosso coração e nossa vida para a segunda vinda do Senhor. Entretanto, a leitura do livro do profeta Jeremias, que meditamos neste dia, nos faz um referimento ao nascimento de Jesus Cristo, “Eis que outros dias virão. E nesses dias e nesses tempos farei nascer de Davi um rebento justo que exercerá o direito e a equidade na terra” (Jr. 33, 14-15). O profeta anuncia ao povo de Israel do grande acontecimento que mudará toda a história da humanidade. Aquele menino que nascerá trará a Jerusalém, “a segurança a justiça e será chamado Javé-nossa-justiça” (Cf. Jr. 33, 16). Esta profecia se faz real hoje em meio a nós, o Senhor hoje nos revela outra vez seu grande amor que vem a cada dia ao encontro da nossa debilidade e limites. É Ele o nosso Deus Justo que nos ama de modo incondicional e nos pede que permitamos que o seu amor nasça no nosso coração. Essa deve ser a nossa verdadeira segurança. O Senhor esta no meio de nós, é a “nossa verdadeira luz e salvação, a quem temeremos?” (Cf. Sl. 25).
São Paulo fala como devemos prepararmo-nos bem para a chegada do Senhor. Fala que toda nossa vida deve ser movida pela a caridade, “Que o Senhor vos faça crescer e avantajar na caridade mútua e para com todos os homens, como é o nosso amor para convosco” (1Ts. 3, 12). O amor é o motor que move o homem em direção a Deus, que aperfeiçoa nossos atos e os elevam a uma perfeita oferta a Deus e aos irmãos. Abrir o nosso coração a ação da Graça Divina é abrir o coração para o amor que transforma, que constrói e restaura. Todas as nossas ações devem ser envolvidas pela caridade, São Paulo na carta aos Coríntios faz um elenco de diversos atos que podemos fazer e que aparentemente são bons, entretanto, se estes não estão permeados de caridade são em vão (Cf. 1Cor. 13). Que o desejo do Apostolo Paulo se realize em nossa vida hoje, “Que ele (O Senhor, Jesus Cristo) confirme os vossos corações, e os torne irrepreensíveis e santos na presença de Deus, nosso Pai, por ocasião da vinda de nosso Senhor Jesus com todos os seus santos!” (1Ts. 3, 13).
O Evangelho que meditamos hoje de inicio parece nos aterrorizar! Parece que o Senhor tem a intenção de fazer medo a seus discípulos. Ele fala do fim dos tempos que “Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas. Na terra a aflição e a angústia apoderar-se-ão das nações pelo bramido do mar e das ondas” (Lc. 21, 25). Amados irmãos, o Senhor é o Nosso Redentor, não quer aterrorizar-nos e sim, levar-nos a ter uma vida de vigilância e de preparação para sua vinda, “Quando começarem a acontecer estas coisas, reanimai-vos e levantai as vossas cabeças; porque se aproxima a vossa libertação”(Lc. 21, 28). Se estivermos preparados para a vinda do Senhor, não precisaremos temer a nada, porque Ele estará conosco, a quem temeremos? Os dois primeiros versículos, do Evangelho deste domingo, nos leva há refletir um pouco sobre a realidade do homem sem Deus. Distante do Senhor colocamo-nos em um lugar de aflição, angustia e medo, ou seja, um lugar onde tudo se apresenta como desordem e sofrimento, sem a Luz Divina que ilumina e dar a segurança. Nos capítulos seguintes o Evangelista apresenta a todos, a Gloria de Deus que se manifesta na vinda do Filho do Homem, “Então verão o Filho do Homem vir sobre uma nuvem com grande glória e majestade” (Lc. 21, 27). O senhor é amor e justiça, ao fim virá com toda sua gloria e aqueles que agiram segundo seu amor e seus ensinamentos serão elevados aos Céus, porém sobre aqueles que agiram de modo diverso, cairá sobre eles o mal, que nada mais é que, a eterna privação da visão beatifica de Deus, “Vigiai, pois, em todo o tempo e orai, a fim de que vos torneis dignos de escapar a todos estes males que hão de acontecer, e de vos apresentar de pé diante do Filho do Homem.” (Lc. 21, 36).
Sabemos que sozinhos não conseguiremos viver de acordo com as virtudes evangeliscas, já que somos humanos, débeis, mas com a força da Graça de Deus, podemos tornar possível tudo que aos olhos humanos é impossível. Peçamos então a Deus nosso Pai, que nos mostre em todos nossos dias, o que devemos fazer para trilharmos passo a passo o caminho que nos leva ao seu Coração. Assim sendo, quando vir o Filho do Homem, estaremos de pé diante Dele para render os nossos louvores. Que Maria Santíssima, que sempre fez a vontade de Deus e que com seu sim nos deu Cristo Jesus, possa interceder a seu Filho por nós e nos auxiliar nesta caminhada. Maria Mãe de Deus, rogai por nós. Amém.


Roma, 09 de dezembro, 2° Domingo do Advento, do ano do Senhor de 2012.




Acival Vidal de Oliveira
Seminarista 3º de Teologia
Diocese da Estância – SE/Brasil

sexta-feira, dezembro 07, 2012


Solenidade da Imaculada Conceição de Nossa Senhora

Para Deus, com efeito, nada é impossível
(Lc. 1, 37)

Caríssimos irmãos,

Neste dia celebramos o grande dom do amor de Deus por toda a humanidade. Este dom se faz real e presente no seio da Imaculada e Virgem Maria. Mas, como se dar isso? Como é possível? Uma Virgem conceber? Há perguntas que fazemos diante de tão grande mistério que nem o mais sábio dos sábios poderia respondê-la ou compreendê-la só por meio da razão. Encontramos questionamentos semelhantes, ao de Maria Santíssima, a Mãe de Deus e nossa, na história de Abraão, de Zacarias. Todos perguntam como que poderia tal coisa acontecer? Como que algo até então, impossível de imaginar se daria? Esta pergunta se repete ao longo da História Divina. A resposta é o próprio Senhor que nos dá por meio do Anjo Gabriel: “Para Deus, com efeito, nada é impossível” (Lc. 1, 37), assim fica claro que, para aquele que crê no Senhor, todo impossível torna-se possível. É por acreditar que Maria recebe em seu ventre o mais belo de todos os presentes que Deus nosso Pai já nos deu, seu Filho Jesus.
Hoje todos nós cristãos devemos alegra-nos, ao celebramos a solenidade da Imaculada conceição da Virgem Maria. É difícil entender como que Maria pode ter sido concebida sem macha do pecado original. Mas para Deus Criador, tudo é possível. A concepção de Maria é fruto da vontade do Grande Criador. A imaculada conceição de Maria faz parte do querer de Deus, por singular graça e privilégio do Deus Onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, o Salvador do gênero humano, foi preservada imune de toda mancha de pecado original. A nossa alegria deve ser sinal de agradecimento àquela Virgem da pequena Nazaré, que não mais seria a menor das cidades de Judá (Cf. Mt. 2,6). Uma virgem simples, humilde e fiel à vontade de Deus que nos dá como presente nosso Salvador. É por meio de Maria que a Salvação vem ao mundo. É por seu singelo Fiat (sim) que guarda no seu seio o mais precioso tesouro, o Verbo de Deus feito carne. É por sua fidelidade a vontade do Senhor que a aquela jovem modesta se tornaria “a Bem-aventurada por todas as gerações” (Cf. Lc. 1,48).
Aquilo que parecia a Maria perturbador, tornasse compreensível ao aceitar o projeto do Senhor. Muitas vezes aquilo que parece aos homens loucura, é sabedoria de Deus. De fato é uma verdadeira “loucura” de amor o que faz o Senhor na vida de quem aceita seu projeto. Uma “loucura” que a mente humana não consegue entender. Só por meio da fé é que podemos compreender tais coisas. Como diz o Apóstolo: “Deus escolhe as coisas que nada são para destruir as que são” (2Cor. 1, 27-28). É a fé, a confiança em Deus que transforma todo impossível em realidade. Foi pela fé que Maria mesmo sem entender como se faria tal coisa acreditou e o Senhor cumpriu sua promessa. Se não existe fé, fica difícil aceitar ou entender os planos de Deus. São Lucas nos dá um exemplo disso quando nos fala da aparição do Anjo Gabriel a Zacarias: “Disse então Zacarias ao anjo: Como terei certeza disso? Pois eu sou velho, e minha mulher também está avançada em idade...” (Lc. 1,18-19). Muitas vezes assim como Zacarias queremos buscar as respostas em nós mesmos. Queremos compreender os desígnios do Senhor por meio do nosso entendimento. Esquecemos que nossa razão é limitada e que tem coisas que só à luz da fé é que conseguimos entender. Em outra passagem da Sagrada Escritura diz que o Senhor promete um herdeiro a Abraão, o que seria humanamente impossível, por que Abraão já tinha aproximadamente cem anos e sua mulher era de idade avançada também (Cf. Gn. 17,17), contudo, o Senhor lhe faz esta promessa. É importante observar que mesmo sem compreender Abraão acredita. Caríssimos! Às vezes, Deus precisa apenas de sua aceitação para que sua Obra seja realizada. Um simples sim e tudo que parece incapaz de acontecer torna-se realidade.
Percebemos ao meditar estas passagens bíblicas que Deus não procura grandes sábios ou grandes nomes da história, e sim, pessoas humildes, com o coração aberto ao amor, e estas tornaram-se grandes aos olhos dos homens e no Reino. Foi assim que aconteceu com todos os escolhidos e maneira especial com Maria, “porque olhou a humildades de sua serva” (Lc. 1, 48). Deus se faz próximo, protege todos os seus e está juntos dos que creem Nele, “porque a seu povo visitou e libertou” (Lc. 1, 68). É um Deus que cumpre suas promessas, é fiel e não se contradiz. O evangelista fala que, “perturbou-se Maria com as palavras do Anjo Gabriel...” (Cf. Lc. 1, 29). Parece-me normal o espanto de Maria ao ser informada de sua grande missão, “Então Maria perguntou ao anjo: Como se fará isso, uma vez que não conheço varão?” (Lc. 1, 34) O seu coração cheio de humildade e inocência não sabia como se realizaria tudo aquilo que o Anjo Gabriel lhe acabara de anunciar e fica perturbada. Esta “inquietude” da Vigem Mãe de Deus é mais um sinal de que Deus procura os mansos e humildes de coração. Todas as gerações lhe chamarão de bem-aventurada, porque com sua humildade, fé e simplicidade “Encontrastes graças junto do Senhor” (Cf. Lc. 1, 30, 48). Deus não promete aos seus escolhidos uma vida tranquila, sem problemas, mas promete sua assistência em todos os seus caminhos “Eis que estarei convosco todos os dias até a consumação dos tempos (Cf. Mt. 28, 20). O seu amor nos conduz sempre no caminho seguro que nos leva ao seu coração. De fato, só quem aceita fazer a vontade de Deus é que pode trilhar por este caminho e gozar sempre de sua proteção.
Maria viu de perto o que significa sofrimento desde que aceitou ser a mãe do Messias até a Cruz. Entretanto, Maria nunca desanimou, sempre confiou em Deus e era esta confiança que lhe fortalecia, que lhe iluminava quando tudo parecia escuro e perdido. Nos momentos em que seu filho mais precisou de um olhar de mãe, ela estava ali, de pé em silencio, sofrendo com ele “Perto da Cruz de Jesus, permanecia de pé sua mãe” (Jo. 19,25). Que Maria Santíssima possa nos assistir hoje, junto a seu filho Jesus no alto dos Céus e aceitar os nossos humildes louvores, que hoje te elevamos. Maria, concebida sem mancha do pecado original, rogai por nós. Amém.



Roma, 08 de dezembro, Solenidade da Imaculada Conceição de Maria, do ano do Senhor de 2012.



Seminarista Acival Vidal de Oliveira
Diocese da Estância – SE/Brasil