sábado, fevereiro 25, 2012


I- Domingo da Quaresma



“O Reino de Deus está próximo; fazei penitência e crede no Evangelho”

 (Mc. 1, 15)


Amados irmãos,


Celebramos nesta semana o primeiro domingo da quaresma. A Igreja nos convida por meio da liturgia a reviver os quarentas dias que Jesus passa no deserto em oração e jejum antes de ser entregue aos judeus. Este tempo é um tempo de penitencia e de uma busca de reconciliação com Senhor, que sempre nos espera com seus braços abertos. São Marcos, no seu Evangelho, nos diz que o Espírito impeliu Jesus Cristo para o deserto, onde Ele passou quarenta dias. Após estes dias de oração e jejum “Foi tentado pelo demônio” (Mc. 1, 13). Jesus se prepara por meio da oração e da abstinência para a sua grande missão que salvaria a humanidade das cadeias do pecado. É neste momento de privação que o tentador, isto é, o demônio se aproxima dele e tenta engana-lo com suas mentiras. Contudo, o Senhor mostra-nos que quando estamos em sintonia com o Pai, ainda que pareçamos fracos, por meio da graça podemos vencer o mal, porque Deus nos dar sua força. Marcos ainda acrescenta, “E os anjos o serviam” (Mc. 1, 14), esta frase mostra a assistência de Deus, envia os seus anjos para servir seu amado filho logo que o tentador se retira. Depois de ter passado os quarentas dias no deserto, Cristo Jesus vai a Galileia anunciar a boa nova do Reino de Deus e completar a sua missão.

Caríssimos, do mesmo modo que falava aos judeus, hoje Cristo Jesus está a dizer, “Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo; fazei penitência e crede no Evangelho” (Mc. 1, 15). É por ouvir a voz do seu Esposo (Jesus Cristo) que continuamente nos convida a conversão, que a Igreja nos disponibiliza, por meio da liturgia, este tempo especial onde meditamos e relembramos o sofrimento que Nosso Salvador passou por amor a todos nós. Na primeira leitura, o livro do Gênese nos fala da aliança que o Senhor Deus faz com Noé, “Faço esta aliança convosco: nenhuma criatura será destruída pelas águas do dilúvio, e não haverá mais dilúvio para devastar a terra” (Gn. 9, 11). As aguas do diluvio que purifica toda a terra do pecado e de toda imundice é uma figura do batismo após a Paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo, como São Pedro mesmo afirma em sua primeira carta, “Esta água prefigurava o batismo de agora, que vos salva também a vós, não pela purificação das impurezas do corpo, mas pela que consiste em pedir a Deus uma consciência boa, pela ressurreição de Jesus Cristo” (1Pd. 3, ).

Assim como toda a terra foi lavada e purificada palas aguas do dilúvio, por meios das aguas do batismo nossa alma é lavada e purificada de toda impureza do pecado. Cristo é o sinal da Nova Aliança que faz Deus com os homens. É por meio da Cruz de Cristo que toda a humanidade foi salva do poder do pecado e da morte. No salmo que meditamos neste domingo o salmista diz, “Senhor, mostrai-me os vossos caminhos, e ensinai-me as vossas veredas. Dirigi-me na vossa verdade e ensinai-me, porque sois o Deus de minha salvação e em vós eu espero sempre” (Sl. 24). O pedido do salmista é atendido, é o próprio Jesus, o Filho de Deus, que vai indicar o caminho pelo qual o homem deve seguir para chegar ao Pai. É Ele o caminho verdadeiro que nos leva a Deus. Por meio do seu sacrifício Cristo abre as portas dos Céus para nós, nele nos tornamos filhos de Deus e herdeiro da graça, como nos diz São Paulo.

Amados irmãos, que durante esta Quaresma possamos seguir confiantes nos caminhos do Senhor, porque o Reino de Deus está próximo; fazei penitência e crede no Evangelho. Que possamos arrepender-nos das nossas faltas e voltar o nosso coração para o Senhor Deus, pois Ele é “bom e reto, por isso reconduz os extraviados ao caminho reto. Dirige os humildes na justiça, e lhes ensina a sua via” (Sl. 24). Peçamos a Maria Santíssima que nos acompanhe e nos guia ao coração do seu amado Filho, Nossa Senhora Consoladora dos aflitos, rogai por nós. Amém.


Roma, 26 de fevereiro, 1° Domingo da Quaresma, do ano do Senhor de 2012.



Seminarista Acival Vidal de Oliveira
Diocese da Estância – SE/Brasil


quarta-feira, fevereiro 22, 2012


PAPA BENTO XVI
AUDIÊNCIA GERAL
Sala Paulo VI
Quarta-feira, 22 de Fevereiro de 2012


Quarta-feira de Cinzas




Queridos irmãos e irmãs,




Nos próximos quarenta dias, que nos levarão até ao Tríduo Pascal – celebração da paixão, morte e ressurreição de Cristo –, somos convidados a viver um caminho de conversão e renovação espiritual, que nos faça sair de nós mesmos para ir ao encontro do Senhor. Este período será um tempo propício para uma experiência mais profunda de Deus, que torne forte o espírito, confirme a fé, alimente a esperança e anime a caridade. Poderemos assim ver e recordar tudo aquilo que Ele fez por nós. Daí concluiremos que só o Senhor nos merece; e, sem mais adiamentos nem hesitações, entregar-nos-emos nas suas mãos. E Cristo tornar-nos-á participantes da vitória sobre o pecado e a morte, que Ele nos alcançou com o seu amor levado até ao extremo da imolação por nós na cruz. Seguindo o caminho da cruz com Jesus, ser-nos-á aberto o mundo luminoso de Deus, o mundo da luz, da verdade e da alegria. Inundados por esta luz, ganharemos nova coragem para aceitar, com fé e paciência, todas as dificuldades, aflições e provações da vida, sabendo que, das trevas, o Senhor fará surgir a alvorada nova da ressurreição.

* * *

A minha saudação amiga para o grupo escolar da Lourinhã e todos os peregrinos presentes de língua portuguesa. A Virgem Maria tome cada um pela mão e vos acompanhe durante os próximos quarenta dias que servem para vos conformar ao Senhor ressuscitado. A todos desejo uma boa e frutuosa Quaresma!

terça-feira, fevereiro 21, 2012

Quaresma, Tempo de conversão Sincera do coração




Caríssimos! 


Aproximamo-nos da Quaresma, tempo que a santa amada Igreja nos propõe de vivê-lo intensamente mediante a oração e penitência. Assim como o povo de Deus, que por quarenta anos no deserto, se preparavam para chegar à terra prometida, nos preparamos estes quarenta dias para chegarmos ao núcleo da nossa fé. Chegamos ao momento da paixão, morte e ressurreição de Cristo, centro da mensagem dos Apóstolos e dos primeiros Cristãos.

Que durante estas quatro Semanas, possamos abrir as portas do nosso coração, para que o Senhor Jesus possa entrar e estabelecer ali seu Reino. Busquemos nos aproximar de Deus por meio dos sacramentos (confissão [Penitencia], Eucaristia...), para que assim, seja possível ouvir a voz de Cristo que clama em nós. Que este tempo de oração e penitência possa despertar em nós o desejo de seguir a Cristo, tomar as nossas cruzes e seguir pela “Via cruz” certo de que ressurgiremos com Cristo no Reino dos Céus.


(sem. Acival Vidal de Oliveira)

sábado, fevereiro 18, 2012

VII- Domingo do Tempo Comum



“Filho, teus pecados estão perdoados”
 (Mc. 2, 5)


Amados irmãos


No Evangelho de São Marcos, que refletimos neste domingo, percebemos que para Jesus é mais importante à cura interior do homem que a exterior. Marcos nos fala que Jesus entrou novamente em Cafarnaum e como era de costume, reuniu-se tal multidão, que não podiam encontrar lugar nem mesmo junto à porta na casa onde Ele se encontrava. O povo buscava a Jesus para serem curados das doenças, mas além de serem curados buscava ouvi-lo, “E ele os instruía” (Mc. 2, 2). Neste trecho do Evangelho de Marcos acontece um fato muito particular que não podemos deixar passar despercebido. Nos seguintes versículos (3-4) o Evangelista nos conta à dificuldade que alguns homens (quatro homens) tem ao trazer ate Jesus um paralitico, “Como não pudessem apresentar-lho por causa da multidão, descobriram o teto por cima do lugar onde Jesus se achava e, por uma abertura, desceram o leito em que jazia o paralítico” (Mc. 2, 4). Este pobre homem impossibilitado de se locomover, representa toda a humanidade ferida pelo o pecado e impossibilitada de andar pelo peso do fardo.

Após muita luta aqueles homens conseguem apresentar a Jesus o pobre enfermo. Ele por sua vez com um gesto de amor e um olhar de Pai perscruta o coração daquele ser tão frágil. Não se preocupa em apenas curar sua enfermidade, mas quer liberta-lo por primeiro das amarras do pecado, “Jesus, vendo-lhes a fé, disse ao paralítico: Filho, teus pecados estão perdoados” (Mc. 2, 5). Ao agir desta formar Cristo revela a sua divindade, mostrar que Ele é Deus, que ama os seus, reconhece aquele pobre ser como seu filho e os livra das suas culpas. Os escribas que estavam ali sentados não consegue enchegar esta verdade, não entendem, “Como pode este homem falar assim? Ele blasfema. Quem pode perdoar pecados senão Deus?” (Mc. 2, 7). Eles estavam tão presos às leis e as regras que não eram capazes de perceber que toda a lei se fundava no amor.

Quem nunca teve uma experiência forte do amor, não pode falar dele. Aqueles pobres homens sabiam tudo sobre a lei de Deus, mas eram como que cegos. Trazia uma doença muito mais grave que a do paralítico curado, a paralisia do orgulho. Era este sentimento que os impedia de ver em Jesus a verdadeira representação do Amor de Deus, “Mas Jesus, penetrando logo com seu espírito nos seus íntimos pensamentos, disse-lhes: Por que pensais isto nos vossos corações? Que é mais fácil dizer ao paralítico: Os pecados te são perdoados, ou dizer: Levanta-te, toma o teu leito e anda? Ora, para que conheçais o poder concedido ao Filho do homem sobre a terra (disse ao paralítico), eu te ordeno: levanta-te, toma o teu leito e vai para casa”. Jesus quer mostrar para os fariseus duas coisas: a primeira delas é que Ele é o Filho de Deus e por isso pode perdoar os pecados; a segunda coisa é que Deus é amor, é misericórdia, que se preocupa com seus filhos e que cura não só a doença do corpo mais também a da alma. Esta ultima cura é mais importante para o homem que a cura física, porque a doença física não impede a salvação do homem, entretanto o pecado (doença) não permite que ele entre no Reino dos Céus.

Na primeira leitura de hoje o profeta Isaias nos revela o quanto que o pecado traz sofrimento ao coração de Deus, “Mas me atormentaste com teus pecados, cansaste-me com tuas iniquidades” (Is. 43, 24). O pecado distancia o homem de Deus e essa não é a vontade divina. O Senhor quer que estejamos sempre próximo dele, por isso que em seu imenso amor esquece nossas faltas, quando arrependidos buscamos seu perdão, “Sempre sou eu quem deve apagar tuas faltas, e não mais me lembrar de teus pecados” (Is. 43, 25). De fato no sacramento da Penitência (Confissão) o Senhor esquece todos nossos pecados e nos perdoa para desta forma permanecermos plenos de sua graça e da força.

Para salvar o gênero humano das amarras do pecado e da morte enviou seu Filho único para que por meio da sua morte de cruz nos salvasse. É paradoxo do amor, o paradoxo da cruz, do qual nos fala São Paulo na segunda leitura deste dia, “A linguagem da cruz é loucura para os que se perdem, mas, para os que foram salvos, para nós, é uma força divina. Está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios, e anularei a prudência dos prudentes (Is 29,14)” (1Cor. 1, 18-19). Cristo Jesus é o Cordeiro do Senhor que oferece a sua vida para nos resgatar para Deus. Aos olhos humano a cruz é uma loucura, mas se olharmos com os olhos da fé veremos que ela é a maior prova de amor que a humanidade já viu.

Caríssimos! Aproximamos-nos do tempo da quaresma, tempo de arrependimento e conversão do coração. Que durante este tempo, possamos mergulha profundamente no mistério da Paixão, Morte e Ressurreição do Nosso Salvador, pedindo a Ele que nos dê a graça de um arrependimento sincero dos nossos pecados e assim nos perdoe, como fez com o paralitico do Evangelho de hoje. Que possamos junto ao salmista clamar ao Senhor, “Curai-me, Senhor, pois pequei contra vós!” (Sl. 40). Com confiança filial peçamos a Vigem Maria, nossa amada Mãe do Céu, que venha em nosso auxilio e interceda por nós a Jesus. Maria Mãe dos desesperados, rogai por nós. Amém.



Roma, 19 de fevereiro, 7° Domingo do Tempo Comum, do ano do Senhor de 2012.



Seminarista Acival Vidal de Oliveira
Diocese da Estância – SE/Brasil

domingo, fevereiro 12, 2012

VI - Domingo do Tempo Comum


“tocou-o e disse-lhe: Quero; sê purificado”
(Mc. 1, 41)


Caríssimos irmãos

 
Neste domingo a liturgia da palavra nos leva a refletir sobre as impurezas da nossa alma e a sua purificação. Encontramos no livro do Levítico (Lv. 13, 1-46) a descrição de algumas doenças que vitimava o povo de Israel. É preciso lembrar que para o povo daquela época a doença era sempre vista como causa do pecado, que é considerado como a desobediência ou infidelidade a Deus. Cabia aos Sacerdotes da época (Aarão e seus filhos [Cf. Lv. 13, 45]) fazer o reconhecimento da doença e se constatasse a veracidade de Lepra ou outra doença contagiosa o doente era considerado impuro, devendo deixar a comunidade, “enquanto durar a sua enfermidade, ficará impuro e, estando impuro, morará à parte: sua habitação será fora do acampamento” (Lv. 13, 46). É interessante esta relação entre pecado e doença que fazia o povo de Israel. De fato, quando pecamos tornamo-nos distantes não só dos nossos irmãos, da comunidade, mas também de Deus. O pecado é uma doença pior que a lepra, porque corroem não o nosso corpo, mas a nossa alma. Os sacerdotes israelitas faziam um ritual de purificação para a pessoa afligida pela doença. Entretanto, a lepra do pecado não se pode purificar com ritual, se não por meio da Misericórdia Divina. É no sacramento da confissão que somos lavados e purificados de todos os nossos pecados.

Cristo no Sacramento da Penitência lava-nos e purifica-nos com o seu sangue. É por amor que Jesus perdoa nossas faltas dando-nos força para prosseguir. Sem a Graça e a Misericórdia Divina não seriamos mais do que um pobre moribundo ferido pelo pecado. No entanto, porque Ele nos ama e deu sua vida pela remissão dos nossos pecados, somos curados de todo mal. Cantamos no salmo de hoje, “Bem-aventurado aquele cuja transgressão é perdoada, e cujo pecado é coberto. Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não atribui à iniquidade, e em cujo espírito não há fraude” (Sl. 32). Somos realmente bem-aventurados, não por que mereçamos, mas porque somos amados por Deus. Devemos ter sempre esta consciência de que Deus nos ama e sempre nos acolhe como seus filhos. É preciso buscar a Deus enquanto estamos nesta caminhada terrena, para que uma vez purificados dos nossos pecados possamos entra no “acampamento dos santos”, isto é, no Reino dos Céus, onde encontraremos com o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

Na segunda leitura São Paulo nos exorta a ter uma vida honesta, coerente ao Evangelho de Jesus. Devemos agir retamente não para ser bem visto pelo os outros, mas para glória de Deus nosso Pai, “Portanto, quer comais quer bebais, ou façais, qualquer outra coisa, fazei tudo para glória de Deus” (1Cor. 10, 31). O Apostolo ensina-nos a ser instrumento que edifica a vida da comunidade, diz que não devemos ser motivo de escândalo para os nossos irmãos nem para Igreja “Não vos torneis causa de tropeço nem a judeus, nem a gregos, nem a igreja de Deus” (1Cor. 10, 32). Por fim nos fala que para viver retamente o Evangelho precisa olhar para Jesus e imita-lo, “Sede meus imitadores, como eu mesmo o sou de Cristo” (1Cor. 11, 1).

Chegamos ao Evangelho, São Marcos nos narra a cura de um leproso. Dividiremos este texto em dois momentos: o primeiro momento é como se dá a cura desde leproso. Ao contrário do Evangelho do domingo passado, não é Jesus que vai ao encontro deste homem, mas é ele que vem ao encontro do Senhor, “E veio a ele um leproso que, de joelhos, lhe rogava, dizendo: Se quiseres, tens o poder de purificar-me” (Mc. 1, 40). Na maioria das vezes que se narra no Evangelho uma cura operada por Jesus, se coloca em destaque a necessidade da fé daquele quer deseja ser curado. Neste texto percebemos claramente que o Leproso tinha fé em Jesus. Na sua suplica mostra o quanto é grande sua confiança, tem plena convicção que Jesus pode lhe curar, Se quiseres, tens o poder de purificar-me. Marcos fala que “Jesus, pois, compadecido dele, estendendo a mão, tocou-o e disse-lhe: Quero; sê purificado(Mc. 1, 41). O Senhor se compadece dos fracos e feridos pela vida, ama suas ovelhas vai ao encontro da desgarrada, toma nos braços aquela que se encontra ferida e cura suas chagas. O desejo que Jesus teve em ver aquele pobre leproso purificado de sua doença, é o mesmo desejo que tem hoje de ver-nos purificados de nossas imundícies, dos nossos pecados.

 Um segundo momento do Evangelho que não podemos deixar passar despercebido é que, Jesus com seus gestos mostra a importância do cumprimento da lei de Moises, isto é, da lei que o Senhor deu a Moises, “mas vai, mostra-te ao sacerdote e oferece pela tua purificação o que Moisés determinou, para lhes servir de testemunho (Mc. 1, 43). Jesus é a plenitude da lei, não veio abolir a lei, antes, veio fazer com que ela seja cumprida. Ele é Sumo Sacerdote do Pai, que veio ao mundo para purifica-lo de toda espécie de mal. É por isso que pede aquele leproso, agora curado, que vá oferecer aquilo que determinou Moisés. No nosso cotidiano nos deparamos com tantas pessoas que por causa do pecado tornaram-se doentes e amarguradas. Devemos assim como Jesus nos compadecer destes nossos irmãos, mostrar a eles a única fonte de cura, que é o próprio Cristo. Meus irmãos, também nós muitas vezes precisamos ser tocados e curados pelo o Senhor, para podermos outra vez entrar em intimidade com Deus, uma vez que o nosso pecado torna-nos incapazes de viver santamente como filhos de Deus. Imploremos a Maria Santíssima, ela que em toda sua vida terrena, viveu puramente seu chamado, que interceda a seu amado Filho Jesus por todos nós pobres pecadores. Maria Mãe dos pecadores, rogai por nós. Amém.

Roma, 12 de fevereiro, 6° Domingo do Tempo Comum, do ano do Senhor de 2012.



Seminarista Acival Vidal de Oliveira
Diocese da Estância – SE/Brasil


sábado, fevereiro 04, 2012

V - Domingo do T. Comum


“Vamos a outras partes, às aldeias vizinhas, para que eu pregue ali também”
(Mt. 11, 27)


Caríssimos irmãos



Meditamos hoje na primeira leitura um trecho do livro de Jó. Jó é um verdadeiro exemplo de paciência de confiança em Deus. Mesmo em meio a dor e sofrimento permanece fiel ao Senhor teu Deus e não deixa que nada de mal lhe separe do seu Senhor. O lamento que Jó faz nestes versículos é uma realidade de muitos irmãos e irmãs de hoje. Pessoas que são tomadas pela dor, pela miséria, “assim se me deram como herança meses de ilusão, e noites de aflição se me ordenaram” (Jó. 7, 3). Noite sem sono e dias intermináveis que vivem milhares de irmãos nossos espalhados em todo mundo, “Mas comprida é a noite, e pensamentos loucos invadem-me até ao crepúsculo” (Jó. 7, 4). Pessoas que precisam da nossa presença, de uma palavra de conforto e sobre tudo, de nossa a ajuda. Precisamos ir ao encontro destes nossos irmãos e mostrar a eles a face de Cristo que acolhe, dar conforto e restaura as forças daqueles que estão fadigados da caminhada.

É missão de todo cristão levar a toda a terra a boa nova do Evangelho. A pregação do Evangelho não se dá apenas por palavras, podemos falar de Jesus com nossas própria vida. Ser discípulo é fazer aquilo que faz seu mestre, é reproduzir na própria vida o modo de vida do mestre. Era isso que fazia os primeiros cristãos, viviam entre si o amor, repartiam seus bens, cuidava dos doentes e ajudavam os necessitados (Cf. At. 2, 42-47). Se fizermos deste modo Cristo será conhecido por onde andarmos. Na segunda Leitura de hoje Paulo nos fala da grande necessidade de Evangelizar, “anunciar o evangelho, não é titulo de gloriar para mim: é, antes,necessidade que se me impõe. ai de mim, se não anunciar o evangelho!” (1Cor. 9, 16). Paulo mostra que a evangelização deve ser a meta de todo cristão batizado. Que as vezes é preciso se fazer servo com os servos, fraco com os fracos e se colocar a serviço de todos para ganhar todos para Deus, “Pois, sendo livre de todos, fiz-me escravo de todos para ganhar o maior número possível: Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns a todo custo” (1Cor. 9, 19-22). O Apostolo nos diz que toda nossa vida deve ser um serviço de amor a Jesus e seu Evangelho, “Ora, tudo faço por causa do evangelho, para dele tornar-me co-participante” (1Cor. 9, 23).

Falávamos da necessidade da evangelização dos povos e do modo como podemos evangelizar com a nossa vida, tendo os mesmos sentimentos de Cristo e vivendo como Ele viveu. No Evangelho deste domingo, São Marcos nos fala da cura da sogra de Pedro, da pregação e das curas que Jesus realizou. É importante notar nesta passagem do Evangelho, que é sempre Jesus que vai ao encontro de quem necessita de ajuda. Primeiro a sogra de Pedro, “Então Jesus, aproximando-se a tomou pela mão, e a fez levantar-se; a febre a deixou, e ela os servia” (Mc. 1, 30). Marcos nos fala que Jesus aproximou-se do leito onde ela estava e a curou. Nos versículos seguintes o evangelista não economiza palavra em dizer que Cristo se colocou a disposição durante toda a tarde curando os doentes e expulsando os demônios de todos que a Ele se achegavam (Cf. Mc. 1, 32-34).

Em um segundo momento São Marcos nos diz que, Cristo saiu no dia seguinte logos sedo a um lugar deserto para rezar, “De madrugada, estando ainda escuro, levantou-se e retirou-se para um lugar deserto e ali orava” (Mc. 1, 30). É belo este gesto de Jesus, mesmo em meio a tantos afazeres e cansaço, não esquece um só momento do Pai. Quer dividir com Ele seu cansaço, sua alegria, seus projetos. Imaginemos por um instante o assunto que Cristo falava com Deus. Com certeza falava de como foi seu dia, das pessoas que encontrou, dos anseios do povo, de suas necessidades e dos seus discípulos. O dialogo entre Jesus e seu Pai era um dialogo de amor, de confiança. Deus ouvia-o e atendia seus pedidos, consolava e confortava-o. Existia uma grande intimidade entre os dois, o Pai lhe conhecia e Jesus conhecia o Pai. De fato é o próprio Jesus que diz “ninguém conhece plenamente o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece plenamente o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar” (Mt. 11, 27). Com este gesto Cristo quer mostrar-nos que é preciso está sempre unido ao Pai, buscar sempre conversar com Ele, depositar Nele toda a nossa confiança e nossos projetos.

Ao fim do Evangelho Jesus revela a seus discípulos a universalidade de sua missão. Ele abre seus horizontes, eles pensavam só na necessidade do povo daquele vilarejo. Jesus diz que deve levar a Boa Nova do Reino aos outros povos, não pode permanecer só naquele povoado, “disse-lhes Jesus: Vamos a outras partes, às aldeias vizinhas, para que eu pregue ali também; pois para isso é que vim” (Mc. 1, 38). Mais uma vez encontramos com Jesus que vai ao encontro dos necessitados de sua palavra. Ele é o Bom Pastor que dar a sua vida por suas ovelhas “animam meam pono pro ovibus” (Jo. 10,14). Não se contenta com as noventa e nove, vai atrás da desgarrada, da ovelha que precisa de seus cuidados (Cf. Lc. 15, 4-5). Meus Irmãos, são atitudes como estas de Cristo que devemos tomar diante da nossa sociedade. O nosso coração deve guardar os mesmos sentimentos do coração do nosso Mestre.

Na nossa sociedade, existem muitas pessoas que ainda não conhece a Deus, que precisam ouvir as palavras de Nosso Senhor, entretanto, não tem ninguém que leve a eles a Boa Nova do Reino de Deus. É preciso nos colocar a caminho, ser fazer discípulos e missionários da palavra, evangelizar com nossas palavras e sobretudo, com nossas vida. Durante esta semana, façamos o propósito que meditar a Palavra de Deus. De levá-la a quem ainda não a conhece. De começar evangelizando os mais próximos, nossos parentes, vizinhos e amigos. Peçamos a Maria Santíssima que venha nos ajudar nesta nossa missão de anunciadores do Evangelho. Nossa Senhora da Luz, iluminai os nossos passos. Amém.


Roma, 05 de fevereiro, 5° Domingo do Tempo Comum, do ano do Senhor de 2012.



Seminarista Acival Vidal de Oliveira
Diocese da Estância – SE/Brasil