quarta-feira, dezembro 28, 2011

MENSAGEM URBI ET ORBI
DE SUA SANTIDADE 
BENTO XVI

Santo Natal, 25 de Dezembro de 2011  

  

Amados irmãos e irmãs de Roma e do mundo inteiro!




Cristo nasceu para nós! Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens do seu agrado: a todos chegue o eco deste anúncio de Belém, que a Igreja Católica faz ressoar por todos os continentes, sem olhar a fronteiras nacionais, linguísticas e culturais. O Filho de Maria Virgem nasceu para todos; é o Salvador de todos.
Numa antífona litúrgica antiga, Ele é invocado assim: «Ó Emanuel, nosso rei e legislador, esperança e salvação dos povos! Vinde salvar-nos, Senhor nosso Deus». Veni ad salvandum nos! Vinde salvar-nos! Tal é o grito do homem de todo e qualquer tempo que, sozinho, se sente incapaz de superar dificuldades e perigos. Precisa de colocar a sua mão numa mão maior e mais forte, uma mão do Alto que se estenda para ele. Amados irmãos e irmãs, esta mão é Cristo, nascido em Belém da Virgem Maria. Ele é a mão que Deus estendeu à humanidade, para fazê-la sair das areias movediças do pecado e segurá-la de pé sobre a rocha, a rocha firme da sua Verdade e do seu Amor (cf. Sal 40, 3).
E é isto mesmo o que significa o nome daquele Menino (o nome que, por vontade de Deus, Lhe deram Maria e José): chama-se Jesus, que significa «Salvador» (cf. Mt 1, 21; Lc 1, 31). Ele foi enviado por Deus Pai, para nos salvar sobretudo do mal mais profundo que está radicado no homem e na história: o mal que é a separação de Deus, o orgulho presunçoso do homem fazer como lhe apetece, de fazer concorrência a Deus e substituir-se a Ele, de decidir o que é bem e o que é mal, de ser o senhor da vida e da morte (cf. Gn 3, 1-7). Este é o grande mal, o grande pecado, do qual nós, homens, não nos podemos salvar senão confiando-nos à ajuda de Deus, senão gritando por Ele: «Veni ad salvadum nos – Vinde salvar-nos!»
O próprio facto de elevarmos ao Céu esta imploração já nos coloca na justa condição, já nos coloca na verdade do que somos nós mesmos: realmente nós somos aqueles que gritaram por Deus e foram salvos (cf. Est (em grego) 10, 3f). Deus é o Salvador, nós aqueles que se encontram em perigo. Ele é o médico, nós os doentes. O facto de reconhecer isto mesmo é o primeiro passo para a salvação, para a saída do labirinto onde nós mesmos, com o nosso orgulho, nos encerramos. Levantar os olhos para o Céu, estender as mãos e implorar ajuda é o caminho de saída, contanto que haja Alguém que escute e possa vir em nosso socorro.
Jesus Cristo é a prova de que Deus escutou o nosso grito. E não só! Deus nutre por nós um amor tão forte que não pôde permanecer em Si mesmo, mas teve de sair de Si mesmo e vir ter connosco, partilhando até ao fundo a nossa condição (cf. Ex 3, 7-12). A resposta que Deus deu, em Cristo, ao grito do homem, supera infinitamente as nossas expectativas, chegando a uma solidariedade tal que não pode ser simplesmente humana, mas divina. Só o Deus que é amor e o amor que é Deus podia escolher salvar-nos através deste caminho, que é certamente o mais longo, mas é aquele que respeita a verdade d’Ele e nossa: o caminho da reconciliação, do diálogo e da colaboração.
Por isso, amados irmãos e irmãs de Roma e do mundo inteiro, neste Natal de 2011, dirijamo-nos ao Menino de Belém, ao Filho da Virgem Maria e digamos: «Vinde salvar-nos»! Repitamo-lo em união espiritual com tantas pessoas que atravessam situações particularmente difíceis, fazendo-nos voz de quem a não tem.
Juntos, invoquemos o socorro divino para as populações do Nordeste da África, que padecem fome por causa das carestias, por vezes ainda agravadas por um estado persistente de insegurança. A comunidade internacional não deixe faltar a sua ajuda aos numerosos refugiados vindos daquela Região, duramente provados na sua dignidade.
O Senhor dê conforto às populações do Sudeste asiático, particularmente da Tailândia e das Filipinas, que se encontram ainda em graves situações de emergência devido às recentes inundações.
O Senhor socorra a humanidade ferida por tantos conflitos, que ainda hoje ensanguentam o Planeta. Ele, que é o Príncipe da Paz, dê paz e estabilidade à Terra onde escolheu vir ao mundo, encorajando a retoma do diálogo entre israelitas e palestinianos. Faça cessar as violências na Síria, onde já foi derramado tanto sangue. Favoreça a plena reconciliação e a estabilidade no Iraque e no Afeganistão. Dê um renovado vigor, na edificação do bem comum, a todos os componentes da sociedade nos países do Norte da África e do Médio Oriente.
O nascimento do Salvador sustente as perspectivas de diálogo e colaboração no Myanmar à procura de soluções compartilhadas. O Natal do Redentor garanta a estabilidade política nos países da região africana dos Grande Lagos e assista o empenho dos habitantes do Sudão do Sul na tutela dos direitos de todos os cidadãos.
Amados irmãos e irmãs, dirijamos o olhar para a Gruta de Belém: o Menino que contemplamos é a nossa salvação. Ele trouxe ao mundo uma mensagem universal de reconciliação e de paz. Abramos- Lhe o nosso coração, acolhamo-Lo na nossa vida. Repitamos-Lhe com confiada esperança: «Veni ad salvandum nos».


sábado, dezembro 24, 2011

Natal do Senhor

É que nasceu hoje, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor
(Lc. 2, 11-12)


Amados irmãos


Celebramos o momento que toda terra ansiosa esperou e que se concretizou na pequena cidade de Belém da Judéia, “E tu, Belém, terra de Judá, de modo nenhum és a menor entre as principais cidades de Judá; porque de ti sairá o Guia que há de apascentar o meu povo de Israel” (Mt. 2,6). O Rei dos reis escolhe uma das menores cidades da Judéia para nascer. O Messias, tão esperado pelo povo de Israel, escolhe uma singela jovem de Nazaré para ser sua mãe, “uma virgem desposada com um pobre carpinteiro chamado José” (Cf. Lc. 1, 27). O menino que será o Rei do universo nasce em uma fria e pequena gruta, não tem palácio, trono, nem mesmo um leito, apenas algumas palhas (que era o alimento dos animais) que lhe aquece e algumas faixas de pano as quais lhes envolve. Depois, Ele mesmo dirá: “As raposas têm tocas, e as aves do céu têm ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça” (Mt 8, 20).
Cristo nasce na simplicidade, desprovido de todos os bens matérias e ao mesmo tempo possui um tesouro de valor incalculável, pois Ele é o Filho de Deus, o Senhor do Universo. Dentre todas as mulheres da terra, escolhe como mãe uma humilde virgem, que será graças ao seu sim,Bem-aventurada por todas as gerações” (Cf. Lc. 1,48). Como pai adotivo, tem um modesto carpinteiro de Nazaré, homem justo e temente a Deus, “E como José, seu esposo, era justo” (Mt. 1, 19). Podemos observar que tanto Maria com o seu “Eis aqui a serva do Senhor”, como José que se faz obediente às palavras do Anjo, “fez como o anjo do Senhor lhe ordenara, e recebeu sua mulher” (Mt. 1, 24), foram féis aos planos de Deus e este simples gesto os tonou grandes.
A Criança que nasce naquela gruta fria e escura, repleta de animais, é o mensageiro do qual fala o profeta Isaias, “Como são belos sobre as montanhas os pés do mensageiro que anuncia a felicidade, que traz as boas novas e anuncia a libertação” (Is. 52,7). De fato, é bela a mensagem que porta ao mundo esta Criança. O Filho de Deus se faz pequeno, pobre, mostrando aos grandes do mundo que é fazendo-se pequeno que se torna grande aos olhos de Deus. Que os bens matérias não são maiores que os espirituais, que a graça de Deus. Mostra também que, Deus se revela aos puros e humildes de coração. Os primeiros a contemplarem o seu rosto faram José, Maria e os pastores. Isaias fala da beleza do mensageiro, que porta uma mensagem de amor de paz. O Mensageiro do Senhor é Jesus Cristo que vem ao encontro do povo de Israel, “porque o Senhor se compadece de seu povo” (Is. 52,9). A montanha a qual fala o profeta é para indicar que o mensageiro vem do alto, isto é, vem da parte de Deus. O nascimento de Jesus é a prova que Deus é fiel a sua promessa.
Na segunda leitura São Paulo mostra aos Hebreus que Jesus é o Filho de Deus. Ele é enviado pelo Pai para que nos revele o seu plano de amor, “Muitas vezes e de diversos modos outrora falou Deus aos nossos pais pelos profetas. Ultimamente nos falou por seu Filho” (Hb. 1, 1-2). Jesus é o mensageiro do Pai, que vem revelar a Boa Nova e anunciar o Reino de Deus. Os judeus não aceitavam Jesus como o verdadeiro Filho de Deus, era difícil para eles acolherem esta verdade, por isso que Paulo insiste em mostrá-los que Jesus é verdadeiro Homem e verdadeiro Deus, “herdeiro universal, pelo qual criou todas as coisas. Esplendor da glória (de Deus) e imagem do seu ser, sustenta o universo com o poder da sua palavra... está sentado à direita da Majestade no mais alto dos céus, tão superior aos anjos” (Hb. 1, 3-4). Jesus é o Verbo de Deus pelo qual tudo passou a existir, ao se encarnar e assumir a humanidade não deixou de ser Deus e após a ressurreição ascendeu aos Céus onde reina para sempre à direita do Pai.
São João nos fala no seu Evangelho: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus... Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez” (Cf. Jo. 1, 1-3). A Palavra de Deus nos possibilita mergulhar na profundidade do seu amor. Trata-se de uma escada que liga o coração de Deus ao dos homens. É nesta relação de intimidade e amor que nós devemos a exemplo de Maria dizer: eis aqui teus servos Senhor. É neste amor que o salmista diz, “Cantai ao Senhor um cântico novo, porque ele operou maravilhas. Sua mão e seu santo braço lhe deram a vitória” (Sl. 97, 1). O coração daquele que está perto de Deus não pode ter outro sentimento que não seja de gratidão e amor. As coisas antigas já se passaram, agora o Senhor Menino traz a esperança para aqueles que esperavam no Senhor.
É por está verdade, que o Senhor Deus por amor envia seu Filho ao mundo para nos salvar, que hoje todos nós cristãos nos alegramos. A alegria do Natal não é a chegada do Papai Noel no seu trenó mágico, no peru ou no panetone que comemos na ceia. A alegria do Natal é aquela alegria comunicada pelos Anjos aos pastores: “É que nasceu hoje, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lc. 2, 11-12). O verdadeiro sentido do Natal é o nascimento do Nosso Salvador. Ele o Verbo do Pai feito carne, do qual fala João no seu Evangelho, o Presente de amor que o Senhor Deus dá para nós, “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai” (Jo. 1, 14).
Somos felizes por saber que temos em nosso meio a luz que ilumina as trevas do nosso pecado, “em Cristo Jesus estava à vida, e a vida era a luz dos homens; a luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela” (Cf. Jo. 1,4-5), que somos amados por Deus e que o nascimento do Menino Deus é uma confirmação desse amor. Que a Sagrada Família de Nazaré, possa ajudar-nos a despertar em nós o amor a Deus e aos irmãos. Que nossa vida seja um verdadeiro serviço a este Rei que em seu grande amor se rebaixou para nos exaltar. E assim, tudo que fizermos, seja sinal gratidão a Cristo, Nosso Salvador, que mais uma vez nasce na manjedoura do nosso coração. Amém.


Roma, 25 de dezembro, Solenidade do Natal do Senhor, do ano do Senhor, de 2011.  



Seminarista Acival Vidal de Oliveira
Diocese da Estância – SE/Brasil


quinta-feira, dezembro 22, 2011

PAPA BENTO XVIAUDIÊNCIA GERAL
Sala Paulo VIQuarta-feira, 21 de Dezembro de 2011


Amados irmãos e irmãs,


A celebração do Natal recorda-nos que, naquele Menino nascido em Belém, Deus Se aproximou de todos e cada um dos homens; e nós podemos encontrá-Lo agora, num «hoje» sem ocaso. É verdade que a redenção do homem se deu num período concreto da história, ou seja, na vida de Jesus de Nazaré. Mas, Jesus é o Filho eterno de Deus; o Eterno entrou no tempo e no espaço, para tornar possível o encontro com Ele «hoje». De facto, na liturgia, aquele acontecimento ultrapassa os confins do tempo e do espaço e torna-se presente hoje; o seu efeito perdura no decorrer dos dias, dos anos, dos séculos. Quando dizemos, na celebração litúrgica, «hoje nasceu o nosso Salvador», este termo «hoje» não é uma palavra vazia, mas significa que Deus nos dá a possibilidade de O reconhecer e acolher agora – como fizeram outrora os pastores em Belém –, para que nasça também na nossa vida e a renove, ilumine e transforme com a graça da sua presença.


ITALIANO

Il Santo Natale

Cari fratelli e sorelle,

Sono lieto di accogliervi in Udienza generale a pochi giorni dalla celebrazione del Natale del Signore. Il saluto che corre in questi giorni sulle labbra di tutti è “Buon Natale! Auguri di buone feste natalizie!”. Facciamo in modo che, anche nella società attuale, lo scambio degli auguri non perda il suo profondo valore religioso, e la festa non venga assorbita dagli aspetti esteriori, che toccano le corde del cuore. Certamente, i segni esterni sono belli e importanti, purché non ci distolgano, ma piuttosto ci aiutino a vivere il Natale nel suo senso più vero, quello sacro e cristiano, in modo che anche la nostra gioia non sia superficiale, ma profonda.
Con la liturgia natalizia la Chiesa ci introduce nel grande Mistero dell’Incarnazione. Il Natale, infatti, non è un semplice anniversario della nascita di Gesù, è anche questo, ma è di più, è celebrare un Mistero che ha segnato e continua a segnare la storia dell’uomo – Dio stesso è venuto ad abitare in mezzo a noi (cfr Gv 1,14), si è fatto uno di noi -; un Mistero che interessa la nostra fede e la nostra esistenza; un Mistero che viviamo concretamente nelle celebrazioni liturgiche, in particolare nella Santa Messa. Qualcuno potrebbe chiedersi: come è possibile che io viva adesso questo evento così lontano nel tempo? Come posso prendere parte fruttuosamente alla nascita del Figlio di Dio avvenuta più di duemila anni fa? Nella Santa Messa della Notte di Natale, ripeteremo come ritornello al Salmo Responsoriale queste parole: «Oggi è nato per noi il Salvatore». Questo avverbio di tempo, «oggi», ricorre più volte in tutte le celebrazioni natalizie ed è riferito all’evento della nascita di Gesù e alla salvezza che l’Incarnazione del Figlio di Dio viene a portare. Nella Liturgia tale avvenimento oltrepassa i limiti dello spazio e del tempo e diventa attuale, presente; il suo effetto perdura, pur nello scorrere dei giorni, degli anni e dei secoli. Indicando che Gesù nasce «oggi», la Liturgia non usa una frase senza senso, ma sottolinea che questa Nascita investe e permea tutta la storia, rimane una realtà anche oggi alla quale possiamo arrivare proprio nella liturgia. A noi credenti la celebrazione del Natale rinnova la certezza che Dio è realmente presente con noi, ancora “carne” e non solo lontano: pur essendo col Padre è vicino a noi. Dio, in quel Bambino nato a Betlemme, si è avvicinato all’uomo: noi Lo possiamo incontrare adesso, in un «oggi» che non ha tramonto.
Vorrei insistere su questo punto, perché l’uomo contemporaneo, uomo del “sensibile”, dello sperimentabile empiricamente, fa sempre più fatica ad aprire gli orizzonti ed entrare nel mondo di Dio. La redenzione dell’umanità avviene certo in un momento preciso e identificabile della storia: nell’evento di Gesù di Nazaret; ma Gesù è il Figlio di Dio, è Dio stesso, che non solo ha parlato all’uomo, gli ha mostrato segni mirabili, lo ha guidato lungo tutta una storia di salvezza, ma si è fatto uomo e rimane uomo. L’Eterno è entrato nei limiti del tempo e dello spazio, per rendere possibile «oggi» l’incontro con Lui. I testi liturgici natalizi ci aiutano a capire che gli eventi della salvezza operata da Cristo sono sempre attuali, interessano ogni uomo e tutti gli uomini. Quando ascoltiamo o pronunciamo, nelle celebrazioni liturgiche, questo «oggi è nato per noi il Salvatore», non stiamo utilizzando una vuota espressione convenzionale, ma intendiamo che Dio ci offre «oggi», adesso, a me, ad ognuno di noi la possibilità di riconoscerlo e di accoglierlo, come fecero i pastori a Betlemme, perché Egli nasca anche nella nostra vita e la rinnovi, la illumini, la trasformi con la sua Grazia, con la sua Presenza.
Il Natale, dunque, mentre commemora la nascita di Gesù nella carne, dalla Vergine Maria - e numerosi testi liturgici fanno rivivere ai nostri occhi questo o quell’episodio -, è un evento efficace per noi. Il Papa san Leone Magno, presentando il senso profondo della Festa del Natale, invitava i suoi fedeli con queste parole: «Esultiamo nel Signore, o miei cari, e apriamo il nostro cuore alla gioia più pura, perché è spuntato il giorno che per noi significa la nuova redenzione, l’antica preparazione, la felicità eterna. Si rinnova infatti per noi nel ricorrente ciclo annuale l’alto mistero della nostra salvezza, che, promesso all’inizio e accordato alla fine dei tempi, è destinato a durare senza fine» (Sermo 22In Nativitate Domini, 2,1: PL 54,193). E, sempre san Leone Magno, in un’altra delle sue Omelie natalizie, affermava: «Oggi l’autore del mondo è stato generato dal seno di una vergine: colui che aveva fatto tutte le cose si è fatto figlio di una donna da lui stesso creata. Oggi il Verbo di Dio è apparso rivestito di carne e, mentre mai era stato visibile a occhio umano, si è reso anche visibilmente palpabile. Oggi i pastori hanno appreso dalla voce degli angeli che era nato il Salvatore nella sostanza del nostro corpo e della nostra anima» (Sermo 26, In Nativitate Domini, 6,1: PL54,213).
C’è un secondo aspetto al quale vorrei accennare brevemente: l’evento di Betlemme deve essere considerato alla luce del Mistero Pasquale: l’uno e l’altro sono parte dell’unica opera redentrice di Cristo. L’Incarnazione e la nascita di Gesù ci invitano già ad indirizzare lo sguardo verso la sua morte e la sua risurrezione: Natale e Pasqua sono entrambe feste della redenzione. La Pasqua la celebra come vittoria sul peccato e sulla morte: segna il momento finale, quando la gloria dell’Uomo-Dio splende come la luce del giorno; il Natale la celebra come l’entrare di Dio nella storia facendosi uomo per riportare l’uomo a Dio: segna, per così dire, il momento iniziale, quando si intravede il chiarore dell’alba. Ma proprio come l’alba precede e fa già presagire la luce del giorno, così il Natale annuncia già la Croce e la gloria della Risurrezione. Anche i due periodi dell’anno, in cui sono collocate le due grandi feste, almeno in alcune aree del mondo, possono aiutare a comprendere questo aspetto. Infatti, mentre la Pasqua cade all’inizio della primavera, quando il sole vince le dense e fredde nebbie e rinnova la faccia della terra, il Natale cade proprio all’inizio dell’inverno, quando la luce e il calore del sole non riescono a risvegliare la natura, avvolta dal freddo, sotto la cui coltre, però, pulsa la vita e comincia di nuovo la vittoria del sole e del calore.
I Padri della Chiesa leggevano sempre la nascita di Cristo alla luce dall’intera opera redentrice, che trova il suo vertice nel Mistero Pasquale. L’Incarnazione del Figlio di Dio appare non solo come l’inizio e la condizione della salvezza, ma come la presenza stessa del Mistero della nostra salvezza: Dio si fa uomo, nasce bambino come noi, prende la nostra carne per vincere la morte e il peccato. Due significativi testi di san Basilio lo illustrano bene. San Basilio diceva ai fedeli: «Dio assume la carne proprio per distruggere la morte in essa nascosta. Come gli antidoti di un veleno una volta ingeriti ne annullano gli effetti, e come le tenebre di una casa si dissolvono alla luce del sole, così la morte che dominava sull’umana natura fu distrutta dalla presenza di Dio. E come il ghiaccio rimane solido nell’acqua finché dura la notte e regnano le tenebre, ma subito si scioglie al calore del sole, così la morte che aveva regnato fino alla venuta di Cristo, appena apparve la grazia di Dio Salvatore e sorse il sole di giustizia, “fu ingoiata dalla vittoria” (1 Cor 15,54), non potendo coesistere con la Vita» (Omelia sulla nascita di Cristo, 2:  PG 31,1461). E ancora san Basilio, in un altro testo, rivolgeva questo invito: «Celebriamo la salvezza del mondo, il natale del genere umano. Oggi è stata rimessa la colpa di Adamo. Ormai non dobbiamo più dire: ”Sei in polvere e in polvere ritornerai” (Gn 3,19), ma: unito a colui che è venuto dal cielo, sarai ammesso in cielo” (Omelia sulla nascita di Cristo, 6: PG 31,1473).
Nel Natale noi incontriamo la tenerezza e l’amore di Dio che si china sui nostri limiti, sulle nostre debolezze, sui nostri peccati e si abbassa fino a noi. San Paolo afferma che Gesù Cristo «pur essendo nella condizione di Dio… svuotò se stesso, assumendo una condizione di servo, diventando simile agli uomini» (Fil 2,6-7). Guardiamo alla grotta di Betlemme: Dio si abbassa fino ad essere adagiato in una mangiatoia, che è già preludio dell’abbassamento nell’ora della sua passione. Il culmine della storia di amore tra Dio e l’uomo passa attraverso la mangiatoia di Betlemme e il sepolcro di Gerusalemme.
Cari fratelli e sorelle, viviamo con gioia il Natale che si avvicina. Viviamo questo evento meraviglioso: il Figlio di Dio nasce ancora «oggi», Dio è veramente vicino a ciascuno di noi e vuole incontrarci, vuole portarci a Lui. Egli è la vera luce, che dirada e dissolve le tenebre che avvolgono la nostra vita e l’umanità. Viviamo il Natale del Signore contemplando il cammino dell’amore immenso di Dio che ci ha innalzati a Sé attraverso il Mistero di Incarnazione, Passione, Morte e Risurrezione del suo Figlio, poiché – come afferma sant’Agostino - «in [Cristo] la divinità dell’Unigenito si è fatta partecipe della nostra mortalità, affinché noi fossimo partecipi della sua immortalità» (Epistola 187,6,20: PL 33,839-840).  Soprattutto contempliamo e viviamo questo Mistero nella celebrazione dell’Eucaristia, centro del Santo Natale; lì si rende presente in modo reale Gesù, vero Pane disceso dal cielo, vero Agnello sacrificato per la nostra salvezza.
Auguro a tutti voi e alle vostre famiglie di celebrare un Natale veramente cristiano, in modo che anche gli scambi di auguri in quel giorno siano espressione della gioia di sapere che Dio ci è vicino e vuole percorrere con noi il cammino della vita. Grazie

segunda-feira, dezembro 19, 2011

Onde encontrar força?



Às vezes perguntamos, onde podemos encontrar a força suficiente para continuar a viver. O mundo nos dá muitas vias, no entanto, nenhuma delas nos traz a verdadeira felicidade. Às vezes ele (o mundo) nos presenteia com momentos felizes, contudo, um pouco de tempo e nos deparamos outra vez com o sofrimento. Falamos sempre que somos forte e que nada pode nos abalar, mas só percebemos o tamanho da nossa força quando o dor bate a nossa porta. Buscamos algumas pessoas para ajudar-nos, mas parece que elas são insuficientes, que não entende nosso sofrimento ou entende, porém não sabe como ajudar. Ouvimos sempre estas palavras, “Coragem! Confie em Deus!”, mas onde está Deus? Por que não nos ouve? Se nos ouve, por que não nos ajuda? Às vezes queremos uma solução rápida, não queremos mais sofrer, estamos cansados das dores... Mas nem sempre vem rápida a solução que esperamos.

O desespero toma conta do nosso ser e nos deparamos com o fracasso, à derrota. É assim que nos sentimos, fracassados e derrotados. Nesta hora, chegamos a fim do poço, ao nosso limite, e o que fazer? Tantas vezes passamos por essa situação onde nada, nem ninguém podem ajudar-nos se não nós mesmo. Somos fracos é verdade! Mas podemos ser fortes, temos neste momento duas opções: ceder ao sofrimento e torna-se uma pessoa amarga, sem alegria, nem motivo de viver; ou lutar, dar a volta por cima, escalar o poço e chegar à superfície. É neste momento que a famosa frase “coragem! Confie em Deus” tem sentido.

Diz o Senhor, “no mundo havereis de ter muitas tribulações, mas coragem! Eu venci o mundo” (Jo 16, 33). Se somos fracos, com Ele nos tornamos fortes e invencíveis “tudo posso naquele que me fortalece” (Fl 4, 13), Com Cristo somos mais que vencedores (Cf. Rm. 8, 37). Se não temos força para continuar, não importa! Basta querer e Ele nos carregará em seus braços. Por mais que o sofrimento não nos possibilite ver, Cristo estar sempre presente em todos os momentos da nossa vida.

É Cristo Jesus que nos dá a verdadeira felicidade, se pensamos que não ouve nossos clamores, nos enganamos, pois Ele nos ouve e ajuda-nos. Cristo sabe do que precisamos para sermos felizes, para nos aproximar cada vez mais do seu amor. Faz só aquilo que nos ajudará a ser mais santos, por isso que muitas vezes não entendemos por que o Senhor não nos dá o que pedimos ou como pedimos. Um pai não pode dar uma cobra ao filho só por que ele lhe pediu. Ele sabe que se dar uma cobra ao filho provavelmente vai ser picado. Assim, muitas coisas que pedimos a Deus, embora pareçam boas aos nossos olhos, não é aos olhos de Deus.

O fim do poço é o limite, podemos nos acostumar com este lugar frio e sem vida, onde só consegue sobreviver os ratos e as baratas ou podemos olhar para cima e ver que o Sol continua a brilhar. O Sol que brilha aos nossos olhos e que nos aponta a saída é Cristo! É ele que nos convida a subir (escalar) a parede, fria e sem vida, para sairmos deste abismo. A escalada nem sempre é fácil, exigem muito esforço, sacrifício e sofrimento. Mas é nesta hora que compreendemos que não estamos sós, percebemos que Cristo permanece conosco. Nesta hora de sofrimento, envia a nós alguém que nos conforta, uma mensagem, uma palavra ou fase, uma música. Estas pequenas coisas funcionam como uma espécie de pedra cravada na parede que nos possibilita apóia-nos na longa ascensão. Precisamos então tomar a iniciativa de começar a escalar e voltar à superfície o mais rápido possível onde quem amamos espera-nos de braços abertos. Espero que esta mensagem seja para você uma desta pedra cravada na parede, na qual possas se apoiar e sentir que não estás só, que Cristo Jesus está perto (ao seu lado), que Ele não é indiferente ao seu sofrimento. Coragem! Força, você consegue superar!

domingo, dezembro 18, 2011

IV - Domingo do Advento

“Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra”

(Lc 1, 38).

Amados Irmãos


“Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1, 38). É com estas palavras que a Virgem Maria aceita o Plano Salvífico do Senhor e acolhe no seu ventre aquele que será a Salvação de toda humanidade, o Messias Senhor. É por meio do Anjo Gabriel que mundo recebe a boa nova do nascimento do Senhor. Maria a virgem simples de Nazaré é agora a bendita entre todas as mulheres da terra e de todas as gerações, pois traz em seu ventre o Grande Rei. (Cf. Lc 1, 48).

É por isso que neste dia, onde relembramos este momento especial da história da humanidade, devemos nos alegrar. As promessas foram cumpridas chegou a nós o Emanuel (Deus conosco). Não estamos mais presos às armadilhas do pecado e da morte, pois veio para nós, àquele que é Senhor da vida. Lucas nos fala que o Messias vem ao mundo para “iluminar aos que jazem nas trevas e na sombra da morte, a fim de dirigir os nossos pés no caminho da paz” (Lc 1, 79).

Maria é a primeira a ser anunciada da grande maravilha. Com humildade ela aceita a “missão”, no silêncio e na oração. Torna-se mãe de Jesus, que significa Deus é salvação ou Deus salva. Com humildade e amor se coloca como serva do Senhor. Com este gesto tão meigo e simples diz seu Fiat a Deus. Ao rezarmos a oração do Ângelo dizemos, “e o Verbo divino se fez carne e habitou entre nós”. Esta frase é um resumo daquilo que hoje fala o Evangelho, a anunciação da encarnação do Verbo de Deus no seio da Virgem de Nazaré. Tudo se dá por obra do Espírito Santo (Lc 1,35), o Cristo anunciado pelos profetas agora repousa no mais santo dos ventres, Maria recebe o Filho de Deus e trona-se a primeira “custódia”, o primeiro sacrário de Nosso Senhor.

Agora temos a nova Eva, se Por meio de uma mulher entrou o pecado e a Morte, por Maria entra a Salvação, o Cristo que vence o pecado e a Morte. Ela é a nova arca da aliança, traz em si à plenitude da revelação, o Verbo (a Palavra) de Deus feito carne. É por amor que Deus envia seu Filho ao mundo e é por amor a Deus que Maria aceita carregá-lo no seu seio. Maria traz consigo um valioso tesouro, o menino que será quem abrirá ao mundo a porta da vida eterna, ele é o Filho do altíssimo (Lc. 1,32). É por meio dele que somos salvos e nos tornamos participante da vida eterna, por isso que chamamos a Virgem Santíssima de “porta do Céu”.

Toda a Igreja hoje se une aos santos e anjos do céu para relembrar e agradecer a Deus por tão grande graça que é, ter entre nós Jesus, hoje presente no Pão, no Vinho (na Eucaristia) e nos nossos corações. Que nesta semana, quando nos preparamos para o Natal, possamos acolher verdadeiramente Cristo Jesus em nossos corações e assim como Maria dizer nosso sim ao projeto do Senhor. Maria Mãe da Igreja, rogai por nós. Amém.


Roma, 18 de dezembro, 4° Domingo do Advento, do ano do Senhor de 2011.



Seminarista Acival Vidal de Oliveira
Diocese da Estância – SE/Brasil

quarta-feira, dezembro 14, 2011

BENEDETTO XVI
UDIENZA GENERALE
Aula Paolo VI
Mercoledì, 14 dicembre 2011


La preghiera di fronte all'azione benefica e sanante di Dio


Cari fratelli e sorelle,


oggi vorrei riflettere con voi sulla preghiera di Gesù legata alla sua prodigiosa azione guaritrice. Nei Vangeli sono presentate varie situazioni in cui Gesù prega di fronte all’opera benefica e sanante di Dio Padre, che agisce attraverso di Lui. Si tratta di una preghiera che, ancora una volta, manifesta il rapporto unico di conoscenza e di comunione con il Padre, mentre Gesù si lascia coinvolgere con grande partecipazione umana nel disagio dei suoi amici, per esempio di Lazzaro e della sua famiglia, o dei tanti poveri e malati che Egli vuole aiutare concretamente.
Un caso significativo è la guarigione del sordomuto (cfr Mc 7,32-37). Il racconto dell’evangelista Marco – appena sentito – mostra che l’azione sanante di Gesù è connessa con un suo intenso rapporto sia con il prossimo - il malato -, sia con il Padre. La scena del miracolo è descritta con cura così: «Lo prese in disparte, lontano dalla folla, gli pose le dita negli orecchi e con la saliva gli toccò la lingua; guardando quindi verso il cielo, emise un sospiro e gli disse: “Effatà”, “Apriti”» (7,33-34). Gesù vuole che la guarigione avvenga «in disparte, lontano dalla folla». Ciò non sembra dovuto soltanto al fatto che il miracolo deve essere tenuto nascosto alla gente per evitare che si formino interpretazioni limitative o distorte della persona di Gesù. La scelta di portare il malato in disparte fa sì che, al momento della guarigione, Gesù e il sordomuto si trovino da soli, avvicinati in una singolare relazione. Con un gesto, il Signore tocca le orecchie e la lingua del malato, ossia le sedi specifiche della sua infermità. L’intensità dell’attenzione di Gesù si manifesta anche nei tratti insoliti della guarigione: Egli impiega le proprie dita e, persino, la propria saliva. Anche il fatto che l’Evangelista riporti la parola originale pronunciata dal Signore - «Effatà», ossia «Apriti!» - evidenzia il carattere singolare della scena.
Ma il punto centrale di questo episodio è il fatto che Gesù, al momento di operare la guarigione, cerca direttamente il suo rapporto con il Padre. Il racconto dice, infatti, che Egli «guardando … verso il cielo, emise un sospiro» (v. 34). L’attenzione al malato, la cura di Gesù verso di lui, sono legati ad un profondo atteggiamento di preghiera rivolta a Dio. E l’emissione del sospiro è descritta con un verbo che nel Nuovo Testamento indica l’aspirazione a qualcosa di buono che ancora manca (cfr Rm 8,23). L’insieme del racconto, allora, mostra che il coinvolgimento umano con il malato porta Gesù alla preghiera. Ancora una volta riemerge il suo rapporto unico con il Padre, la sua identità di Figlio Unigenito. In Lui, attraverso la sua persona, si rende presente l’agire sanante e benefico di Dio. Non è un caso che il commento conclusivo della gente dopo il miracolo ricordi la valutazione della creazione all’inizio della Genesi: «Ha fatto bene ogni cosa» (Mc 7,37). Nell’azione guaritrice di Gesù entra in modo chiaro la preghiera, con il suo sguardo verso il cielo. La forza che ha sanato il sordomuto è certamente provocata dalla compassione per lui, ma proviene dal ricorso al Padre. Si incontrano queste due relazioni: la relazione umana di compassione con l'uomo, che entra nella relazione con Dio, e diventa così guarigione.
Nel racconto giovanneo della risurrezione di Lazzaro, questa stessa dinamica è testimoniata con un’evidenza ancora maggiore (cfr Gv 11,1-44). Anche qui s’intrecciano, da una parte, il legame di Gesù con un amico e con la sua sofferenza e, dall’altra, la relazione filiale che Egli ha con il Padre. La partecipazione umana di Gesù alla vicenda di Lazzaro ha tratti particolari. Nell’intero racconto è ripetutamente ricordata l’amicizia con lui, come pure con le sorelle Marta e Maria. Gesù stesso afferma: «Lazzaro, il nostro amico, si è addormentato; ma io vado a svegliarlo» (Gv 11,11). L’affetto sincero per l’amico è evidenziato anche dalle sorelle di Lazzaro, come pure dai Giudei (cfrGv 11,3; 11,36), si manifesta nella commozione profonda di Gesù alla vista del dolore di Marta e Maria e di tutti gli amici di Lazzaro e sfocia nello scoppio di pianto – così profondamente umano - nell’avvicinarsi alla tomba: «Gesù allora, quando … vide piangere [Marta], e piangere anche i Giudei che erano venuti con lei, si commosse profondamente e, molto turbato, domandò: “Dove lo avete posto?”. Gli dissero: “Signore, vieni a vedere!”. Gesù scoppiò in pianto» (Gv 11,33-35).
Questo legame di amicizia, la partecipazione e la commozione di Gesù davanti al dolore dei parenti e conoscenti di Lazzaro, si collega, in tutto il racconto, con un continuo e intenso rapporto con il Padre. Fin dall’inizio, l’avvenimento è letto da Gesù in relazione con la propria identità e missione e con la glorificazione che Lo attende. Alla notizia della malattia di Lazzaro, infatti, Egli commenta: «Questa malattia non porterà alla morte, ma è per la gloria di Dio, affinché per mezzo di essa il Figlio di Dio venga glorificato» (Gv 11,4). Anche l’annuncio della morte dell’amico viene accolto da Gesù con profondo dolore umano, ma sempre in chiaro riferimento al rapporto con Dio e alla missione che gli ha affidato; dice: «Lazzaro è morto e io sono contento per voi di non essere stato là, affinché voi crediate» (Gv 11,14-15). Il momento della preghiera esplicita di Gesù al Padre davanti alla tomba, è lo sbocco naturale di tutta la vicenda, tesa su questo doppio registro dell’amicizia con Lazzaro e del rapporto filiale con Dio. Anche qui le due relazioni vanno insieme. «Gesù allora alzò gli occhi e disse: “Padre, ti rendo grazie perché mi hai ascoltato”» (Gv 11,41): è una eucaristia. La frase rivela che Gesù non ha lasciato neanche per un istante la preghiera di domanda per la vita di Lazzaro. Questa preghiera continua, anzi, ha rafforzato il legame con l’amico e, contemporaneamente, ha confermato la decisione di Gesù di rimanere in comunione con la volontà del Padre, con il suo piano di amore, nel quale la malattia e la morte di Lazzaro vanno considerate come un luogo in cui si manifesta la gloria di Dio.
Cari fratelli e sorelle, leggendo questa narrazione, ciascuno di noi è chiamato a comprendere che nella preghiera di domanda al Signore non dobbiamo attenderci un compimento immediato di ciò che noi chiediamo, della nostra volontà, ma affidarci piuttosto alla volontà del Padre, leggendo ogni evento nella prospettiva della sua gloria, del suo disegno di amore, spesso misterioso ai nostri occhi. Per questo, nella nostra preghiera, domanda, lode e ringraziamento dovrebbero fondersi assieme, anche quando ci sembra che Dio non risponda alle nostre concrete attese. L’abbandonarsi all’amore di Dio, che ci precede e ci accompagna sempre, è uno degli atteggiamenti di fondo del nostro dialogo con Lui. Il Catechismo della Chiesa Cattolica commenta così la preghiera di Gesù nel racconto della risurrezione di Lazzaro: «Introdotta dal rendimento di grazie, la preghiera di Gesù ci rivela come chiedere: prima che il dono venga concesso, Gesù aderisce a colui che dona e che nei suoi doni dona se stesso. Il Donatore è più prezioso del dono accordato; è il “Tesoro”, ed il cuore del Figlio suo è in lui; il dono viene concesso “in aggiunta” (cfr Mt 6,21 e 6,33)» (2604). Questo mi sembra molto importante: prima che il dono venga concesso, aderire a Colui che dona; il donatore è più prezioso del dono. Anche per noi, quindi, al di là di ciò che Dio ci da quando lo invochiamo, il dono più grande che può darci è la sua amicizia, la sua presenza, il suo amore. Lui è il tesoro prezioso da chiedere e custodire sempre.
La preghiera che Gesù pronuncia mentre viene tolta la pietra dall’ingresso della tomba di Lazzaro, presenta poi uno sviluppo singolare ed inatteso. Egli, infatti, dopo avere ringraziato Dio Padre, aggiunge: «Io sapevo che mi dai sempre ascolto, ma l’ho detto per la gente che mi sta attorno, perché credano che tu mi hai mandato» (Gv 11,42). Con la sua preghiera, Gesù vuole condurre alla fede, alla fiducia totale in Dio e nella sua volontà, e vuole mostrare che questo Dio che ha tanto amato l’uomo e il mondo da mandare il suo Figlio Unigenito (cfr Gv 3,16), è il Dio della Vita, il Dio che porta speranza ed è capace di rovesciare le situazioni umanamente impossibili. La preghiera fiduciosa di un credente, allora, è una testimonianza viva di questa presenza di Dio nel mondo, del suo interessarsi all’uomo, del suo agire per realizzare il suo piano di salvezza.
Le due preghiere di Gesù meditate adesso, che accompagnano la guarigione del sordomuto e la risurrezione di Lazzaro, rivelano che il profondo legame tra l’amore a Dio e l’amore al prossimo deve entrare anche nella nostra preghiera. In Gesù, vero Dio e vero uomo, l’attenzione verso l’altro, specialmente se bisognoso e sofferente, il commuoversi davanti al dolore di una famiglia amica, Lo portano a rivolgersi al Padre, in quella relazione fondamentale che guida tutta la sua vita. Ma anche viceversa: la comunione con il Padre, il dialogo costante con Lui, spinge Gesù ad essere attento in modo unico alle situazioni concrete dell’uomo per portarvi la consolazione e l’amore di Dio. La relazione con l'uomo ci guida verso la relazione con Dio, e quella con Dio ci guida di nuovo al prossimo.
Cari fratelli e sorelle, la nostra preghiera apre la porta a Dio, che ci insegna ad uscire costantemente da noi stessi per essere capaci di farci vicini agli altri, specialmente nei momenti di prova, per portare loro consolazione, speranza e luce. Il Signore ci conceda di essere capaci di una preghiera sempre più intensa, per rafforzare il nostro rapporto personale con Dio Padre, allargare il nostro cuore alle necessità di chi ci sta accanto e sentire la bellezza di essere «figli nel Figlio» insieme con tanti fratelli. Grazie.

terça-feira, dezembro 13, 2011

DISCURSO DO PAPA BENTO XVI
 À PLENÁRIA DO PONTIFÍCIO CONSELHO PARA A FAMÍLIA
Sala Clementina
Quinta-feira, 1° de Dezembro de 2011

Senhores Cardeais
Venerados Irmãos no Episcopado e no Sacerdócio
Estimados irmãos e irmãs



É-me grato receber-vos por ocasião da Assembleia Plenária do Pontifício Conselho para a Família, na celebração de um dúplice XXX aniversário: da Exortação Apostólica Familiaris consortio, publicada no dia 22 de Novembro de 1981, pelo beato João Paulo II, e do próprio Dicastério, por ele instituído a 9 de Maio precedente com o Motu Proprio Familia a Deo instituta, como sinal da importância a atribuir à pastoral familiar no mundo e, ao mesmo tempo, instrumento eficaz para ajudar a promovê-la a todos os níveis (cf. João Paulo II, Familiaris consortio, 73). Dirijo a minha saudação cordial ao Cardeal Ennio Antonelli, agradecendo-lhe as palavras com que introduziu o nosso encontro, assim como ao Monsenhor Secretário, aos demais colaboradores e a todos vós aqui reunidos.
A nova evangelização depende em grande parte da igreja doméstica (cf. ibid., n. 65). No nosso tempo, assim como em épocas passadas, o eclipse de Deus, a difusão de ideologias contrárias à família e a degradação da ética sexual parecem estar ligadas entre si. E assim como o eclipse de Deus e a crise da família estão inter-relacionadas, do mesmo modo a nova evangelização é inseparável da família cristã. Com efeito, a família é o caminho da Igreja, porque é «espaço humano» do encontro com Cristo. Os cônjuges «não só “recebem” o amor de Cristo, tornando-se comunidade “salva”, mas também são chamados a “transmitir” aos irmãos o mesmo amor de Cristo, tornando-se assim comunidade “salvadora”» (Ibid., n. 49). A família fundada sobre o sacramento do Matrimónio é realização particular da Igreja, comunidade salva e salvadora, evangelizada e evangelizadora. Como a Igreja, também ela é chamada a receber, irradiar e manifestar no mundo o amor e a presença de Cristo. O acolhimento e a transmissão do amor divino realizam-se na dedicação recíproca dos cônjuges, na procriação generosa e responsável, no cuidado e na educação dos filhos, no trabalho e nos relacionamentos sociais, na atenção aos necessitados, na participação nas actividades eclesiais e no compromisso civil. Na medida em que, ao longo de um caminho de conversão permanente sustentado pela graça de Deus, a família cristã consegue viver o amor como comunhão e serviço, como dom recíproco e abertura a todos, reflecte no mundo o esplendor de Cristo e a beleza da Trindade divina. Santo Agostinho tem uma frase célebre: «Immo vero vides Trinitatem, si caritatem vides», «Pois bem, sim, tu vês a Trindade se vires a caridade» (De Trinitate, VIII, 8). E a família é um dos lugares fundamentais onde se vive e se educa para o amor, para a caridade.
No sulco dos meus Predecessores, também eu exortei várias vezes os esposos cristãos a evangelizar, quer com o testemunho da vida, quer com a participação nas actividades pastorais. Fi-lo inclusive recentemente, em Ancona, por ocasião do encerramento do Congresso Eucarístico Nacional italiano. Ali desejei encontrar-me com os casais e os sacerdotes. Com efeito, os dois Sacramentos chamados «do serviço da comunhão» (cf. CIC, n. 1.534), Ordem Sagrada e Matrimónio, devem ser referidos à única nascente eucarística. «De facto, estes dois estados de vida têm a mesma raíz no amor de Cristo, que se doa a si mesmo para a salvação da humanidade; estão chamados a uma missão comum: testemunhar e tornar presente este amor ao serviço da comunidade, para a edificação do Povo de Deus (...) Esta perspectiva permite, antes de tudo, que se supere uma visão limitada da família, que a considera como mera destinatária da acção pastoral. [...] A família é riqueza para os esposos, bem insubstituível para os filhos, fundamento indispensável da sociedade, comunidade vital para o caminho da Igreja» (Discurso aos Sacerdotes e às Famílias, 11 de Setembro de 2011). Em virtude disto, «a família é lugar privilegiado de educação humana e cristã e permanece, para esta finalidade, a melhor aliada do ministério sacerdotal [...] Nenhuma vocação é uma questão particular, muito menos a do matrimónio, porque o seu horizonte é a Igreja inteira» (Ibidem).
Existem âmbitos em que é particularmente urgente o protagonismo das famílias cristãs, em colaboração com os presbíteros e sob a orientação dos Bispos: a educação de crianças, adolescentes e jovens para o amor, entendido como dom de si e comunhão; a preparação dos noivos para a vida matrimonial, com um itinerário de fé; a formação dos cônjuges, especialmente dos casais jovens; as experiências associativas, com finalidades caritativas, educativas e de compromisso civil; a pastoral das famílias para as famílias, dirigida a todo o arco da vida, valorizando o tempo do trabalho e da festa.
Caros amigos, preparemo-nos para o VII Encontro Mundial das Famílias, que terá lugar em Milão de 30 de Maio a 3 de Junho de 2012. Será para mim e para todos nós uma grande alegria encontrar-nos, rezar e fazer festa com as famílias que vierem do mundo inteiro, acompanhadas dos seus Pastores. Agradeço à Igreja ambrosiana o grandioso esforço realizado até agora e quanto fará nos próximos meses. Convido as famílias de Milão e da Lombardia a abrir as portas das suas casas para receber os peregrinos que vierem do mundo inteiro. Na hospitalidade experimentarão alegria e entusiasmo: é bom fazer conhecimento e amizade, descrever uns aos outros a vida de família e a experiência de fé com ela ligada. Na minha carta de convocação do Encontro de Milão, eu pedia «um adequado percurso de preparação eclesial e cultural», a fim de que este acontecimento seja fecundo e envolva concretamente as comunidades cristãs no mundo inteiro. Agradeço a quantos já tomaram iniciativas neste sentido e convido aqueles que ainda não o fizeram a aproveitarem os próximos meses. O vosso Dicastério ocupou-se de redigir um subsídio precioso, com catequeses sobre o tema «A família: o trabalho e a festa»; além disso, formulou para as paróquias, as associações e os movimentos uma proposta de «semana da família», e são desejáveis outras iniciativas.
Obrigado ainda pela vossa visita e pelo trabalho que realizais a favor das famílias e ao serviço do Evangelho. Certifico-vos que me recordo de vós na oração e concedo-vos de coração, bem como aos vossos entes queridos, uma especial Bênção Apostólica.

sexta-feira, dezembro 09, 2011

III - Domingo do Advento


Veio para dar testemunho da Luz
(Jo. 1, 8)


Amados irmãos


Deparamo-nos na primeira leitura deste domingo com o belíssimo texto do profeta Isaias. O profeta nos fala que o espírito do Senhor repousa sobre ele, “porque o Senhor consagrou-me pela unção; enviou-me a levar a boa nova aos humildes, curar os corações doloridos, anunciar aos cativos à redenção, e aos prisioneiros a liberdade” (Is. 61, 1). Este é o mesmo texto que Jesus proclama na Sinagoga e depois de lê-lo, fala que tudo que foi escrito pelo profeta se cumpria naquele momento (Cf. Lc. 4, 18). Podemos entender “um ano de graças da parte do Senhor” como a vida pública de Jesus, Ele é o Messias o Enviado do Senhor para consolar todos os aflitos e desesperançados. O revestisse com as vestimentas da salvação que fala o Profeta acontece por meio de Jesus, é por meio do seu sacrifício por nós na cruz que somos revestidos da “divindade”, isto é, nos tornamos filhos de Deus. “Porque, quão certo o sol faz germinar seus grãos e um jardim faz brotar suas sementes, o Senhor Deus fará germinar a justiça e a glória diante de todas as nações” (Is. 61, 11), encontramos nesta frase de Isaias uma confirmação que o Senhor é fiel, que fará brilhar sobre o seu povo o sol de justiça que é Cristo Jesus.
Na carta de São Paulo aos tessalonicenses, que meditamos na segunda Leitura, encontramos conselhos preciosíssimos para nossas vidas. O Apóstolo nos convida a “Viver sempre contentes, a orar sem cessar, em todas as circunstâncias dai graças e a guardai-nos de toda a espécie de mal” (Cf. 1Ts. 5, 16-22). A oração é uma característica essencial da vida do cristão, Paulo sabia o valor e a força que ela nos dá, por isso que diz, orai sem cessar.  Mais adiante de maneira belíssima o Apóstolo diz, “O Deus da paz vos conceda santidade perfeita. Que todo o vosso ser, espírito, alma e corpo, seja conservado irrepreensível para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo! Fiel é aquele que vos chama, e o cumprirá” (1Ts. 5, 23-24). Toda reflexão de Paulo que acabamos de citar se resume em duas palavras, santidade perfeita, é este o desejo de Deus nosso Pai e deve ser também o nosso desejo. Devemos caminhar sempre em busca da santidade, esforçando-nos para fazer o bem e fugindo de tudo aquilo que é mal e nos afasta de Deus. É dessa forma que seremos considerados herdeiros da graça e assim poderemos dizer, “porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo. Sua misericórdia se estende, de geração em geração, sobre os que o temem”.
Meditamos na semana passada sobre João Batista, seguindo a reflexão do Evangelista Marcos. Hoje, São João, no seu Evangelho, continua o mesmo discurso. Nos fala de João Batista como um homem enviado por Deus. João é o enviado de Deus para dá testemunho que Jesus é o verdadeiro Filho de Deus, “Este veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos cressem por meio dele” (Jo. 1, 7). João Batista era apenas um mensageiro, como ele mesmo diz, “Eu não sou o Cristo” (Jo. 1, 20), por isso que o evangelista fala que ele não era a luz. No entanto, João tem uma missão especial, a de preparar os caminhos do Senhor, “veio para dar testemunho da luz” (Jo. 1, 8).  João é aquele de quem falou o profeta Isaías, “a voz que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor” (Is. 40,3). A sua missão consistia em conscientizar o povo de Israel que a promessa de Deus era já cumprida, pois o Messias já era entre eles, “mas no meio de vós está quem vós não conheceis. Esse é quem vem depois de mim; e eu não sou digno de lhe desatar a correia do calçado” (Jo. 1, 26). João era a seta que indicava a direção certa, o caminho seguro, isto é, Cristo Jesus. Sua pregação era um convite à conversão sincera do coração, para que arrependido de suas más obras, o povo pudesse mudar de vida e receber o Messias de coração purificado.
Caríssimos! neste tempo do advento, nós também somos chamados à conversão. Somos todos convidados a mudar nossa má conduta e preparar o nosso coração para a chegada de Jesus. Precisamos preparar um espaço especial para acolher o “Menino Deus” que nasce mais uma vez como o sol de justiça, visitando todo aquele que está com a porta do coração aberta. Que Maria Santíssima possa nos ajudar a preparamos bem para a chegada do seu Santíssimo Filho. Maria Mãe de Jesus Menino, rogai por nós. Amém.


Roma, 11 de dezembro, 3° Domingo do Advento, do ano do Senhor de 2011.




Seminarista Acival Vidal de Oliveira
Diocese da Estância – SE/Brasil




quinta-feira, dezembro 08, 2011

Solenidade da Imaculada Conceição de Nossa Senhora



Caríssimos irmãos

O homem por si só não é capaz de compreender o designo de Deus. Há perguntas que fazemos diante de tão grande mistério que nem o mais sábio dos sábios poderia respondê-la ou compreendê-la só por meio da razão. Encontramos esse questionamento na história de Abraão, de Zacarias e de Maria Santíssima, a Mãe de Deus e nossa. Todos perguntaram como que poderia tal coisa acontecer? Como que algo até então, impossível de imaginar se daria? Como se dará isto? Esta pergunta se repete ao longo da História Divina. A resposta é o próprio Senhor que nos dá por meio do Anjo Gabriel: “Para Deus, com efeito, nada é impossível” (Lc. 1, 37), assim fica claro que, para aquele que crê no Senhor, todo impossível torna-se possível.
Hoje todos nós cristãos devemos alegra-nos, celebramos a solenidade da Imaculada conceição da Virgem Maria. É difícil entender como que Maria pode ter sido concebida sem macha do pecado original. Mas para Deus Criador, tudo é possível. A concepção de Maria é fruto da vontade do Grande Criador. A imaculada conceição de Maria faz parte do querer de Deus, por singular graça e privilégio do Deus Onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, o Salvador do gênero humano, foi preservada imune de toda mancha de pecado original. A nossa alegria deve ser sinal de agradecimento àquela Virgem da pequena Nazaré, que não mais seria a menor das cidades de Judá (Cf. Mt. 2,6). Uma virgem simples, humilde e fiel à vontade de Deus que nos dá como presente nosso Salvador. É por meio de Maria que a Salvação Vem ao mundo. É por seu singelo sim que guarda no seu seio o mais precioso tesouro, o Verbo de Deus feito carne. É por sua fidelidade a vontade do Senhor que a aquela jovem modesta se tornaria “a Bem-aventurada por todas as gerações” (Cf. Lc. 1,48).
Aquilo que parecia a Maria perturbador, tornasse compreensível ao aceitar o projeto do Senhor. Muitas vezes aquilo que parece aos homens loucura, é sabedoria de Deus. De fato é uma verdadeira “loucura” de amor o que faz o Senhor na vida de quem aceita seu projeto. Uma “loucura” que a mente humana não consegue entender. Só por meio da fé é que podemos compreender tais coisas. Como diz o Apóstolo: “Deus escolhe as coisas que nada são para destruir as que são” (2Cor. 1, 27-28). É a fé, a confiança em Deus que transforma todo impossível em realidade. Foi pela fé que Maria mesmo sem entender como se faria tal coisa acreditou e o Senhor cumpriu sua promessa. Se não existe fé, fica difícil aceitar ou entender os planos de Deus. São Lucas nos dá um exemplo disso quando nos fala da aparição do Anjo Gabriel a Zacarias: “Disse então Zacarias ao anjo: Como terei certeza disso? Pois eu sou velho, e minha mulher também está avançada em idade...” (Lc. 1,18-19). Muitas vezes assim como Zacarias queremos buscar as respostas em nós mesmos. Queremos compreender os desígnios do Senhor por meio do nosso entendimento. Esquecemos que nossa razão é limitada e que tem coisas que só à luz da fé é que conseguimos entender. Em outra passagem da Sagrada Escritura diz que o Senhor promete um herdeiro a Abraão, o que seria humanamente impossível, por que Abraão já tinha aproximadamente cem anos e sua mulher era de idade avançada também (Cf. Gn. 17,17), contudo, o Senhor lhe faz esta promessa. É importante observar que mesmo sem compreender Abraão acredita. Deus precisa apenas de sua aceitação para que sua Obra seja realizada.
Percebemos ao meditar estas passagens bíblicas que Deus não procura grandes sábios ou grandes nomes da história, e sim, pessoas humildes, com o coração aberto ao amor, e estas tornaram-se grandes aos olhos dos homens e no Reino. Foi assim que aconteceu com todos os escolhidos e maneira especial com Maria, “porque olhou a humildades de sua serva” (Lc. 1, 48). Deus se faz próximo, protege todos os seus e está juntos dos que crêem em Te, “porque a seu povo visitou e libertou” (Lc. 1, 68). É um Deus que cumpre suas promessas, é fiel e não se contradiz. O evangelista fala que , “perturbou-se Maria com as palavras do Anjo Gabriel...” (Cf. Lc. 1, 29). Parece-me normal o espanto de Maria ao ser informada de sua grande missãoEntão Maria perguntou ao anjo: Como se fará isso, uma vez que não conheço varão?” (Lc. 1, 34) O seu coração cheio de humildade e inocência não sabia como se realizaria tudo aquilo que o Anjo Gabriel lhe acabara de anunciar e fica perturbada. Esta “inquietude” da Vigem Mãe de Deus é mais um sinal de que Deus procura os mansos e humildes de coração. Todas as gerações lhe chamarão de bem-aventurada, porque com sua humildade, fé e simplicidade “Encontrastes graças junto do Senhor” (Cf. Lc. 1, 30, 48). Deus não promete aos seus escolhidos uma vida tranqüila, sem problemas, mas promete sua assistência em todos os seus caminhos “Eis que estarei convosco todos os dias até a consumação dos tempos (Cf. Mt. 28, 20). O seu amor nos conduz sempre no caminho seguro que nos leva ao seu coração. De fato, só quem aceita fazer a vontade de Deus é que pode trilhar por este caminho e gozar sempre de sua proteção.
Perto da Cruz de Jesus, permanecia de pé sua mãe” (Jo. 19,25). Que Maria Santíssima possa nos assistir hoje, junto a seu filho Jesus no alto dos Céus e aceitar os nossos humildes louvores, que hoje te elevamos. Maria concebida sem mancha do pecado original, rogai por nós. Amém.


Roma, 08 de dezembro, Solenidade da Imaculada Conceição de Nossa Senhora,
do ano do Senhor de 2011.



Seminarista Acival Vidal de Oliveira
Diocese da Estância – SE/Brasil