sábado, dezembro 24, 2011

Natal do Senhor

É que nasceu hoje, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor
(Lc. 2, 11-12)


Amados irmãos


Celebramos o momento que toda terra ansiosa esperou e que se concretizou na pequena cidade de Belém da Judéia, “E tu, Belém, terra de Judá, de modo nenhum és a menor entre as principais cidades de Judá; porque de ti sairá o Guia que há de apascentar o meu povo de Israel” (Mt. 2,6). O Rei dos reis escolhe uma das menores cidades da Judéia para nascer. O Messias, tão esperado pelo povo de Israel, escolhe uma singela jovem de Nazaré para ser sua mãe, “uma virgem desposada com um pobre carpinteiro chamado José” (Cf. Lc. 1, 27). O menino que será o Rei do universo nasce em uma fria e pequena gruta, não tem palácio, trono, nem mesmo um leito, apenas algumas palhas (que era o alimento dos animais) que lhe aquece e algumas faixas de pano as quais lhes envolve. Depois, Ele mesmo dirá: “As raposas têm tocas, e as aves do céu têm ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça” (Mt 8, 20).
Cristo nasce na simplicidade, desprovido de todos os bens matérias e ao mesmo tempo possui um tesouro de valor incalculável, pois Ele é o Filho de Deus, o Senhor do Universo. Dentre todas as mulheres da terra, escolhe como mãe uma humilde virgem, que será graças ao seu sim,Bem-aventurada por todas as gerações” (Cf. Lc. 1,48). Como pai adotivo, tem um modesto carpinteiro de Nazaré, homem justo e temente a Deus, “E como José, seu esposo, era justo” (Mt. 1, 19). Podemos observar que tanto Maria com o seu “Eis aqui a serva do Senhor”, como José que se faz obediente às palavras do Anjo, “fez como o anjo do Senhor lhe ordenara, e recebeu sua mulher” (Mt. 1, 24), foram féis aos planos de Deus e este simples gesto os tonou grandes.
A Criança que nasce naquela gruta fria e escura, repleta de animais, é o mensageiro do qual fala o profeta Isaias, “Como são belos sobre as montanhas os pés do mensageiro que anuncia a felicidade, que traz as boas novas e anuncia a libertação” (Is. 52,7). De fato, é bela a mensagem que porta ao mundo esta Criança. O Filho de Deus se faz pequeno, pobre, mostrando aos grandes do mundo que é fazendo-se pequeno que se torna grande aos olhos de Deus. Que os bens matérias não são maiores que os espirituais, que a graça de Deus. Mostra também que, Deus se revela aos puros e humildes de coração. Os primeiros a contemplarem o seu rosto faram José, Maria e os pastores. Isaias fala da beleza do mensageiro, que porta uma mensagem de amor de paz. O Mensageiro do Senhor é Jesus Cristo que vem ao encontro do povo de Israel, “porque o Senhor se compadece de seu povo” (Is. 52,9). A montanha a qual fala o profeta é para indicar que o mensageiro vem do alto, isto é, vem da parte de Deus. O nascimento de Jesus é a prova que Deus é fiel a sua promessa.
Na segunda leitura São Paulo mostra aos Hebreus que Jesus é o Filho de Deus. Ele é enviado pelo Pai para que nos revele o seu plano de amor, “Muitas vezes e de diversos modos outrora falou Deus aos nossos pais pelos profetas. Ultimamente nos falou por seu Filho” (Hb. 1, 1-2). Jesus é o mensageiro do Pai, que vem revelar a Boa Nova e anunciar o Reino de Deus. Os judeus não aceitavam Jesus como o verdadeiro Filho de Deus, era difícil para eles acolherem esta verdade, por isso que Paulo insiste em mostrá-los que Jesus é verdadeiro Homem e verdadeiro Deus, “herdeiro universal, pelo qual criou todas as coisas. Esplendor da glória (de Deus) e imagem do seu ser, sustenta o universo com o poder da sua palavra... está sentado à direita da Majestade no mais alto dos céus, tão superior aos anjos” (Hb. 1, 3-4). Jesus é o Verbo de Deus pelo qual tudo passou a existir, ao se encarnar e assumir a humanidade não deixou de ser Deus e após a ressurreição ascendeu aos Céus onde reina para sempre à direita do Pai.
São João nos fala no seu Evangelho: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus... Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez” (Cf. Jo. 1, 1-3). A Palavra de Deus nos possibilita mergulhar na profundidade do seu amor. Trata-se de uma escada que liga o coração de Deus ao dos homens. É nesta relação de intimidade e amor que nós devemos a exemplo de Maria dizer: eis aqui teus servos Senhor. É neste amor que o salmista diz, “Cantai ao Senhor um cântico novo, porque ele operou maravilhas. Sua mão e seu santo braço lhe deram a vitória” (Sl. 97, 1). O coração daquele que está perto de Deus não pode ter outro sentimento que não seja de gratidão e amor. As coisas antigas já se passaram, agora o Senhor Menino traz a esperança para aqueles que esperavam no Senhor.
É por está verdade, que o Senhor Deus por amor envia seu Filho ao mundo para nos salvar, que hoje todos nós cristãos nos alegramos. A alegria do Natal não é a chegada do Papai Noel no seu trenó mágico, no peru ou no panetone que comemos na ceia. A alegria do Natal é aquela alegria comunicada pelos Anjos aos pastores: “É que nasceu hoje, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lc. 2, 11-12). O verdadeiro sentido do Natal é o nascimento do Nosso Salvador. Ele o Verbo do Pai feito carne, do qual fala João no seu Evangelho, o Presente de amor que o Senhor Deus dá para nós, “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai” (Jo. 1, 14).
Somos felizes por saber que temos em nosso meio a luz que ilumina as trevas do nosso pecado, “em Cristo Jesus estava à vida, e a vida era a luz dos homens; a luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela” (Cf. Jo. 1,4-5), que somos amados por Deus e que o nascimento do Menino Deus é uma confirmação desse amor. Que a Sagrada Família de Nazaré, possa ajudar-nos a despertar em nós o amor a Deus e aos irmãos. Que nossa vida seja um verdadeiro serviço a este Rei que em seu grande amor se rebaixou para nos exaltar. E assim, tudo que fizermos, seja sinal gratidão a Cristo, Nosso Salvador, que mais uma vez nasce na manjedoura do nosso coração. Amém.


Roma, 25 de dezembro, Solenidade do Natal do Senhor, do ano do Senhor, de 2011.  



Seminarista Acival Vidal de Oliveira
Diocese da Estância – SE/Brasil


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