domingo, janeiro 29, 2012

IV - Domingo do T. Comum


Não fecheis o coração, ouvi hoje a voz de Senhor!
(Sl. 94)


Amados irmãos

Encontramo-nos no auge de tantos avanços tecnológicos e de grandes descobertas. Com estas inovações vem a necessidade de nos adaptar ao novo. Corremos, nos especializamos e sem perceber também nos transformamos. Nos deparamos fazendo as coisas como se fossemos só mais um “objeto” da grande inovação, uma maquina que produz para garantir a sua própria sobrevivência. Juntos aos anos que passam vão os valores essenciais que nos deferência das outras “coisas”, tais como, o amor sincero, a família, a dignidade, etc. Temos hoje uma família onde filhos e pais mau se conhecem por falta de tempo (que na maioria das vezes é dedicado ao trabalho), ou por que jantar em família, conversar é coisa do passado e nós estamos em uma nova era. Nas famílias o tempo que devia ser usado em conversa e uma convivência é ocupado pelos meios de comunicação (novelas e programas de TV) ou pela internet. Assim passam os anos e pais e filhos não se conhecem, não conversam como deveriam. Quando algo dá errado, buscam ajuda na psicologia, nas terapias de grupos e outros.
A humanidade pouco a pouco se transforma em um aglomerado de “objetos humanos” que faz com que tudo funcionem. O homem perde sua humanidade e identidade. É desta forma que acontece com muitas pessoas da nossa sociedade. Pessoas que tornam-se vazias de si mesmo e de Deus. O homem moderno encontra solução para quase tudo, faltando apenas uma coisa, preencher o vazio do seu ser. Ele não pode preencher este vazio, porque só Deus pode fazer isto. Mas nem sempre o homem encontra tempo para pensar em Deus, as vezes só o busca por meio do sofrimento, ou quando se ver incapaz de fazer alguma coisa. Para muitos Deus é apenas lembrado como um criador, mas não diz nada além disso. Como não se pode ver ou tocá-lo é simplesmente esquecido.
Na primeira leitura que meditamos neste domingo, vemos Moises que intercede a Deus pelo povo de Israel. Aquele povo, que enumeras vezes é apresentado como cabeça dura, não quer perder o contado a intimidade com o seu Deus. Eles querem continuar a ouvi-lo e lhe pede um profeta, pois tem medo de ouvir diretamente a Deus e morrer, “Oh! Não ouça eu mais a voz do Senhor, meu Deus, nem torne a ver mais esse fogo ardente, para que eu não morra!” (Dt. 18, 16). Encontramos nesta leitura a figura de Deus Pai, que ouve o pedido dos seus filhos, que respeita os seus medos e lhes concede um profeta para que fale em seu nome, “eu lhes suscitarei um profeta como tu dentre seus irmãos: pôr-lhe-ei minhas palavras na boca, e ele lhes fará conhecer as minhas ordens” (Dt. 18, 18). O desejo que Israel tinha de ouvir as Palavras do Senhor, faz com que Deus se faça presente e fale por meio do seu profeta. Aquele povo que muitas vezes era infiel, tinha algo muito bonito e que devemos imitá-lo, reconhecia suas falhas e voltava-se para Deus arrependidos e o Senhor em seu imenso amor lhe perdoava.
A nossa sociedade, precisa despertar no coração este desejo, o desejo de buscar o Senhor e ouvi-lo. As palavras do salmista ecoa no nosso coração, “Não fecheis o coração, ouvi hoje a voz de Deus!” (Sl. 94). Esta é a vontade do Senhor, que abramos o nosso coração a tua palavra. Que deixemos um lugar especial em nossa vida para Ele. É ouvindo sua voz do Senhor que seremos preparados para os grandes desafios que encontraremos em nossa caminhada. É o Senhor que diz hoje por meio do salmista, meu povo! escuta-me, abris os vossos corações e abraçais meus ensinamentos. A voz de Deus deve falar mais alto que as inovações. Devemos aproveitar a tecnologia que é fruto da sabedoria, que por sua vez é dom de Deus, mas aproveitar com prudência e com consciência de que não somos escravos dela. Somos filhos amados de Deus e só a ele deve se voltar o nosso coração.
Falávamos no inicio da crise que passamos hoje em nossas famílias. Encontramos na segunda leitura alguns conselhos que nos dar São Paulo ao escrever para a comunidade de Coríntios. “Quisera ver-vos livres de toda preocupação. O solteiro cuida das coisas que são do Senhor e procura agradar o Senhor. O casado preocupa-se com as coisas do mundo, procurando agradar à sua esposa” (1Cor. 7, 32-33). Com estas simples palavras Paulo nos ensina que devemos viver com uma única preocupação, a de ser fiel ao nosso estado de vida. A pessoa que é casado, deve viver inteiramente voltado para sua família, para sua esposa e filhos. Deve ser um pai de família ou uma mãe de família de verdade, não pode substituir sua presença por um computador ou uma televisão. Deve amar e estar perto do seus filhos, assim como Deus amava, falava e estava perto do seu povo amado, como vimos na primeira leitura. “Digo isto para vosso proveito, não para vos estender um laço, mas para vos ensinar o que melhor convém, o que vos poderá unir ao Senhor sem partilha” (1Cor. 7, 35).
No Evangelho, encontramos Jesus que vai a sinagoga para rezar e ensinar ao povo ali presente “Naquele tempo, Dirigiram-se para Cafarnaum. E já no dia de sábado, Jesus entrou na sinagoga e pôs-se a ensinar” (Mc. 1, 21). Mas uma vez vemos a figura do pai que ensina o bom caminho aos filhos. Jesus é a prova do amor de Deus Pai por nós. Vem ao mundo para nos salvar e ensinar-nos o caminho que nos leva ao Céu. No versículo seguintes, São Marcos fala que os judeus que estavam ali presentes na sinagoga, “Maravilhavam-se da sua doutrina, porque os ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas(Mc. 1, 22). De fato eles ainda não tinham compreendido que Cristo era o Filho de Deus feito homem, que a sua autoridade era distinta dos doutores da lei porque Ele é Deus. É por este motivo que ensina com autoridade e expulsa os demônios, “Ora, na sinagoga deles achava-se um homem possesso de um espírito imundo, que gritou: "Que tens tu conosco, Jesus de Nazaré? Vieste perder-nos? Sei quem és: o Santo de Deus! Mas Jesus intimou-o, dizendo: "Cala-te, sai deste homem! "O espírito imundo agitou-o violentamente e, dando um grande grito, saiu (Mc. 1, 23-26).  
Muitas vezes hoje, não somos capazes de reconhecer Jesus, vemo-lo mas não acreditamos, ouvimos a sua voz mas não o seguimos. Não basta apenas ver e ouvir, os judeus viram-no, ouviram e puderam contemplá-lo expulsando o demônio daquele homem, no entanto, não aceitaram Jesus como o Senhor, por que tinha seus corações fechados. É preciso abrir a porta do nosso coração para poder reconhecer Jesus como o verdadeiro Filho de Deus. Mas não basta só conhecer, isso até o demônio faz, “Sei quem és: o Santo de Deus!”. É preciso amá-lo, segui-lo, confiar a ale toda a vida. O encontro com a Palavra exige de nós uma mudança de vida. Ser de Deus, buscar as coisas do alto e não se prender aquilo que é material, são características daquele que se deixar moldar pela Palavra do Senhor. Maria é exemplo de uma entrega confiante e total a Deus. Ela deixou que a Palavra do Senhor lhe modelasse, transformasse sua vida e deste modo tornou-se a Bem-aventurada. Maria confiou e o Senhor cumpriu sua promessa, no seu seio a Palavra se fez carne. Caríssimos, peçamos a Maria que venha nos ensinar a abrir nossos corações para acolher a palavra do Senhor. Imaculado Coração de Maria, rogai por nós. Amém.


Roma, 29 de Janeiro, 4° Domingo do Tempo Comum, do ano do Senhor de 2012.



Seminarista Acival Vidal de Oliveira
Diocese da Estância – SE/Brasil


quarta-feira, janeiro 25, 2012


PAPA BENTO XVI

AUDIÊNCIA GERAL


Sala Paulo VI
Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2012


Queridos irmãos e irmãs,


A chamada «Oração Sacerdotal» de Jesus na Última Ceia é inseparável do seu Sacrifício, no qual Se consagra inteiramente ao Pai. Sacerdote e vítima, Cristo reza por Si mesmo, pelos Apóstolos e pela Igreja de todos os tempos. Para Si próprio, pede uma obediência total ao Pai, que O conduza à plena condição filial. Para os Apóstolos, pede a consagração na verdade, para continuarem a missão d’Ele; para isso, devem ser consagrados, isto é, segregados do mundo, colocando-se à disposição de Deus para a missão que lhes está reservada, e, deste modo, postos à disposição de todos. Finalmente Jesus estende o olhar até ao fim dos tempos e reza pela Igreja, pedindo a unidade de todos os cristãos: «Que eles sejam todos um, como Tu, Pai, o és em Mim e Eu em Ti» (Jo 17, 21). Assim a Igreja continua a missão de Cristo: conduzir o mundo para fora do pecado, que aliena o homem de Deus e de si mesmo, para que volte a ser o mundo de Deus.

* * *

ITALIANO

Cari fratelli e sorelle,
nella Catechesi di oggi concentriamo la nostra attenzione sulla preghiera che Gesù rivolge al Padre nell'«Ora» del suo innalzamento e della sua glorificazione (cfr Gv 17,1-26). Come afferma ilCatechismo della Chiesa Cattolica: «La tradizione cristiana a ragione la definisce la “preghiera sacerdotale” di Gesù. E' quella del nostro Sommo Sacerdote, è inseparabile dal suo Sacrificio, dal suo “passaggio” [pasqua] al Padre, dove egli è interamente “consacrato” al Padre» (n. 2747).
Questa preghiera di Gesù è comprensibile nella sua estrema ricchezza soprattutto se la collochiamo sullo sfondo della festa giudaica dell’espiazione, lo Yom kippùr. In quel giorno il Sommo Sacerdote compie l’espiazione prima per sé, poi per la classe sacerdotale e infine per l’intera comunità del popolo. Lo scopo è quello di ridare al popolo di Israele, dopo le trasgressioni di un anno, la consapevolezza della riconciliazione con Dio, la consapevolezza di essere popolo eletto, «popolo santo» in mezzo agli altri popoli. La preghiera di Gesù, presentata nel capitolo 17 del Vangelo secondo Giovanni, riprende la struttura di questa festa. Gesù in quella notte si rivolge al Padre nel momento in cui sta offrendo se stesso. Egli, sacerdote e vittima, prega per sé, per gli apostoli e per tutti coloro che crederanno in Lui, per la Chiesa di tutti i tempi (cfr Gv 17,20).
La preghiera che Gesù fa per se stesso è la richiesta della propria glorificazione, del proprio «innalzamento» nella sua «Ora». In realtà è più di una domanda e della dichiarazione di piena disponibilità ad entrare, liberamente e generosamente, nel disegno di Dio Padre che si compie nell’essere consegnato e nella morte e risurrezione. Questa “Ora” è iniziata con il tradimento di Giuda (cfr Gv 13,31) e culminerà nella salita di Gesù risorto al Padre (Gv 20,17). L’uscita di Giuda dal cenacolo è commentata da Gesù con queste parole: «Ora il Figlio dell’uomo è stato glorificato, e Dio è stato glorificato in lui» (Gv 13,31). Non a caso, Egli inizia la preghiera sacerdotale dicendo: «Padre, è venuta l’ora: glorifica il Figlio tuo perché il Figlio glorifichi te» (Gv 17,1). La glorificazione che Gesù chiede per se stesso, quale Sommo Sacerdote, è l'ingresso nella piena obbedienza al Padre, un'obbedienza che lo conduce alla sua più piena condizione filiale: «E ora, Padre, glorificami davanti a te con quella gloria che io avevo presso di te prima che il mondo fosse» (Gv 17,5). Sono questa disponibilità e questa richiesta il primo atto del sacerdozio nuovo di Gesù che è un donarsi totalmente sulla croce, e proprio sulla croce - il supremo atto di amore – Egli è glorificato, perché l'amore è la gloria vera, la gloria divina.
Il secondo momento di questa preghiera è l’intercessione che Gesù fa per i discepoli che sono stati con Lui. Essi sono coloro dei quali Gesù può dire al Padre: «Ho manifestato il tuo nome agli uomini che mi hai dato dal mondo. Erano tuoi e li hai dati a me, ed essi hanno osservato la tua parola» (Gv17,6). «Manifestare il nome di Dio agli uomini» è la realizzazione di una presenza nuova del Padre in mezzo al popolo, all’umanità. Questo “manifestare” è non solo una parola, ma è realtà in Gesù; Dio è con noi, e così il nome - la sua presenza con noi, l’essere uno di noi - è “realizzato”.  Quindi questa manifestazione si realizza nell’incarnazione del Verbo. In Gesù Dio entra nella carne umana, si fa vicino in modo unico e nuovo. E questa presenza ha il suo vertice nel sacrificio che Gesù realizza nella sua Pasqua di morte e risurrezione.
Al centro di questa preghiera di intercessione e di espiazione a favore dei discepoli sta la richiesta diconsacrazione; Gesù dice al Padre: «Essi non sono del mondo, come io non sono del mondo. Consacrali nella verità. La tua parola è verità. Come tu hai mandato me nel mondo, anche io ho mandato loro nel mondo; per loro io consacro me stesso, perché siano anch’essi consacrati nella verità» (Gv 17,16-19). Domando: cosa significa «consacrare» in questo caso? Anzitutto bisogna dire che «Consacrato» o «Santo», è propriamente solo Dio. Consacrare quindi vuol dire trasferire una realtà – una persona o cosa – nella proprietà di Dio. E in questo sono presenti due aspetti complementari: da una parte togliere dalle cose comuni, segregare, “mettere a parte” dall’ambiente della vita personale dell’uomo per essere donati totalmente a Dio; e dall’altra questa segregazione, questo trasferimento alla sfera di Dio, ha il significato proprio di «invio», di missione: proprio perché donata a Dio, la realtà, la persona consacrata esiste «per» gli altri, è donata agli altri. Donare a Dio vuol dire non essere più per se stessi, ma per tutti. E’ consacrato chi, come Gesù, è segregato dal mondo e messo a parte per Dio in vista di un compito e proprio per questo è pienamente a disposizione di tutti. Per i discepoli, sarà continuare la missione di Gesù, essere donato a Dio per essere così in missione per tutti. La sera di Pasqua, il Risorto, apparendo ai suoi discepoli, dirà loro: «Pace a voi! Come il Padre ha mandato me, anche io mando voi» (Gv 20,21).
Il terzo atto di questa preghiera sacerdotale distende lo sguardo fino alla fine del tempo. In essa Gesù si rivolge al Padre per intercedere a favore di tutti coloro che saranno portati alla fede mediante la missione inaugurata dagli apostoli e continuata nella storia: «Non prego solo per questi, ma anche per quelli che crederanno in me mediante la loro parola». Gesù prega per la Chiesa di tutti i tempi, prega anche per noi (Gv 17,20). Il Catechismo della Chiesa Cattolica commenta: «Gesù ha portato a pieno compimento l'opera del Padre, e la sua preghiera, come il suo Sacrificio, si estende fino alla consumazione dei tempi. La preghiera dell'Ora riempie gli ultimi tempi e li porta verso la loro consumazione» (n. 2749).
La richiesta centrale della preghiera sacerdotale di Gesù dedicata ai suoi discepoli di tutti i tempi è quella della futura unità di quanti crederanno in Lui. Tale unità non è un prodotto mondano. Essa proviene esclusivamente dall'unità divina e arriva a noi dal Padre mediante il Figlio e nello Spirito Santo. Gesù invoca un dono che proviene dal Cielo, e che ha il suo effetto – reale e percepibile – sulla terra. Egli prega «perché tutti siano una sola cosa; come tu, Padre, sei in me e io in te, siano anch’essi in noi, perché il mondo creda che tu mi hai mandato» (Gv 17,21). L'unità dei cristiani da una parte è una realtà segreta che sta nel cuore delle persone credenti. Ma, al tempo stesso, essa deve apparire con tutta la chiarezza nella storia, deve apparire perché il mondo creda, ha uno scopo molto pratico e concreto deve apparire perchè tutti siano realmente una sola cosa. L'unità dei futuri discepoli, essendo unità con Gesù - che il Padre ha mandato nel mondo -, è anche la fonte originaria dell'efficacia della missione cristiana nel mondo.
«Possiamo dire che nella preghiera sacerdotale di Gesù si compie l'istituzione della Chiesa ... Proprio qui, nell'atto dell'ultima cena, Gesù crea la Chiesa. Perché, che altro è la Chiesa se non la comunità dei discepoli che, mediante la fede in Gesù Cristo come inviato del Padre, riceve la sua unità ed è coinvolta nella missione di Gesù di salvare il mondo conducendolo alla conoscenza di Dio? Qui troviamo realmente una vera definizione della Chiesa. La Chiesa nasce dalla preghiera di Gesù. E questa preghiera non è soltanto parola: è l'atto in cui egli «consacra» se stesso e cioè «si sacrifica» per la vita del mondo (cfr Gesù di Nazaret, II, 117s).
Gesù prega perché i suoi discepoli siano una cosa sola. In forza di tale unità, ricevuta e custodita, la Chiesa può camminare «nel mondo» senza essere «del mondo» (cfr Gv 17,16) e vivere la missione affidatale perché il mondo creda nel Figlio e nel Padre che lo ha mandato. La Chiesa diventa allora il luogo in cui continua la missione stessa di Cristo: condurre il «mondo» fuori dall’alienazione dell’uomo da Dio e da se stesso, fuori dal peccato, affinché ritorni ad essere il mondo di Dio.
Cari fratelli e sorelle, abbiamo colto qualche elemento della grande ricchezza della preghiera sacerdotale di Gesù, che vi invito a leggere e a meditare, perché ci guidi nel dialogo con il Signore, ci insegni a pregare. Anche noi, allora, nella nostra preghiera, chiediamo a Dio che ci aiuti ad entrare, in modo più pieno, nel progetto che ha su ciascuno di noi; chiediamoGli di essere «consacrati» a Lui, di appartenerGli sempre di più, per poter amare sempre di più gli altri, i vicini e i lontani; chiediamoGli di essere sempre capaci di aprire la nostra preghiera alle dimensioni del mondo, non chiudendola nella richiesta di aiuto per i nostri problemi, ma ricordando davanti al Signore il nostro prossimo, apprendendo la bellezza di intercedere per gli altri; chiediamoGli il dono dell’unità visibile tra tutti i credenti in Cristo - lo abbiamo invocato con forza in questa Settimana di Preghiera per l’Unità dei Cristiani - preghiamo per essere sempre pronti a rispondere a chiunque ci domandi ragione della speranza che è in noi (cfr 1Pt 3,15). Grazie.

domingo, janeiro 22, 2012


III Domingo do Tempo  Comum


"Vinde após mim; eu vos farei pescadores de homens"



Caríssimos!


O Evangelho de hoje nos fala que Jesus “passando ao longo do mar da Galiléia, viu Simão e André, seu irmão, que lançavam as redes ao mar, pois eram pescadores. Jesus disse-lhes: "Vinde após mim; eu vos farei pescadores de homens” (Mc. 1, 16-17). As palavras de Cristo Jesus são atuais. Hoje, Jesus continua a passar por nossas vidas convidando-nos a te seguir, assim como fez com seus primeiros discípulos. Ao seguir o Senhor seremos transformados, passaremos a ser uma pessoa nova, renovada no Senhor. Para isso é preciso largar as redes que nos impede de segui-lo, “Eles, no mesmo instante, deixaram as redes e seguiram-no” (Mc. 1, 18). Não devemos colocar empecilhos diante do chamado que nos faz o Senhor. Devemos apenas como seus discípulos confiar e segui-lo. Peçamos a Maria Santíssima que nos ensine a sempre caminhar seguindo os passos do nosso Mestre e seu Filho. Maria Mãe dos caminhantes, rogai por nós. Amém.

quarta-feira, janeiro 18, 2012


PAPA BENTO XVI

AUDIÊNCIA GERAL
Sala Paulo VI

Quarta-feira, 18 de Janeiro de 2012



Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos




Queridos irmãos e irmãs,



Hoje tem início a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, com a finalidade de permitir que a oração que o próprio Senhor fez na Última Ceia - «Que todos sejam um, ó Pai» (Jo 17, 21) – cresça até se tornar um imenso, unânime grito de todo o povo cristão, que pede a Deus o grande dom da unidade. Esta Semana de oração tem como tema «Todos seremos transformados pela vitória de Jesus Cristo, Nosso Senhor» e quer pôr em evidência o poder transformador da fé em Cristo, que anima a nossa oração pela unidade visível da Igreja, Corpo de Cristo. O caminho da Igreja e dos povos está nas mãos de Cristo ressuscitado, vitorioso sobre a morte e a injustiça, que Ele suportou e sofreu por todos nós. A unidade plena e visível dos cristãos, pela qual suspiramos e rezamos, exige uma conversão interior pessoal e comunitária que nos faça entrar na vida nova em Cristo, que é a nossa vitória verdadeira e definitiva; tal unidade exige que nos deixemos transformar cada vez mais perfeitamente à imagem de Cristo, para assim participarmos da sua vitória, pois só Ele é capaz de nos transformar, de fracos e titubeantes, em fortes e corajosos operadores de bem.



ITALIANO



Settimana di Preghiera per l'Unità dei Cristiani 

Cari fratelli e sorelle!

Inizia oggi la Settimana di Preghiera per l’Unità dei Cristiani che, da oltre un secolo, viene celebrata ogni anno da cristiani di tutte le Chiese e Comunità ecclesiali, per invocare quel dono straordinario per cui lo stesso Signore Gesù ha pregato durante l’Ultima Cena, prima della sua passione: “Perché tutti siano una sola cosa; come tu, Padre, sei in me ed io in te, siano anch’essi in noi, perché il mondo creda che tu mi hai mandato” (Gv 17,21). La pratica della Settimana di Preghiera per l’Unità dei Cristiani fu introdotta nel 1908 da Padre Paul Wattson, fondatore di una comunità religiosa anglicana che entrò in seguito nella Chiesa cattolica. L’iniziativa ricevette la benedizione del Papa san Pio X e fu poi promossa dal Papa Benedetto XV, che ne incoraggiò la celebrazione in tutta la Chiesa cattolica con il Breve Romanorum Pontificum, del 25 febbraio 1916.
L’ottavario di preghiera fu sviluppato e perfezionato negli anni trenta del secolo scorso dall’Abbé Paul Couturier di Lione, che sostenne la preghiera “per l’unità della Chiesa così come vuole Cristo e conformemente agli strumenti che Lui vuole”. Nei suoi ultimi scritti, l’Abbé Couturier vede tale Settimana come un mezzo che permette alla preghiera universale di Cristo di “entrare e penetrare nell’intero Corpo cristiano”; essa deve crescere fino a diventare “un immenso, unanime grido di tutto il Popolo di Dio”, che chiede a Dio questo grande dono. Ed è precisamente nella Settimana di Preghiera per l’Unità dei Cristiani che l’impulso impresso dal Concilio Vaticano II alla ricerca della piena comunione tra tutti i discepoli di Cristo trova ogni anno una delle sue più efficaci espressioni. Questo appuntamento spirituale, che unisce cristiani di tutte le tradizioni, accresce la nostra consapevolezza del fatto che l’unità verso cui tendiamo non potrà essere solo il risultato dei nostri sforzi, ma sarà piuttosto un dono ricevuto dall’alto, da invocare sempre.
Ogni anno i sussidi per la Settimana di Preghiera vengono preparati da un gruppo ecumenico di una diversa regione del mondo. Vorrei soffermarmi su questo punto. Quest’anno, i testi sono stati proposti da un gruppo misto composto da rappresentanti della Chiesa cattolica e del Consiglio Ecumenico Polacco, che comprende varie Chiese e Comunità ecclesiali del Paese. La documentazione è stata poi rivista da un comitato composto da membri del Pontificio Consiglio per la Promozione dell’Unità dei Cristiani e della Commissione Fede e Costituzione del Consiglio Ecumenico delle Chiese. Anche questo lavoro fatto insieme in due tappe è un segno del desiderio di unità che anima i cristiani e della consapevolezza che la preghiera è la via primaria per raggiungere la piena comunione, perché uniti verso il Signore andiamo verso l'unità. Il tema della Settimana di quest’anno - come abbiamo sentito - è preso dalla Prima Lettera ai Corinzi: - “Tutti saremo trasformati dalla vittoria di Gesù Cristo, nostro Signore” (cfr 1 Cor 15,51-58), la sua vittoria ci trasformerà. E questo tema è stato suggerito dall’ampio gruppo ecumenico polacco che ho citato, il quale, riflettendo sulla propria esperienza come nazione, ha voluto sottolineare quanto forte sia il sostegno della fede cristiana in mezzo a prove e sconvolgimenti, come quelli che hanno caratterizzato la storia della Polonia. Dopo ampie discussioni è stato scelto un tema incentrato sul potere trasformante della fede in Cristo, in particolare alla luce dell’importanza che essa riveste per la nostra preghiera in favore dell’unità visibile della Chiesa, Corpo di Cristo. Ad ispirare questa riflessione sono state le parole di san Paolo che, rivolgendosi alla Chiesa in Corinto, parla della natura temporanea di ciò che appartiene alla nostra vita presente, segnata anche dall’esperienza di “sconfitta” del peccato e della morte, in confronto a ciò che porta a noi la “vittoria” di Cristo sul peccato e sulla morte nel suo Mistero pasquale.
La storia particolare della nazione polacca, che ha conosciuto periodi di convivenza democratica e di libertà religiosa, come nel XVI secolo, è stata segnata, negli ultimi secoli, da invasioni e disfatte, ma anche dalla costante lotta contro l’oppressione e dalla sete di libertà. Tutto questo ha indotto il gruppo ecumenico a riflettere in maniera più approfondita sul vero significato di “vittoria” - che cosa è la vittoria - e di “sconfitta”. Rispetto alla “vittoria” intesa in termini trionfalistici, Cristo ci suggerisce una strada ben diversa, che non passa attraverso il potere e la potenza. Egli infatti afferma: “Se uno vuol essere il primo, sia l’ultimo di tutti e il servo di tutti” (Mc 9,35). Cristo parla di una vittoria attraverso l’amore sofferente, attraverso il servizio reciproco, l’aiuto, la nuova speranza e il concreto conforto donati agli ultimi, ai dimenticati, ai rifiutati. Per tutti i cristiani, la più alta espressione di tale umile servizio è Gesù Cristo stesso, il dono totale che fa di Se stesso, la vittoria del suo amore sulla morte, nella croce, che splende nella luce del mattino di Pasqua. Noi possiamo prendere parte a questa “vittoria” trasformante se ci lasciamo noi trasformare da Dio, solo se operiamo una conversione della nostra vita e la trasformazione si realizza in forma di conversione. Ecco il motivo per cui il gruppo ecumenico polacco ha ritenuto particolarmente adeguate per il tema della propria meditazione le parole di San Paolo: “Tutti saremo trasformati” dalla vittoria di Cristo, nostro Signore” (cfr 1 Cor  15,51-58).
La piena e visibile unità dei cristiani, a cui aneliamo, esige che ci lasciamo trasformare e conformare, in maniera sempre più perfetta, all’immagine di Cristo. L’unità per la quale preghiamo richiede una conversione interiore, sia comune che personale. Non si tratta semplicemente di cordialità o di cooperazione, occorre soprattutto rafforzare la nostra fede in Dio, nel Dio di Gesù Cristo, che ci ha parlato e si è fatto uno di noi; occorre entrare nella nuova vita in Cristo, che è la nostra vera e definitiva vittoria; occorre aprirsi gli uni agli altri, cogliendo tutti gli elementi di unità che Dio ha conservato per noi e sempre nuovamente ci dona; occorre sentire l’urgenza di testimoniare all’uomo del nostro tempo il Dio vivente, che si è fatto conoscere in Cristo.
Il Concilio Vaticano II ha posto la ricerca ecumenica al centro della vita e dell’operato della Chiesa: “Questo santo Concilio esorta tutti i fedeli cattolici perché, riconoscendo i segni dei tempi, partecipino con slancio all’opera ecumenica” (Unitatis redintegratio, 4). Il beato Giovanni Paolo II ha sottolineato la natura essenziale di tale impegno, dicendo: “Questa unità, che il Signore ha donato alla sua Chiesa e nella quale egli vuole abbracciare tutti, non è un accessorio, ma sta al centro stesso della sua opera. Né essa equivale ad un attributo secondario della comunità dei suoi discepoli. Appartiene invece all’essere stesso di questa comunità” (Enc. Ut unum sint, 9). Il compito ecumenico è dunque una responsabilità dell’intera Chiesa e di tutti i battezzati, che devono far crescere la comunione parziale già esistente tra i cristiani fino alla piena comunione nella verità e nella carità. Pertanto, la preghiera per l’unità non è circoscritta a questa Settimana di Preghiera, ma deve diventare parte integrante della nostra orazione, della vita orante di tutti i cristiani, in ogni luogo e in ogni tempo, soprattutto quando persone di tradizioni diverse s’incontrano e lavorano insieme per la vittoria, in Cristo, su tutto ciò che è peccato, male, ingiustizia, violazione della dignità dell’uomo.
Da quando il movimento ecumenico moderno è nato, oltre un secolo fa, vi è sempre stata una chiara consapevolezza del fatto che la mancanza di unità tra i cristiani impedisce un annuncio più efficace del Vangelo, perché mette in pericolo la nostra credibilità. Come possiamo dare una testimonianza convincente se siamo divisi? Certamente, per quanto riguarda le verità fondamentali della fede, ci unisce molto più di quanto ci divide. Ma le divisioni restano, e riguardano anche varie questioni pratiche ed etiche, suscitando confusione e diffidenza, indebolendo la nostra capacità di trasmettere la Parola salvifica di Cristo. In questo senso, dobbiamo ricordare le parole del beato Giovanni Paolo II, che nella sua Enciclica Ut unum sint parla del danno causato alla testimonianza cristiana e all’annuncio del Vangelo dalla mancanza di unità (cfr nn. 98, 99). E’ una grande sfida questa per la nuova evangelizzazione, che può essere più fruttuosa se tutti i cristiani annunciano insieme la verità del Vangelo di Gesù Cristo e danno una risposta comune alla sete spirituale dei nostri tempi.
Il cammino della Chiesa, come quello dei popoli, è nelle mani del Cristo risorto, vittorioso sulla morte e sull’ingiustizia che Egli ha portato e ha sofferto a nome di tutti. Egli ci fa partecipi della sua vittoria. Solo Lui è capace di trasformarci e renderci, da deboli e titubanti, forti e coraggiosi nell’operare il bene. Solo Lui può salvarci dalle conseguenze negative delle nostre divisioni. Cari fratelli e sorelle, invito tutti ad unirsi in preghiera in modo più intenso durante questa Settimana per l’Unità, perché cresca la testimonianza comune, la solidarietà e la collaborazione tra i cristiani, aspettando il giorno glorioso in cui potremo professare insieme la fede trasmessa dagli Apostoli e celebrare insieme i Sacramenti della nostra trasformazione in Cristo. Grazie.

sábado, janeiro 14, 2012

II - Domingo do T. Comum

“Jesus, fixando nele o olhar...”
(Jo. 1, 42)


Caríssimos irmãos


Começamos hoje refletindo sobre a “vocação”, que é bom lembrarmos que não é nossa, é o Senhor quem nos chama. É Ele mesmo que revela ao profeta Jeremias está verdade, “Antes que te formastes no ventre materno, Eu te conheci; antes que saísses do seio de sua mãe, te consagrei. Eu te constituí profeta as nações” (Jr. 1, 5-6). A vocação não é algo que, em um determinado momento, se cria ou se idealiza. É o próprio Senhor que nos chama “Vem e segue-me!” (Mt. 19, 21). Deus nos chama para sermos seus colaboradores no anuncio da boa nova, nossa missão como discípulos é fazer chegar a todos a boa nova do Reino de Deus, que é inaugurado com Cristo. Outra coisa importante e que precisamos destacar é que, o chamado é sempre fruto de uma experiência com Deus e da oração. É isso que acontece com Samuel, ele tem uma experiência, Deus lhe chama para ser seu mensageiro, “Veio o Senhor pôs-se junto dele e chamou-o como das outras vezes: Samuel! Samuel! Falai, respondeu o menino; vosso servo escuta!” (Sm. 3, 10). Samuel é escolhido para ser porta voz do Senhor, deve anunciar sua palavra ao seu povo.

Precisamos estar sempre atentos ao chamado que nos faz o Senhor. É preciso estar sempre acordado para ouvir a voz do Senhor que nos chama. Ele muitas vezes fala a nós através do nosso coração. Para ouvir sua voz é preciso fechar os nossos ouvidos para o mundo e abrir os ouvidos do coração, pois é aí que o ouviremos falar. A nossa resposta ao Senhor deve ser como a de Samuel, ‘Fala Senhor que teu servo escuta!’. Responder ao Senhor é aceitar seu chamado e assumir a missão que Ele nos confia. Precisamos a exemplo do salmista dizer, “eis que venho Senhor com prazer fazer a tua vontade” (Cf. Sl 39). Ser escolhido por Deus para anunciar a boa nova aos povos é motivo de muita alegria para nossa alma. A missão mais importante daquele que é chamado, é guardar no seu coração a lei do senhor Deus e coloca-la em pratica no dia-a-dia.

São Paulo, na segunda leitura de hoje, nos vem recordar que não somos do mundo, mas de Deus. Somos de Deus! Nosso corpo é morada do Espírito, “Não sabeis que vossos corpos são membros de Cristo?” (1Cor. 6, 15). Fazemos parte do corpo místico de Cristo, cada um de nós é um membro do corpo, “Ou não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós, o qual recebestes de Deus e que, por isso mesmo, já não vos pertenceis?” (1Cor. 6, 19). A nossa vocação maior é a santidade, é Permanecer na vida de graça que recebemos do Senhor. Por meio do batismo nos tornamos filho de Deus e nosso corpo passa a ser templo do Espírito Santo. O pecado nos distancia do caminho da santidade e nos afasta de Deus. Devemos a cada dia lutarmos para não manchar nosso corpo e nossa alma, “Porque fomos comprados por um grande preço(1Cor. 6, 20), o sangue de Cristo.

No Evangelho de hoje, São João nos fala do chamado dos primeiros discípulos de Jesus. Ele fala que os dois primeiros discípulos estavam ouvindo a pregação de João Batista. João Batista é um mediador no chamado destes dois jovens, mas aponta a Cristo, mostrando que é a Ele que se deve seguir, “E, avistando Jesus que ia passando, disse: Eis o Cordeiro de Deus” (Jo. 1, 36). É preciso ter esta consciência que tinha João, que nós somos apenas instrumentos de Deus, somos setas que aponta a Cristo, verdadeiro caminho. Jesus responde aqueles jovens discípulos que lhe pergunta onde Ele morava, “Vinde e vede” (Jo. 1, 39). A resposta ao chamado de Jesus existe uma doação, uma caminhada. Ser discípulo é seguir os passos do Mestre, é transmitir ao mundo com sua própria vida aquilo que lhe foi transmitido por seu Mestre.

Nos versículos seguintes São João descreve o chamado de Pedro. Desta vez é André que vai dizer ao seu irmão que encontrou o Mestre e o levar até Jesus, “Foi ele então logo à procura de seu irmão e disse-lhe: Achamos o Messias ou Cristo)” (Jo. 1, 41). É belo este gesto que faz Santo André, de fato, quando encontramos Cristo o nosso coração se enche de alegria e paz, é impossível não querer dividir está alegria com aqueles que estão próximos de nós. É isso que faz André, vai até seu irmão, por que quer que ele também conheça Jesus “Levou-o a Jesus”. São João conta que, Jesus, fixando nele o olhar, disse: Tu és Simão, filho de João; serás chamado Cefas (que quer dizer pedra) (Jo. 1, 42). Jesus fixou os olhos naquele humilde pescador, olha no fundo do seu coração e lhe dá ali a missão de ser alicerce, pedra que sustentaria sua Igreja. É o paradoxo do amor, escolhe um pobre pescador para ser aquele que estaria à frente do grupo dos Apóstolos. Elege-o não por que é o maior, mais sábio, mais preparado ou mais fiel. Jesus o escolhe porque ama e confia, sabe que no fim Pedro será fiel a sua missão.

Muitas vezes somos semelhantes a Pedro, queremos seguir o Mestre, mas o negamos ao mundo. Dizemos ser fortes, mas na primeira prova que surge desfalecemos e caímos. Caríssimos! O Senhor nos chamou, nos escolheu, está conosco. É preciso ter está confiança e levantarmos sempre após as quedas e assim como São Pedro dizer com humildade, “tu sabes tudo, tu sabes que te amo...”, tu sabes senhor o quanto que quero fazer o bem e te seguir, mas sabes que muitas vezes não faço. Jesus hoje continua a fixar seu olhar para cada um de nós e confirmar a nossa missão. É preciso responder ao Senhor todos os dias da nossa vida, com atos concretos dizer, sim Senhor eu quero te seguir. Que Maria Santíssima possa nos ensinar a dizer sim a Deus e a fazer sempre aquilo que é agradável aos seus olhos. Maria, Mãe da Divina Graça, rogai por nós. Amém.


Roma, 15 de Janeiro, 2° Domingo do Tempo Comum, do ano do Senhor de 2012.



Seminarista Acival Vidal de Oliveira
Diocese da Estância – SE/Brasil


sábado, janeiro 07, 2012

Solenidade da Epifania do Senhor



“Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer?”
(Mt. 2, 2)


Amados irmãos



Neste domingo a Liturgia da Palavra nos convida a caminhar com os olhos fixos na luz que é Cristo. É Ele, a nossa estrela guia que nos ilumina no caminho que nos leva a Deus As nações se encaminharão à tua luz, e os reis, ao brilho de tua aurora” (Is. 60, 3). O profeta Isaias, na primeira leitura de hoje, apresenta a glória do Senhor como uma luz radiosa, que se levanta sobre os homens “eis a tua luz! A glória do Senhor se levanta sobre ti” (Is.60, 1). O Senhor é a luz sem ocaso que ilumina toda treva “Vêm, a noite cobre a terra e a escuridão, os povos, mas sobre ti levanta-se o Senhor, e sua glória te ilumina” (Is. 60, 2). Quem tem Deus como guia não teme a escuridão, pois sua luz dissipa toda treva e a noite torna-se como o dia. Na caminhada da vida, encontramos muitas pessoas que deixaram de olhar e seguir a luz de Cristo e por isto se perderam, tomaram caminhos tortuosos e cheios de espinhos. Como Cristãos temos o dever de trazer estes nossos irmãos de volta a luz da “Grande Estrela” que é Jesus, para que eles possam encontrar a via segura que trará a felicidade.

Na segunda leitura, Paulo fala a comunidade aos Efésios da grande novidade que nenhuma geração jamais ouviu, “A saber: que os gentios são co-herdeiros conosco (que somos judeus), são membros do mesmo corpo e participantes da promessa em Jesus Cristo pelo Evangelho” (Ef. 3, 6). A salvação é universal, não está limitada ao espaço físico ou a cultura de um povo. Cristo veio ao mundo para salvar todo aquele que nele crer, independentemente de raça ou nacionalidade. O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo o Espirito Santo. É o Espirito Santo quem revela “aos seus santos apóstolos e profetas (Ef. 3, 5) a boa nova da Salvação, nos afirma São Paulo. Deus ama todo aquele que faz sua vontade, é fazendo a vontade do Senhor e seguindo os ensinamentos e o exemplo de vida do seu amado Filho que nos tornamos no Filho herdeiro da promessa.

Por fim chegamos ao Evangelho, São Mateus narra a visita que faz os reis magos ao menino Jesus. A pergunta que faz estes reis a rei Herodes, quando chegam ao seu palácio, o deixa intrigado, “Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no oriente e viemos adorá-lo” (Mt. 2, 2). O rei Herodes não poderia aceitar aquela noticia que acabara de receber dos magos. Um rei? Que merece adoração? Quando fechamos nosso coração para o amor, nos tornamos seco deixamo-nos ser tomados pelo sentimento de inveja e ódio. Foi isso que aconteceu com Herodes naquele momento, não parava de pensar em si próprio. Não podia aceitar que um menino que acabara de nascer seria o rei tão esperado pelo povo da sua época, por isso “ficou perturbado e toda Jerusalém com ele” (Mt. 2, 3). Nem o rei Herodes, nem mesmo os sacerdotes do seu tempo, entendia que o Messias seria o Salvador como compreendemos hoje, para eles Jesus seria apenas um rei, um politico que reinaria sobre o povo de Israel e o libertaria da escravidão e do poder de Roma.

Deixemos Herodes e seus sacerdotes e sigamos a luz da estrela que brilhava naquela noite. Mateus nos fala que, “Tendo eles ouvido as palavras do rei, partiram. E eis que e estrela, que tinham visto no oriente, os foi precedendo até chegar sobre o lugar onde estava o menino e ali parou” (Mt. 2, 9). O Senhor por meio de uma estrela guia os reis ao lugar onde se encontra seu Filho. A visita dos reis magos indica que a salvação que traz Jesus ao mundo não é só para os judeus. O evangelista acrescenta que a aparição daquela estrela, outra vez ao sair do palácio de Herodes, os encheu de profunda alegria (Cf. Mt. 2, 10). A alegria que é provada pelos magos ao verem a estrela no céu, é a mesma que sentimos hoje quando nos encontramos por meio da oração e dos sacramentos com verdadeira Luz (Jesus Cristo). Em nossa vida também somos iluminados, não pela luz de uma estrela, mas a luz do próprio Cristo. Como nos dizia São Paulo, somos assim como os judeus, co-herdeiros, membros do mesmo corpo e participantes da promessa em Jesus Cristo. A salvação trazida por Cristo é para todo aquele que está atento aos sinais que o Pai nos dá apontando a Jesus, é Ele a verdadeira luz que brilha nos corações daqueles que vos busca.

Os reis magos, entrando no local indicado pela estrela, “acharam o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se diante dele, o adoraram. Depois, abrindo seus tesouros, ofereceram-lhe como presentes: ouro, incenso e mirra” (Mt. 2, 11). É belo imaginar este encontro, reis ricos e de terras distantes que vêm ao encontro de um menino, se prostram aos pés da manjedoura e adora o Menino Deus. Na nossa vida, no nosso cotidiano, precisamos fazer o mesmo, descer do pedestal onde nos encontramos, nos despojar de todas falta de humildade, egoísmo, orgulho e prostramos diante do Senhor Jesus, que nos espera cheio de amor como naquela noite em Belém. Diante dele, devemos oferecer todos os nossos tesouros, tudo que temos e somos. Necessitamos apresentar diante do Senhor tudo aquilo que trazemos de mais valioso no nosso coração.

Durante esta semana façamos o propósito de visitar a Jesus na Eucaristia, de prostra-nos diante Dele e oferecer toda a nossa vida, nosso ser. Não nos esqueçamos de olhar para Maria, ela que estava ali, ao lado do Menino Deus naquela noite em que os reis magos o encontraram. Ela que continua hoje ao lado do mesmo Cristo Jesus nos Céus e lá do alto observa todos nós seus filhos. Peçamos a ela que nos mostre sempre a face do seu amado Filho. Maria Mãe dos pecadores, rogai por nós. Amém.



Roma, 08 de Janeiro, Solenidade da Epifania do Senhor, do ano do Senhor de 2012.




Seminarista Acival Vidal de Oliveira
Diocese da Estância – SE/Brasil

sexta-feira, janeiro 06, 2012

HOMILIA DO PAPA BENTO XVI
Basílica Vaticana
Sexta-feira, 6 de Janeiro de 2012


Queridos irmãos e irmãs,


A Epifania é uma festa da luz. «Ergue-te, Jerusalém, e sê iluminada, que a tua luz desponta e a glória do Senhor está sobre ti» (Is 60, 1). Com estas palavras do profeta Isaías, a Igreja descreve o conteúdo da festa. Sim, veio ao mundo Aquele que é a Luz verdadeira, Aquele que faz com que os homens sejam luz. Dá-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus (cf. Jo 1, 9.12). Para a liturgia, o caminho dos Magos do Oriente é só o início de uma grande procissão que continua ao longo da história inteira. Com estes homens, tem início a peregrinação da humanidade rumo a Jesus Cristo: rumo àquele Deus que nasceu num estábulo, que morreu na cruz e, Ressuscitado, permanece connosco todos os dias até ao fim do mundo (cf. Mt 28, 20). A Igreja lê a narração do Evangelho de Mateus juntamente com a visão do profeta Isaías, que escutámos na primeira leitura: o caminho destes homens é só o início. Antes, tinham vindo os pastores – almas simples que habitavam mais perto de Deus feito menino, podendo mais facilmente «ir até lá» (cf. Lc 2, 15) ter com Ele e reconhecê-Lo como Senhor. Mas agora vêm também os sábios deste mundo. Vêm grandes e pequenos, reis e servos, homens de todas as culturas e de todos os povos. Os homens do Oriente são os primeiros, seguidos de muitos outros ao longo dos séculos. Depois da grande visão de Isaías, a leitura tirada da Carta aos Efésios exprime, de modo sóbrio e simples, a mesma ideia: os gentios partilham da mesma herança (cf. 3, 6). Eis como o formulara o Salmo 2: «Eu te darei as nações por herança, e os confins da terra para teu domínio» (v. 8).

Os Magos do Oriente vão à frente. Inauguram o caminho dos povos para Cristo. Durante esta Missa, vou conferir a Ordenação Episcopal a dois sacerdotes, consagrá-los-ei Pastores do povo de Deus. Segundo palavras de Jesus, caminhar à frente do rebanho faz parte da função do Pastor (cf. Jo 10, 4). Por isso naqueles personagens, que foram os primeiros pagãos a encontrar o caminho para Cristo, talvez possamos – não obstante todas as diferenças nas respectivas vocações e tarefas – procurar indicações para a missão dos Bispos. Que tipo de homens eram os Magos? Os peritos dizem-nos que pertenciam à grande tradição astronómica que se fora desenvolvendo na Mesopotâmia no decorrer dos séculos, e era então florescente. Mas esta informação, por si só, não é suficiente. Provavelmente haveria muitos astrónomos na antiga Babilónia, mas poucos, apenas estes Magos, se puseram a caminho e seguiram a estrela que tinham reconhecido como sendo a estrela da promessa, ou seja, a que indicava o caminho para o verdadeiro Rei e Salvador. Podemos dizer que eram homens de ciência, mas não apenas no sentido de quererem saber muitas coisas; eles queriam algo mais. Queriam entender o que é que conta no facto de sermos homens. Provavelmente ouviram falar da profecia de Balaão, um profeta pagão: «Uma estrela sai de Jacob, e um cetro se levanta de Israel» (Nm 24, 17). Eles aprofundaram esta promessa. Eram pessoas de coração inquieto, que não se satisfaziam com aparências ou com a rotina da vida. Eram homens à procura da promessa, à procura de Deus. Eram homens vigilantes, capazes de discernir os sinais de Deus, a sua linguagem subtil e insistente. Mas eram também homens corajosos e, ao mesmo tempo, humildes: podemos imaginar as zombarias que tiveram de suportar quando se puseram a caminho para ir ter com o Rei dos Judeus, enfrentando canseiras sem número. Mas, não consideravam decisivo o que se pensava ou dizia deles, mesmo pelas pessoas influentes e inteligentes. Para eles o que contava era a própria verdade, não a opinião dos homens. Por isso, enfrentaram as privações e o cansaço dum caminho longo e incerto. Foi a sua coragem humilde que lhes permitiu prostrar-se diante dum menino filho de gente pobre e reconhecer n’Ele o Rei prometido, cuja busca e reconhecimento fora o objectivo do seu caminho exterior e interior.

Queridos amigos, em tudo isto é possível ver alguns traços essenciais do ministério episcopal. Também o Bispo deve ser um homem de coração inquieto, que não se satisfaz com as coisas rotineiras deste mundo, mas segue a inquietação do coração que o impele interiormente a aproximar-se sempre mais de Deus, a procurar o seu Rosto, a conhecê-Lo cada vez melhor, para poder amá-Lo sempre mais. Também o Bispo deve ser um homem de coração vigilante que percebe a linguagem subtil de Deus e sabe discernir a verdade da aparência. Também o Bispo deve estar repleto da coragem da humildade, que não se interessa do que a opinião dominante diz dele, mas por critério toma a medida da verdade de Deus, comprometendo-se com ela «opportune – importune». Deve ser capaz de ir à frente indicando o caminho. Deve ir à frente seguindo Aquele que a todos nos precedeu, porque é o verdadeiro Pastor, a verdadeira estrela da promessa: Jesus Cristo. E deve ter a humildade de prostrar-se diante daquele Deus que Se tornou tão concreto e tão simples que contradiz o nosso orgulho insensato, que não quer ver Deus assim perto e pequenino. Deve viver a adoração do Filho de Deus feito homem, aquela adoração que lhe indica sem cessar o caminho.

A liturgia da Ordenação Episcopal exprime o essencial deste ministério em oito perguntas dirigidas aos Ordenandos, que começam sempre com a palavra: «Vultis? – Quereis?». As perguntas orientam a vontade e indicam-lhe o caminho a tomar. Gostaria de mencionar aqui, brevemente, algumas das palavras-chave desta orientação, nas quais se concretiza aquilo que há pouco reflectimos a partir dos Magos que aparecem na festa de hoje. A missão dos Bispos é «praedicare Evangelium Christi», «custodire», «dirigere», «pauperibus se misericordes praebere», «indesinenter orare». O anúncio do Evangelho de Jesus Cristo, guardar o depósito sagrado da nossa fé, ir à frente e guiar, a misericórdia e a caridade para com os necessitados e os pobres nas quais se reflecte o amor misericordioso de Deus para connosco e, finalmente, a oração contínua são características fundamentais do ministério episcopal. A oração contínua significa nunca perder o contacto com Deus, deixar-se tocar sempre por Ele no íntimo do nosso coração e deste modo sermos permeados pela sua luz. Só quem conhece a Deus pessoalmente é que pode guiar os outros para Deus. E só quem guia os homens para Deus é que os guia pela estrada da vida.

O coração inquieto, de que falámos inspirando-nos em Santo Agostinho, é o coração que, em última análise, não se satisfaz com nada menos do que Deus e é, precisamente assim, que se torna um coração que ama. O nosso coração vive inquieto por Deus, e não pode ser doutro modo, embora hoje se procure, com «narcóticos» muito eficazes, libertar o homem desta inquietação. Mas não somos só nós, seres humanos, que vivemos inquietos relativamente a Deus. Também o coração de Deus vive inquieto relativamente ao homem. Deus espera-nos. Anda à nossa procura. Também Ele não descansa enquanto não nos tiver encontrado. O coração de Deus vive inquieto, e foi por isso que se pôs a caminho até junto de nós – até Belém, até ao Calvário, de Jerusalém até à Galileia e aos confins do mundo. Deus vive inquieto connosco, anda à procura de pessoas que se deixem contagiar por esta sua inquietação, pela sua paixão por nós; pessoas que vivem a busca que habita no seu coração e, ao mesmo tempo, se deixam tocar no coração pela busca de Deus a nosso respeito. Queridos amigos, foi esta a missão dos Apóstolos: acolher a inquietação de Deus pelo homem e levar o próprio Deus aos homens. E, seguindo os passos dos Apóstolos, esta é a vossa missão: deixai-vos tocar pela inquietação de Deus, a fim de que o anseio de Deus pelo homem possa ser satisfeito.

Os Magos seguiram a estrela. Através da linguagem da criação, encontraram o Deus da história. É certo que a linguagem da criação, por si só, não é suficiente. Apenas a Palavra de Deus, que encontramos na Sagrada Escritura, podia indicar-lhes definitivamente o caminho. Criação e Escritura, razão e fé devem dar-se as mãos para nos conduzirem ao Deus vivo. Muito se discutiu sobre o tipo de estrela que guiou os Magos. Pensa-se numa conjunção de planetas, numa Supernova, ou seja, uma daquelas estrelas inicialmente muito débeis que, na sequência duma explosão interna, irradia por algum tempo um imenso esplendor, num cometa, etc. Deixemos que os cientistas continuem esta discussão. A grande estrela, a verdadeira Supernova que nos guia é o próprio Cristo. Ele é, por assim dizer, a explosão do amor de Deus, que faz brilhar sobre o mundo o grande fulgor do seu coração. E podemos acrescentar: tanto os Magos do Oriente, mencionados no Evangelho de hoje, como os Santos em geral pouco a pouco tornaram-se eles mesmos constelações de Deus, que nos indicam o caminho. Em todas estas pessoas, o contacto com a Palavra de Deus provocou, por assim dizer, uma explosão de luz, através da qual o esplendor de Deus ilumina este nosso mundo e nos indica o caminho. Os Santos são estrelas de Deus, pelas quais nos deixamos guiar para Aquele por quem o nosso ser anseia. Queridos amigos, vós seguistes a estrela que é Jesus Cristo, quando dissestes o vosso «sim» ao sacerdócio e ao ministério episcopal. E certamente brilharam para vós também estrelas menores, que vos ajudaram a não errar o caminho. Na Ladainha dos Santos, invocamos todas estas estrelas de Deus, a fim de que brilhem sempre de novo para vós e vos indiquem o caminho. Com a Ordenação Episcopal, vós mesmos sois chamados a ser estrelas de Deus para os homens, guiando-os pelo caminho que leva à verdadeira Luz: Cristo. Invoquemos, pois, agora todos os Santos, para que possais corresponder sempre a esta vossa missão mostrando aos homens a luz de Deus. Amen.

quinta-feira, janeiro 05, 2012

PAPA BENTO XVI
AUDIÊNCIA GERAL
Sala Paulo VIQuarta-feira, 4 de janeiro de 2012




Queridos irmãos e irmãs,


É com grande alegria que vos recebo nesta primeira Audiência Geral do novo ano. Estamos no tempo litúrgico do Natal. Por isso, gostaria de tratar hoje de alguns temas particulares desta celebração. Primeiramente, do tema da alegria. De fato, a alegria é a primeira reação diante da extraordinária ação de Deus que se faz homem. Esta alegria nasce da admiração de ver que Deus age na história permitindo-nos contemplar o Seu rosto ao olhar para aquele menino humilde. Outro tema característico deste tempo é o chamado “admirável intercâmbio”, ou seja, que o Filho de Deus se fez homem para nos tornar filhos de Deus. Por fim, está o tema da luz. Com efeito, a liturgia natalina está toda permeada de luz: a vinda de Cristo dissipa as trevas do mundo, difundindo no rosto dos homens o esplendor de Deus Pai, convidando-nos a receber esta luz e levá-la aos demais.

* * *

Queridos peregrinos de língua portuguesa, sede bem-vindos! O Natal é um convite a contemplar no Menino Jesus o Mistério de Deus que se faz homem na humildade e pobreza, e, sobretudo, a acolher em nós mesmos este Menino, que é o Cristo Senhor, para fazer com que os seus sentimentos, pensamentos e ações sejam também os nossos. Portanto, sede portadores da alegria, novidade e luz de Deus manifestadas no Natal. De todo o coração, desejo-vos um Ano Novo abençoado!

domingo, janeiro 01, 2012

Maria Mãe de Deus


Maria continua hoje, a vir às pressas ao nosso encontro



Caríssimos irmãos


Iniciamos hoje mais um ano, deixamos para traz junto a 2011, tudo aquilo nos causou tristeza e sofrimento. Aquilo que nos trouxe alegria ou nos aproximo-nos do Senhor precisamos guardar em um lugar especial do nosso coração para nos auxiliar durante a nova caminhada deste novo ano que se inicia. O Senhor nos concede um novo ano, uma nova oportunidade de corrigir os erros cometidos e tocar em frentes com os projeto e propósitos iniciados no ano que passou. Desde a primeira semana do advento a liturgia nos convidava a conversão e reflexão dos nossos atos. Por meio das leituras e do Evangelho o Senhor nos pedia que preparássemos para acolher seu Filho no nosso coração, na nossa vida.
Neste novo ano que se inicia, encontramos o tempo favorável para colocar em pratica todos os bons propósitos. O Senhor nasce mais uma vez em nosso coração, Ele é o Sol nascente que vem nos visitar (Cf. Lc. 1, 79). Esta sempre conosco e não nos deixará mais. É nesta confiança e alegria que celebramos também neste dia a Mãe de Deus, Maria Santíssima. Com a vinda de Cristo, Verdadeiro Homem e Verdadeiro Deus, ganhamos este presente valioso, Maria como nossa Mãe do Céu. Maria acolhe a todos nós que formamos a Igreja de Cristo e participamos do grupo dos discípulos amados de Jesus. Amamos a Cristo Jesus, a ele nos entregamos a ele por inteiro. Maria Santíssima está presente na vida de cada Cristão. Falar de Maria é falar de Jesus, do plano de amor de Deus. É falar da salvação que veio a nós por meio do seu sim.
Como não aceitar no nosso coração, a Mãe do Nosso Salvador? Às vezes não nos sentimos dignos de acolhê-la e como Isabel dizemos, “donde me vem que a mãe do meu Senhor me visite?” (Lc. 1, 43), contudo, Maria continua hoje, a vir às pressas ao nosso encontro, socorrendo-nos e nos auxiliando nas nossas dificuldades. Maria não vem a nós só, traz consigo o seu amado Filho e nosso Senhor. O nosso coração deve alegra-se ao receber a Mãe de Deus que porta consigo o Menino Deus. É preciso nos despertar, preparar a nossa casa, jogar fora tudo aquilo que é efêmero, que só estar a ocupar o espaço, mudar de vida e correr até a porta onde Maria e Jesus está a bater.
Neste domingo, primeiro dia do ano, o Evangelho de São Lucas vem nos relembrar que Deus é fiel a sua palavra, que revela aos mais simples e de coração puro seus projetos, “Foram os pastores com grande pressa e acharam Maria e José, e o menino deitado na manjedoura. Vendo-o, contaram o que se lhes havia dito a respeito deste menino”. O Senhor transforma aqueles humildes pastores nos mais ricos e bem-aventurados homens de toda a Terra. Deus revela a eles sua face, já na primeira leitura de hoje do livro dos Números encontramos a forma da benção que Moisés dava ao povo de Deus, “O Senhor te mostre a sua face e conceda-te sua graça! 26O Senhor volva o seu rosto para ti e te dê a paz!” (Nm. 6, 25). Agora de fato, o Senhor Deus mostra sua face ao seu povo e cobre toda a Terra de paz e de benção com o nascimento de Jesus. A prece que o salmista entoa em seu canto é atendida, “Tenha Deus piedade de nós e nos abençoe, faça resplandecer sobre nós a luz da sua face, para que se conheçam na terra os seus caminhos e em todas as nações a sua salvação” (Sl. 66/67). O menino que nasce em Belém é o caminho e a luz que ilumina todas as nações.
Na segunda leitura, São Paulo escreve aos Gálatas dizendo que “na plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, que nasceu de uma mulher a fim de remir os que estavam sob a lei, para que recebêssemos a sua adoção” (Gl. 4, 4-5). Somos herdeiros dos Céus por mérito de Cristo que vem ao mundo para nos salvar. “A prova de que sois filhos é que Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai! Portanto já não és escravo, mas filho. E, se és filho, então também herdeiro por Deus” (Gl. 4, 6). Em Jesus, e por Ele, somos filhos de Deus e herdeiros do Reino. Esta é a grande graça, o grande presente que recebemos do nosso Bom Deus. Ele nos ama e por amor deu seu Filho ao mundo para que, todos que crerem em Jesus e em suas palavras, pudessem ser filhos no Filho.
Voltemos ao Evangelho de hoje, dizíamos que os pastores tornaram-se bem-aventurados, por que, depois de Maria e José, foram os primeiros a contemplar a face do Menino Deus naquela gruta de Belém. Esta passagem do Evangelho, nos indica que o Reino de Deus se estabelece em meios aos pobres, antes, os pobres de espirito, isto é, aos simples e puros de coração. Muitas vezes somos tentados a entender a palavra “pobreza”, citada por diversas vezes no Evangelho, no sentido da pobreza material, mas na verdade a pobreza que torna o homem herdeiro do Reino dos Céus é aquela da alma, do coração. Encontramos pessoas ricas que por amor a Cristo e ao seu Evangelho se faz pobre e doa a sua vida a serviço dos mais fracos. Do mesmo modo que encontramos pessoas pobres materialmente que tem o coração duro e se torna rica de si mesmo, não sendo capaz de acolher o amor e praticar a caridade. A verdade é que o Senhor olha o coração do homem, não para a sua condição social. Olha para dentro da pessoa e se revela para que ela lhe conheça e conhecendo o ame.
A Igreja de Jesus, por meio da Liturgia, nos recorda que Cristo, o Filho de Deus, se faz homem vem ao nosso encontro, se faz pequeno, não tem preferencia de cor, raça, ou condição social. Ele vem a nós, repousa na manjedoura da nossa vida e se faz presente. A estrela que brilhava sobre a gruta, indicando que aí estava o Messias menino, agora brilha sobre aquele que aceita Cristo em seu coração, lembrando que aí, naquela pessoa está presente Jesus. Caríssimos! Como não amar Jesus? Como não agradecer a Deus por todas as maravilhas que Ele opera na nossa vida? Como não buscá-lo? Como podemos ignorar sua presença em nossas vidas? Hoje Jesus continua a se fazer pequeno no Pão e no Vinho, na Eucaristia, Cristo se faz alimento para nos fortalecer na caminhada. Ele não nos abandona está sempre presente em nós.
Neste novo ano de 2012, que possamos todos os dias, receber em nossas casas e em nossos corações a Santa Mãe de Deus e nossa que nos traz Jesus. Que possamos sentir a presença de Jesus e Maria no nosso dia-a-dia. Peçamos ao Senhor que nos coloque ao colo de Maria, para aí olharmos a Jesus e segui-lo. Quando chegar às dificuldades e sofrimentos, que possamos abraçar forte a nossa Mãe do Céu e protegidos por ela possamos seguir o nosso caminho sempre confiantes nas palavras do seu Filho, “no mundo havereis de ter muitas tribulações, mas coragem! Eu venci o mundo” (Jo 16, 33). Maria Porta do Céu, rogai por nós. Amém.

Roma, 01 de Janeiro, Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, do ano do Senhor, de 2012.  


Seminarista Acival Vidal de Oliveira
Diocese da Estância – SE/Brasil