domingo, janeiro 29, 2012

IV - Domingo do T. Comum


Não fecheis o coração, ouvi hoje a voz de Senhor!
(Sl. 94)


Amados irmãos

Encontramo-nos no auge de tantos avanços tecnológicos e de grandes descobertas. Com estas inovações vem a necessidade de nos adaptar ao novo. Corremos, nos especializamos e sem perceber também nos transformamos. Nos deparamos fazendo as coisas como se fossemos só mais um “objeto” da grande inovação, uma maquina que produz para garantir a sua própria sobrevivência. Juntos aos anos que passam vão os valores essenciais que nos deferência das outras “coisas”, tais como, o amor sincero, a família, a dignidade, etc. Temos hoje uma família onde filhos e pais mau se conhecem por falta de tempo (que na maioria das vezes é dedicado ao trabalho), ou por que jantar em família, conversar é coisa do passado e nós estamos em uma nova era. Nas famílias o tempo que devia ser usado em conversa e uma convivência é ocupado pelos meios de comunicação (novelas e programas de TV) ou pela internet. Assim passam os anos e pais e filhos não se conhecem, não conversam como deveriam. Quando algo dá errado, buscam ajuda na psicologia, nas terapias de grupos e outros.
A humanidade pouco a pouco se transforma em um aglomerado de “objetos humanos” que faz com que tudo funcionem. O homem perde sua humanidade e identidade. É desta forma que acontece com muitas pessoas da nossa sociedade. Pessoas que tornam-se vazias de si mesmo e de Deus. O homem moderno encontra solução para quase tudo, faltando apenas uma coisa, preencher o vazio do seu ser. Ele não pode preencher este vazio, porque só Deus pode fazer isto. Mas nem sempre o homem encontra tempo para pensar em Deus, as vezes só o busca por meio do sofrimento, ou quando se ver incapaz de fazer alguma coisa. Para muitos Deus é apenas lembrado como um criador, mas não diz nada além disso. Como não se pode ver ou tocá-lo é simplesmente esquecido.
Na primeira leitura que meditamos neste domingo, vemos Moises que intercede a Deus pelo povo de Israel. Aquele povo, que enumeras vezes é apresentado como cabeça dura, não quer perder o contado a intimidade com o seu Deus. Eles querem continuar a ouvi-lo e lhe pede um profeta, pois tem medo de ouvir diretamente a Deus e morrer, “Oh! Não ouça eu mais a voz do Senhor, meu Deus, nem torne a ver mais esse fogo ardente, para que eu não morra!” (Dt. 18, 16). Encontramos nesta leitura a figura de Deus Pai, que ouve o pedido dos seus filhos, que respeita os seus medos e lhes concede um profeta para que fale em seu nome, “eu lhes suscitarei um profeta como tu dentre seus irmãos: pôr-lhe-ei minhas palavras na boca, e ele lhes fará conhecer as minhas ordens” (Dt. 18, 18). O desejo que Israel tinha de ouvir as Palavras do Senhor, faz com que Deus se faça presente e fale por meio do seu profeta. Aquele povo que muitas vezes era infiel, tinha algo muito bonito e que devemos imitá-lo, reconhecia suas falhas e voltava-se para Deus arrependidos e o Senhor em seu imenso amor lhe perdoava.
A nossa sociedade, precisa despertar no coração este desejo, o desejo de buscar o Senhor e ouvi-lo. As palavras do salmista ecoa no nosso coração, “Não fecheis o coração, ouvi hoje a voz de Deus!” (Sl. 94). Esta é a vontade do Senhor, que abramos o nosso coração a tua palavra. Que deixemos um lugar especial em nossa vida para Ele. É ouvindo sua voz do Senhor que seremos preparados para os grandes desafios que encontraremos em nossa caminhada. É o Senhor que diz hoje por meio do salmista, meu povo! escuta-me, abris os vossos corações e abraçais meus ensinamentos. A voz de Deus deve falar mais alto que as inovações. Devemos aproveitar a tecnologia que é fruto da sabedoria, que por sua vez é dom de Deus, mas aproveitar com prudência e com consciência de que não somos escravos dela. Somos filhos amados de Deus e só a ele deve se voltar o nosso coração.
Falávamos no inicio da crise que passamos hoje em nossas famílias. Encontramos na segunda leitura alguns conselhos que nos dar São Paulo ao escrever para a comunidade de Coríntios. “Quisera ver-vos livres de toda preocupação. O solteiro cuida das coisas que são do Senhor e procura agradar o Senhor. O casado preocupa-se com as coisas do mundo, procurando agradar à sua esposa” (1Cor. 7, 32-33). Com estas simples palavras Paulo nos ensina que devemos viver com uma única preocupação, a de ser fiel ao nosso estado de vida. A pessoa que é casado, deve viver inteiramente voltado para sua família, para sua esposa e filhos. Deve ser um pai de família ou uma mãe de família de verdade, não pode substituir sua presença por um computador ou uma televisão. Deve amar e estar perto do seus filhos, assim como Deus amava, falava e estava perto do seu povo amado, como vimos na primeira leitura. “Digo isto para vosso proveito, não para vos estender um laço, mas para vos ensinar o que melhor convém, o que vos poderá unir ao Senhor sem partilha” (1Cor. 7, 35).
No Evangelho, encontramos Jesus que vai a sinagoga para rezar e ensinar ao povo ali presente “Naquele tempo, Dirigiram-se para Cafarnaum. E já no dia de sábado, Jesus entrou na sinagoga e pôs-se a ensinar” (Mc. 1, 21). Mas uma vez vemos a figura do pai que ensina o bom caminho aos filhos. Jesus é a prova do amor de Deus Pai por nós. Vem ao mundo para nos salvar e ensinar-nos o caminho que nos leva ao Céu. No versículo seguintes, São Marcos fala que os judeus que estavam ali presentes na sinagoga, “Maravilhavam-se da sua doutrina, porque os ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas(Mc. 1, 22). De fato eles ainda não tinham compreendido que Cristo era o Filho de Deus feito homem, que a sua autoridade era distinta dos doutores da lei porque Ele é Deus. É por este motivo que ensina com autoridade e expulsa os demônios, “Ora, na sinagoga deles achava-se um homem possesso de um espírito imundo, que gritou: "Que tens tu conosco, Jesus de Nazaré? Vieste perder-nos? Sei quem és: o Santo de Deus! Mas Jesus intimou-o, dizendo: "Cala-te, sai deste homem! "O espírito imundo agitou-o violentamente e, dando um grande grito, saiu (Mc. 1, 23-26).  
Muitas vezes hoje, não somos capazes de reconhecer Jesus, vemo-lo mas não acreditamos, ouvimos a sua voz mas não o seguimos. Não basta apenas ver e ouvir, os judeus viram-no, ouviram e puderam contemplá-lo expulsando o demônio daquele homem, no entanto, não aceitaram Jesus como o Senhor, por que tinha seus corações fechados. É preciso abrir a porta do nosso coração para poder reconhecer Jesus como o verdadeiro Filho de Deus. Mas não basta só conhecer, isso até o demônio faz, “Sei quem és: o Santo de Deus!”. É preciso amá-lo, segui-lo, confiar a ale toda a vida. O encontro com a Palavra exige de nós uma mudança de vida. Ser de Deus, buscar as coisas do alto e não se prender aquilo que é material, são características daquele que se deixar moldar pela Palavra do Senhor. Maria é exemplo de uma entrega confiante e total a Deus. Ela deixou que a Palavra do Senhor lhe modelasse, transformasse sua vida e deste modo tornou-se a Bem-aventurada. Maria confiou e o Senhor cumpriu sua promessa, no seu seio a Palavra se fez carne. Caríssimos, peçamos a Maria que venha nos ensinar a abrir nossos corações para acolher a palavra do Senhor. Imaculado Coração de Maria, rogai por nós. Amém.


Roma, 29 de Janeiro, 4° Domingo do Tempo Comum, do ano do Senhor de 2012.



Seminarista Acival Vidal de Oliveira
Diocese da Estância – SE/Brasil


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