quinta-feira, abril 05, 2012

Ceia do Senhor - Instituição da Eucaristia



tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim

(Jo. 13, 1)




Amados irmãos,



A Igreja nos convida hoje a mergulhar no mais profundo mistério do amor do Senhor. Iniciamos hoje o Tríduo Pascal, isto é, os três dias nos quais meditaremos a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus. Começamos hoje com a Ceia do Senhor. Diz São João que, “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo. 3, 16). Não poderíamos entender a Santíssima Eucaristia instituída por Cristo na quinta-feira Santa, sem compreender o grande mistério de amor de Deus por nós. De fato, o mesmo João na sua carta define Deus como “o Amor” (Cf. Jo. 4,8). É este amor que faz Cristo Jesus morrer por todos nós sobre o madeiro da Cruz e se tornar nosso alimento (Pão e Vinho).

Encontramos na primeira leitura, a narração da passagem do Anjo do Senhor que fere os primogênitos no Egito. O Senhor fala a Moises como o povo deve escolher e preparar o cordeiro, Como que deve marcar as portas com sangue do animal imolado para não ser atingido pelo flagelo (Cf. Ex. 12, 1-8. 11-14). O sangue era o sinal, as casas que estivessem marcadas; O Anjo vendo o sangue, não entraria (Cf. Ex. 12, 13). Encontramos nesta passagem uma prefiguração daquilo que aconteceria na sexta-feira da paixão. Cristo é o Cordeiro de Deus, o escolhido sem defeito, isto é, sem pecado, para ser sacrificado por nós. É por seu sangue que somos salvos, por suas chagas que somos curados. Assim todo aquele que tem a marca do sangue de cristo no coração não perecerá, não será atingido pelo flagelo da morte eterna.

O salmo de hoje expressa a nossa alegria e gratidão. De fato, “como podemos retribuir ao Senhor todo o bem que nos fez?” (Sl. 115, 12). É por meio do seu cálice (de sua paixão) que somos libertos das algemas do pecado e da morte. É por meio do sacrifício, definido por Paulo na segunda leitura, que somos purificados “na noite em que foi traído, tomou pão; e, havendo dado graças, o partiu... do mesmo modo após a ceia, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é a nova aliança em meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, fazei-o em memória de mim” (1Cor. 11, 23-26). O sacrifício de Cristo Jesus é a aliança eterna do amor de Deus por nós. Assim, todas as vezes que participamos da Santa Missa relembramos e revivemos aquela noite em que o Senhor ceia com seus Apóstolos e se entrega como Alimento de vida eterna.
São João começa a narração da santa ceia nos falando da fidelidade do amor do Senhor por teus discípulos “tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo. 13, 1). É por amor que Deus envia o seu Filho ao mundo e por amor ao Pai e a nós que Jesus Cristo dá a sua vida. Santo Afonso Maria de Ligório ao comentar este versículo nos fala: Nosso amantíssimo Redentor, na última noite de sua vida, sabendo que já era chegado o tempo suspirado de morrer por amor dos homens, não teve ânimo de nos deixar sós neste vale de lágrimas. E para não se separar de nós nem mesmo depois de sua morte, quis deixar-se todo em alimento no Sacramento do altar. A instituição da Eucaristia é uma herança de amor. É desejo de Cristo ficar conosco para sempre. O ultimo desejo do Senhor é ser o nosso alimento, nos fortalecer diante das tentações e nos guiar rumo ao Céu.
Encontramos no versículo quatro ao dezessete o relato do lava pé. “levantou-se da ceia, tirou o manto e, tomando uma toalha, cingiu-se. Depois deitou água na bacia e começou a lavar os pés dos discípulos, e a enxugar-lhos com a toalha com que estava cingido” (Jo. 13, 4-5). Com este gesto simples, Jesus nos mostrar que é por meio da humildade e do serviço aos irmãos que nos tornamos grandes aos olhos de Deus. Que não deve existir diferença, “entre vós não deverá ser assim” (Mt. 20, 26), não deve existir maior ou menor, chefes e escravos, devem haver uma fraternidade onde reina o amor e o serviço ao próximo. Quem quiser ser o maior (o senhor) seja como aquele que serve (Cf. Mt. 23, 11), “Em verdade, em verdade vos digo: Não é o servo maior do que o seu senhor, nem o enviado maior do que aquele que o enviou” (Jo. 13, 16). Cristo nos quer mostrar que o primado é o amor, a caridade que nos torna grande e mais próximos do Pai.
Cristo nos mostra que a verdadeira felicidade consiste em amar e servir o nosso próximo, o nosso irmão “se compreenderdes isso e o praticardes, sereis felizes” (Jo. 13,17). Após todos estes ensinamentos Cristo institui a Eucaristia, apresenta o pão e o vinho como seu Corpo e Sangue. É o cálice da nova aliança que faz Deus com os homens. Esta nova aliança é marcada pelo o Sangue do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo como havia dito João Batista, é esta aliança que é confiada a Igreja (os Apóstolos) para guardá-la, “Fazei isso em minha memória” (1Cor. 11, 23-26). É isto que faz o Apóstolo Paulo quando escreve aos coríntios, relembra aquele momento onde Deus se faz alimento (Pão e Vinho) que nos manterá na caminhada terrena, nos preparando e nos guardando para a vida eterna. Caríssimos! Neste tempo em que somos convidados a conversão, busquemos sermos alimentados por Cristo Nosso Senhor, sermos fieis a nossa missão. Que Maria venha ao nosso encontro e nos ajude a encontrar seu Filho, Verdadeiro Alimento da alma. Nossa Senhora das Dores, rogai por nós. Amém.



Roma, 05 de abril, Quinta-Feira Santa – Ceia do Senhor, do ano do Senhor de 2012




Seminarista Acival Vidal de Oliveira
Diocese de Estancia – Brasil


Nenhum comentário:

Postar um comentário