A DIGNIDADE DA PESSOA
HUMANA
1. - O que é dignidade?
Para
falarmos de dignidade é preciso que antes tenhamos claro em nossa mente o que
significa a palavra dignidade. Podemos qualificá-la como a “qualidade moral que
infunde respeito; consciência do próprio valor” [1],
quando dizemos que alguém é digno de receber algo, está indicando que a pessoa
é merecedora de tal coisa. Dignidade é aquilo que é próprio à pessoa, que faz
parte da sua natureza. A interioridade é a nota específica do homem e o que o
torna superior com relação aos animais: ela faz que o homem seja “homem”. Os homens
têm como atributo essencial a
interioridade, e isto os distinguem dos outros animais lhes dando uma
dignidade que lhe própria.
1.1
– A dignidade na atualidade
Hoje,
encontramos um grande problema, para o homem atual tudo é relativo, não a nada
que tenha uma verdade absoluta. Graças ao “relativismo” [2], o
“niilismo” [3]
e outras correntes filosóficas, o conceito de verdade está ainda mais difícil
de ser definido, uma vez que, cada uma dessas correntes “filosóficas” tem uma
visão do que pode vir a ser a verdade. Nossa sociedade busca a cada dia pelo
sucesso, Sucesso nas ciências, na tecnologia, na arquitetura; esquecendo,
assim, dos valores absolutos e inteligíveis, vivendo somente em vista dos
valores materiais, presa no plano da imanência, esquecendo totalmente de sua
dignidade e igualando-se aos animais que agem por extinto de sobrevivência. Deixa
de viver com profundidade e consciência aquilo que o torna verdadeiramente ser
humano, isto é, não mais valoriza aquilo que é, passando a valorizar somente o aquilo
que é capaz de produzir.
Para
o homem moderno não existe verdade absoluta, nem valores absolutos em meio à
sociedade. A verdade, bem como os outros valores, devem se adequar a diversos
tipos de situações e de linhas de pensamentos. O que é verdadeiro para uns,
pode ser falso para outros. Tudo é relativo, tudo pode ser construído de acordo
com a necessidade do momento. Não existe uma distinção do que são os valores
universais e particulares, só o que existe é a preocupação nas vantagens ou
prejuízos para o desenvolvimento da sociedade. É a busca desenfreada pelo o
poder e a riqueza. Assim, é difícil falar de dignidade, de respeito à pessoa, na
nossa sociedade estes valores tornaram-se um tema que não mais interessa,
porque o homem do “novo tempo” pouco a pouco se tornou materialista e
consumista ao extremo.
1.2 – O que é pessoa?
O
homem não é somente mais uma criatura, uma peça do “grande quebra cabeça” que
chamamos de mundo. Ele é uma pessoa, ou seja, um ser corpóreo e espiritual. Tem
a capacidade de raciocinar, tem vontade, pode controlar seus impulsos. É o
único ser que pode mergulhar no seu próprio interior e refletir sobre seus atos
“Com isto manifesta-se a falta de interioridade do animal, que está sempre fora
de si, dependente do mundo externo. Nós, ficamos cansados só de ver a cena dos
chimpanzés; o qual indica que nos resultaria impossível manter uma atenção ao
exterior tão aplicada e intensa como a do animal. A atitude do homem é
diferente. Embora também ele vive no mundo e está rodeado pelas coisas, sua
atenção não está tão ocupada que não lhe permita um momento de sossego para
estar consigo mesmo. O homem pode separar-se das coisas e entrar dentro de si
mesmo”[4]. É
um ser subsistente o mais perfeito na natureza. A pessoa, portanto, não
se perde entre outros seres, nem se confunde com eles. Padre Ramón Lucas Lucas
em seu livro O Homem Encarnado diz “É o ser mais separado, mas incomunicável
por razão de sua mais perfeita subsistência, ao mesmo tempo em que é o mais
aberto e mais profundamente engrenado com todos os seres graças a sua
racionalidade”.[5]
A
dignidade do homem não deve ser medida por título, cargo, posição social, raça,
etnias ou riqueza. O homem é digno por ser homem; por ser um ser
racional-espiritual; por ser criado a imagem e semelhança do seu Criador e por
isso é um ser naturalmente aberto ao absoluto. É por tudo isso que o homem tem
dignidade, e esta deve ser respeitada. A dignidade do homem (pessoa humana) não
pode ser medida por aquilo que tem ou faz e sim por aquilo que ele é
ontologicamente.
1.3 – Quando ou onde
começa a dignidade da pessoa?
A
pessoa humana já existe ontologicamente desde o momento de sua concepção, já na
sua primeira célula (visto que as sucessivas são fidelíssimas repetições, com o
mesmo código genético). É pessoa porque “possui o ato de ser que é próprio do
homem: um ato de ser admiravelmente espiritual, que informa e transforma a
matéria. É pessoa mesmo que tenha apenas começado a realizar suas inumeráveis e
ilimitadas possibilidades”.[6] Embora
não esteja perfeito, com todas as partes do corpo já formadas, é um individuo.
Depende da mãe, mas não é uma extensão do seu corpo. Não se pode negar de
nenhuma forma sua atividade vital e sua individualidade.
Não
podemos medir a dignidade deste novo ser, por sua aparência ou capacidade (já
que muitos alegam que o feto em seus primeiros dias de vida não é uma pessoa
por não ter uma atividade cerebral). Ele já é um novo ser, um novo homem, está
se desenvolvendo, se aperfeiçoando corporalmente, mais é uma pessoa com a mesma
dignidade dos demais. Já estar perfeito e acabado no coração de Deus seu Pai e
Criador, “antes mesmo que fosse gerado no
seu de sua mãe eu te conheci e te escolhi para ser profeta entre as nações”
[7]. O
aborto é a negação da vida e consequentemente, um desrespeito a dignidade do
ser humano.
Roma, 03 de Julho, de 2012.
Seminarista Acival Vidal de Oliveira
[1] Dicionario eletronico
Houaiss
[2] É a dotrina que
admite que todo o conhecimento (ou todo o conhecimento humano) é relativo “Que
afirma a relatividade do conhecimento humano e a incognoscibilidade do absoluto
e da verdade”. Cf. LALANDE, André. Vocabulário Técnico e Critico da Filosofia. Trad. Fátima Sá
Correia, Maria Emília V. Aguiar, José Eduardo Torres e Maria Gorete de Souza.
3ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 1999. p. 947
[3]
Doutrina segunda a qual nada existe (de absoluto) “É uma redução ao nada; aniquilamento; não-existência. Ponto de
vista que considera que as crenças e os valores tradicionais são infundados e
que não há qualquer sentido ou utilidade na existência”. Ibidem., p. 731
[4] LUCAS,
Ramón Lucas. Antropologia Filosófica – O
Homem Encarnado. Trad. Fintan Mary Lawless. São Paulo.
[5]Idem,
p. 88.
[7] BIBLIA de Jerusalém, Ge.
1, 5-6