sábado, novembro 24, 2012


Solenidade de Cristo Rei do Universo


Meu reino não é deste mundo
                                                                              (Jo. 18, 35)




Caríssimos irmãos,




Na semana passada falávamos da chegada do Messias, isto é, a segunda vinda de Jesus que viria com todo poder e gloria. Neste domingo a Igreja celebra com alegria a solenidade de Cristo Rei do universo. O Reino de Cristo Jesus é fundado na verdade e brota do coração de Pai. Nele todos que são batizados tornam-se “herdeiros”. Para os judeus, o rei era um homem escolhido por Deus para está à frente do seu povo, o eleito, um ungido, consagrado ao Senhor. A unção que recebiam os reis da época de Jesus indicava a unção do espírito, isto é, a eleição e consagração. Em hebraico o ungido era chamado de Messias, que em grego se diz Cristo.

Jesus dar ao messianismo um valor diferente daquele dado pelos judeus, o Messias não só é um escolhido, um rei político. Jesus vem revelar que o Messias é o próprio Deus! Que vem reinar no meio do seu povo, é a ideia do Auto-Basileia. Seu reinado consiste no amor, tem como trono o madeiro da Cruz (ao invés de uma cátedra de ouro) e como coroa um emaranhado de espinhos. Desta forma, Deus no seu Filho, demonstra o seu amor por nós. Com sua paixão que vence o pecado e a morte, Cristo Jesus mostrou que seu reino é bem maior que todos os reinos da terra, pois é eterno e mais forte que a própria morte. Os reis e os reinos da terra passam, mas o Reino de Deus permanece para sempre. Na primeira leitura o profeta Daniel fala de uma de suas visões onde ele ver o Filho do Homem que desce sobre as nuvens do Céu. É este texto que Jesus vai citar durante o seu julgamento diante do sumo sacerdote, “e eis que, vinha um como o filho do homem” (Cf. Dn. 7, 11-13). É esta mesma afirmação que nos traz o salmista hoje, “Deus é rei e se vestiu de majestade” (Sl. 93). Jesus Cristo é o Rei e Senhor do universo, que vem ao encontro dos seus que estão a sua espera.

O Evangelho de hoje São João nos fala da reunião noturna e ilegal promovida pelos sacerdotes da época para condenarem Jesus. O Sinédrio condena Jesus à morte sob a acusação de “blasfêmia”, “blasfemador”. Cabia a eles condenar alguém à morte de acordo com a lei judaica, mas não tinha o direito de executá-lo. Esse “ius gladii”, direito de espada, era reservado ao representante do Império romano, ou seja, ao governador romano, neste caso Pilatos. João cita uma profecia de Caifás: “é preciso que um só morra pelo povo” (Jo 11,50). Há aí um “cinismo político”. Desejo de manter a teocracia judaica: é melhor matar um que deixar explodir uma revolta, na qual morrem vários. Os gestos e a palavras de Jesus acerca do Templo: expulsar os vendedores e dizer que “destruiria e reconstruiria o Templo em 3 dias”, dar aos acusadores um motivo doutrinal para sua própria acusação, porém, todos os relatos ainda eram em vão para a condenação a morte. Existe um estudo que mostra que Jesus disse ser o Messias e não Deus. Ser considerado Messias não era blasfêmia: seria mentira, engano, etc. Mas aqui declarar-se Messias também seria uma ofensa a Deus e, portanto, blasfêmia. Jesus era tido como Galileu, de Nazaré, e os judeus tinham certa desconfiança com essa região (muitos povos pagãos). O Messias, portanto, nunca poderia vir da Galileia.

Jesus diz que os homens verão o Filho do Homem, isto é, ele mesmo, o Messias, sentado à direita de Deus (ou seja, o verão como ele realmente é: o próprio Deus, “vereis o Filho do Homem sentado à direita do Poder e vindo sobre as nuvens do céu” (Mc 14,64). Ao falar que Ele vem sobre as nuvens (que era sinal de divindade) se coloca como um Deus, dar ao messianismo outro valor, o Messias não só é escolhido, mas é o próprio Deus. Dá-se, então, um novíssimo sentido ao messianismo: o Messias não é apenas um homem, mas é o próprio Deus! Essa é, portanto, a blasfêmia da qual Jesus é acusado, pois o sinédrio compreendeu a linguagem utilizada por Jesus, entendeu que Cristo colocava-se como Deus e homem.

Jesus Cristo é o Messias, o ungido do Senhor que vem reinar sobre todos os povos da terra. Mas o seu reino não é um reino político como pensava os judeus da época. O Reino de Jesus é o Reino da Verdade, “Meu reino não é deste mundo, se o meu reino fosse deste mundo, pelejariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus” (Jo. 18, 35) ou “Eu para isso nasci, e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz” (Jo. 18, 37). Com estas palavras Jesus explica a Pilatos que seu reino não é um reino terreno, limitado a tempo e espaço. O Reino de Jesus é o reino da Verdade, isto é, um reino que mostra a verdadeira face de Deus. A verdade em São João significa revelação, Jesus vem trazer ao mundo a revelação sobrenatural do rosto de Deus, Deus no seu Filho revela seu rosto de amor e misericórdia. Pena que os judeus não compreenderam desta forma o sentido das palavras de Cristo e o condenaram.

Caríssimos durante esta semana preparemos o nosso Coração para a Chegada do nosso Rei que vem reinar e nossas vidas e nos conduzir ao Reino do Pai. Busquemos forças na oração e principalmente nos sacramentos. Que possamos também anunciar a todos que encontrarmos a Boa Nova do Evangelho e fazer de nossas vidas um reflexo de seus ensinamentos. Peçamos a Maria que venha sempre ao nosso encontro, para interceder por nós junto ao seu filho Jesus. Maria, Auxiliadora dos aflitos. Rogai por nós. Amém.



Roma, 25 de novembro, Solenidade de Cristo Rei do Universo, do ano do Senhor de 2012.





Seminarista Acival Vidal de Oliveira

Diocese da Estância – SE/Brasil