Solenidade de Cristo Rei do Universo
“Meu
reino não é deste mundo”
(Jo. 18, 35)
(Jo. 18, 35)
Caríssimos
irmãos,
Na
semana passada falávamos da chegada do Messias, isto é, a segunda vinda de
Jesus que viria com todo poder e gloria. Neste domingo a Igreja celebra com
alegria a solenidade de Cristo Rei do
universo. O Reino de Cristo Jesus é fundado na verdade e brota do coração
de Pai. Nele todos que são batizados tornam-se “herdeiros”. Para os judeus, o rei era um homem escolhido por Deus
para está à frente do seu povo, o eleito, um ungido, consagrado ao Senhor. A
unção que recebiam os reis da época de Jesus indicava a unção do espírito, isto
é, a eleição e consagração. Em hebraico o ungido era chamado de Messias, que em grego se diz Cristo.
Jesus
dar ao messianismo um valor diferente daquele dado pelos judeus, o Messias não
só é um escolhido, um rei político. Jesus vem revelar que o Messias é o próprio Deus! Que vem reinar
no meio do seu povo, é a ideia do Auto-Basileia.
Seu reinado consiste no amor, tem como trono o madeiro da Cruz (ao invés de uma
cátedra de ouro) e como coroa um emaranhado de espinhos. Desta forma, Deus no
seu Filho, demonstra o seu amor por nós. Com sua paixão que vence o pecado e a morte,
Cristo Jesus mostrou que seu reino é bem maior que todos os reinos da terra,
pois é eterno e mais forte que a própria morte. Os reis e os reinos da terra
passam, mas o Reino de Deus permanece para sempre. Na primeira leitura o
profeta Daniel fala de uma de suas visões onde ele ver o Filho do Homem que
desce sobre as nuvens do Céu. É este texto que Jesus vai citar durante o seu
julgamento diante do sumo sacerdote, “e
eis que, vinha um como o filho do homem” (Cf. Dn. 7, 11-13). É esta mesma
afirmação que nos traz o salmista hoje, “Deus
é rei e se vestiu de majestade” (Sl. 93). Jesus Cristo é o Rei e Senhor do
universo, que vem ao encontro dos seus que estão a sua espera.
O Evangelho de hoje
São João nos fala da reunião noturna e ilegal promovida pelos sacerdotes da
época para condenarem Jesus. O Sinédrio condena Jesus à morte sob a acusação de
“blasfêmia”, “blasfemador”. Cabia a eles condenar alguém à morte de acordo com
a lei judaica, mas não tinha o direito de executá-lo. Esse “ius gladii”, direito de espada, era
reservado ao representante do Império romano, ou seja, ao governador romano,
neste caso Pilatos. João cita uma profecia de Caifás: “é preciso que um só morra pelo povo” (Jo 11,50). Há aí um “cinismo político”.
Desejo de manter a teocracia judaica: é melhor matar um que deixar explodir uma
revolta, na qual morrem vários. Os gestos e a palavras de Jesus acerca do
Templo: expulsar os vendedores e dizer que “destruiria
e reconstruiria o Templo em 3 dias”, dar aos acusadores um motivo doutrinal
para sua própria acusação, porém, todos os relatos ainda eram em vão para a
condenação a morte. Existe um estudo que mostra que Jesus disse ser o Messias e
não Deus. Ser considerado Messias não era blasfêmia: seria mentira, engano,
etc. Mas aqui declarar-se Messias também seria uma ofensa a Deus e, portanto,
blasfêmia. Jesus era tido como Galileu, de Nazaré, e os judeus tinham certa
desconfiança com essa região (muitos povos pagãos). O Messias, portanto, nunca
poderia vir da Galileia.
Jesus
diz que os homens verão o Filho do Homem, isto é, ele mesmo, o Messias, sentado
à direita de Deus (ou seja, o verão como ele realmente é: o próprio Deus, “vereis o Filho do Homem sentado à direita do
Poder e vindo sobre as nuvens do céu” (Mc 14,64). Ao falar que Ele vem
sobre as nuvens (que era sinal de divindade) se coloca como um Deus, dar ao
messianismo outro valor, o Messias não só é escolhido, mas é o próprio Deus.
Dá-se, então, um novíssimo sentido ao messianismo: o Messias não é apenas um
homem, mas é o próprio Deus! Essa é, portanto, a blasfêmia da qual Jesus é
acusado, pois o sinédrio compreendeu a linguagem utilizada por Jesus, entendeu
que Cristo colocava-se como Deus e homem.
Jesus
Cristo é o Messias, o ungido do Senhor que vem reinar sobre todos os povos da
terra. Mas o seu reino não é um reino político como pensava os judeus da época.
O Reino de Jesus é o Reino da Verdade, “Meu
reino não é deste mundo, se o meu reino fosse deste mundo, pelejariam os meus
servos, para que eu não fosse entregue aos judeus” (Jo. 18, 35) ou “Eu para isso nasci, e para isso vim ao
mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a
minha voz” (Jo. 18, 37). Com estas palavras Jesus explica a Pilatos que seu
reino não é um reino terreno, limitado a tempo e espaço. O Reino de Jesus é o
reino da Verdade, isto é, um reino que mostra a verdadeira face de Deus. A
verdade em São João significa revelação, Jesus vem trazer ao mundo a revelação
sobrenatural do rosto de Deus, Deus no seu Filho revela seu rosto de amor e
misericórdia. Pena que os judeus não compreenderam desta forma o sentido das
palavras de Cristo e o condenaram.
Caríssimos
durante esta semana preparemos o nosso Coração para a Chegada do nosso Rei que
vem reinar e nossas vidas e nos conduzir ao Reino do Pai. Busquemos forças na
oração e principalmente nos sacramentos. Que possamos também anunciar a todos
que encontrarmos a Boa Nova do Evangelho e fazer de nossas vidas um reflexo de
seus ensinamentos. Peçamos a Maria que venha sempre ao nosso encontro, para
interceder por nós junto ao seu filho Jesus. Maria, Auxiliadora dos aflitos.
Rogai por nós. Amém.
Roma, 25 de novembro, Solenidade de Cristo Rei do
Universo, do ano do Senhor de 2012.
Seminarista Acival Vidal de Oliveira
Diocese
da Estância – SE/Brasil
