Solenidade de Todos os
Santos
Felizes os pobres de Espirito, porque deles é o
Reino dos Céus
(Mt. 5, 3)
Caríssimos
Irmãos.
Hoje
a Igreja celebra a solenidade de Todos os Santos. A chamada a santidade é uma
vocação universal, isto é, para todos os cristãos batizados. Devemos deixar
crescer em nossos corações o desejo de alcançarmos tão grande graça. A graça de
contemplarmos a Deus, face a face. Cristo com sua Paixão e Morte abriu para nós
as portas dos Céus, quis que participássemos do seu Reino. Foi por puro amor que
o Senhor morreu na cruz, pela remissão dos nossos pecados, para assim nos
salvar. Diante de Deus, “Somos como um
grão de areia na balança, uma gota de orvalho da manhã que cai sobre a terra.
Entretanto, de todos tens compaixão, porque tudo podes. Fecha os olhos aos
pecados dos homens para que se arrependam” (Sb.
11, 22-23). Vivemos isto
intensamente e com profundidade quando nos confessamos. O Senhor, mesmo sabendo
que cometeremos as mesmas faltas, fecha os olhos para nos perdoar e assim, nos
dá a graça, a força para lutar diante das dificuldades e tentações.
Em
Cristo somos filhos de Deus, fazemos parte do seu Corpo Místico, isto é, a
Igreja. Em Cristo Jesus nosso Salvador, somos herdeiros do Reino dos Céus,
devemos apenas cultivar a vida de santidade que já temos em Cristo, vivendo a
pratica das virtudes e buscando cada vez mais viver a caridade. Quando
afastamo-nos de Jesus e do seu corpo (a
Igreja), nos distanciamos da graça e do Céu. Deus quer que sejamos santos,
para isso enviou seu Filho, “para que todos
os que crerem nele não pereça, mas tenham a vida eterna” (Cf. Jo. 3, 16-17).
Somos membros do Corpo de Cristo, do qual a “Cabeça” é o próprio Cristo. Cristo comunica a todos os membros do
seu corpo (a Igreja) sua graça. Essa comunicação se faz por meio dos sacramentos
da Igreja. Como a Igreja é governada por um só e mesmo Espírito, todos os bens
que ela recebe se tornam necessariamente um fundo comum, isto é, de todos os
membros. "Sancta sanctis!"
(o que é santo para os que são santos): Os fiéis (sanctis) são alimentados pelo Corpo
e pelo Sangue de Cristo (sancta), a fim de crescerem na comunhão do Espírito
Santo (Koinonia) e comunicá-la ao mundo (Cf. CIC. 946-948).
São João na
primeira leitura de hoje nos fala, “Estes
são os que vêm da grande tribulação: lavaram suas vestes e alvejaram-nas no
sangue do Cordeiro” (Ap. 7, 13). O caminho da santidade nem sempre é fácil,
exigem uma luta diária e uma perseverança na fé em Cristo. Jesus coloca-se como
o Caminho a Verdade e a Vida (Cf. Jo.
14, 6), mas também diz que para segui-lo, é necessário renunciar a si mesmo e
tomar a nossa cruz. Precisamos ser fieis ao Senhor que nos chama, não desanimar,
para que um dia possamos estar todos, “diante
do trono de Deus, servindo-o dia e noite em seu templo... o Cordeiro que está
no meio do trono os apascentará, conduzindo-os até às fontes de água da vida. E
Deus enxugará toda lágrima de seus olhos” (Ap. 7, 15-17).
O salmista nos
diz de maneira sabia o que devemos fazer para subir a montanha do Senhor, “Quem pode subir à montanha do Senhor? Quem
pode ficar de pé no seu lugar santo? Quem tem mãos inocentes e coração puro, e
não se entrega à falsidade, nem faz juramentos para enganar. Ele obterá do
Senhor a benção, e do seu Deus salvador a justiça.” (Sl. 24 [23]). O Senhor Deus nos Céus, nos cumulará de todo bem, de forma
que não teremos nenhuma necessidade, se não ama-lo eternamente. Muitos de nós,
embora ouçamos frequentemente a Palavra de Deus (o Evangelho), sentimos por ela
pouco encanto: isso acontece por que não abrimos verdadeiramente o coração a
Cristo. Quem quiser compreender e saborear plenamente as Palavras de Cristo, é
preciso que procure conformar toda a sua vida à dele e ouvi-lo como o ouvia
seus discípulos.
Na
segunda leitura, São João fala do quanto o Senhor Deus nos ama a ponto de conceder-nos
o privilegio de sermos chamados de filhos seus, “Caríssimos,
desde já somos filhos de Deus, mas o que nós seremos ainda não se manifestou.
Sabemos que por ocasião desta manifestação seremos semelhantes a ele, porque o
veremos tal como ele é... Todo o que nele tem esta esperança,
purifica-se a si mesmo como também ele é puro”
(1Jo. 3, 1-3). João fala-nos da esperança e da grandeza de ser acolhidos como
filhos. Ser santo é viver uma verdadeira intimidade com Deus nosso Pai. Somos
filhos amados de Deus, o desejo dele é que sejamos santos, então este desejo
deve ser também o nosso e por isso que devemos nos esforçar para realizarmos
este desejo.
No Evangelho
deste dia, Jesus é apresentado como “novo
Moisés”. Verdadeiro legislador, verdadeiro operador de milagres. Moisés no
Sinai dá a Lei; Jesus no sermão da montanha dar a Nova Lei, que não se opõe ao Decálogo: “não vim abolir a Lei e os Profetas, mas dar-lhes pleno cumprimento”
(Mt 5,17). Segundo Jesus, a felicidade não está no conformar-se ao mundo,
àquilo que o mundo espera de nós, “Bem-aventurados
sois, quando vos injuriarem e vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal
contra vós por causa de mim. Alegrai-vos e regozijai-vos, porque será grande a
vossa recompense nos céus, pois foi assim que perseguiram os profetas, que
vieram antes de vós” (Mt. 5, 11-12). Jesus diz que para ser verdadeiramente
feliz é preciso estar disposto ao sofrimento, pois produz a paciência e aumenta
a nossa fidelidade. O mundo rejeita tudo aquilo que não é seu, nós não somos do
mundo! Somos de Deus. Devemos viver para Deus, pois quem quer usufruir do
mundo, não pode ganhar a grande e eterna herança da parte de Deus.
“Felizes os mansos, porque possuirão a terra”.
A terra da qual fala o Senhor é a “terra
prometida”, o Reino dos Céus. Nas Bem-aventuranças não se tem uma
felicidade terrena. O prêmio é espiritual. Elas são o prêmio que se obtém com a
luta, uma luta pacífica, guiada pelo Espírito. Jesus dá esse testemunho em sua
vida. Antes de tudo, Jesus viveu essas bem-aventuranças. Ele é o exemplo
perfeito de como devemos ser, daquilo que o homem dever ser diante de Deus, “imitatio
christi” (uma imitação de Cristo). No nosso coração deve arder o desejo
de está ao lado de Deus nosso Pai, de cantar seus louvores e contemplá-lo tal como Ele é. Este foi o que motivou
os santos, aos quais invocamos e festejamos neste dia. Eles, a exemplo de
Cristo Jesus, souberam viver as bem-aventuranças, pobreza em espirito, mansidão, misericórdia e pureza de coração.
Sabemos que sozinhos
não conseguiremos viver bem as virtudes, já que somos humanos, débeis, mas com
a força e graça de Deus, podemos tornar possível tudo que aos olhos humanos é
impossível. Peçamos então a Deus nosso Pai, “Sanctus Sanctorum” (o Santo dos santos)
que mostre-nos o que devemos fazer para trilharmos passo a passo o caminho que
nos leva ao seu Coração. O nosso principal empenho, como bons cristãos,
é meditar sobre a vida de Jesus Cristo e procurar imita-lo (Cf. Imitação de Cristo Cap. 1). Que Maria Santíssima, que sempre fez a vontade de Deus e
que com seu Fiat nos deu Cristo Jesus, possa interceder a seu Filho por nós
e auxiliar-nos nesta caminhada. Maria, Mãe de Deus e nossa, rogai por nós.
Amém.
Roma, 01 de novembro, Solenidade de
Todos os santos, do ano do Senhor de 2012.
Acival Vidal de Oliveira
Seminarista 3º
de Teologia
Diocese
da Estância – SE/Brasil

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