Solenidade de São José
“fez como o anjo do Senhor lhe ordenara, e recebeu sua mulher”
(Mt. 1, 24)
Caríssimos irmãos em Cristo,
Hoje toda a Igreja alegra-se ao festejar o dia de São José. José o humilde carpinteiro de Nazaré que se tornou o guardião de Jesus, aquele que velava os passos do Menino Deus e que teve a graça de ser chamado por Ele de pai. O Senhor poderia ter escolhido alguns dos escribas ou um dos sumos sacerdotes, alguém “mais importante”, entretanto, escolhe como pai adotivo do seu Filho, um modesto carpinteiro da pequena cidade de Nazaré. São Mateus descreve-o no seu Evangelho como um homem justo e temente a Deus, “E como José, seu esposo, era justo” (Mt. 1, 19). Podemos observar que tanto Maria com o seu “Eis aqui a serva do Senhor”, como José que se faz obediente às palavras do Anjo, “fez como o anjo do Senhor lhe ordenara, e recebeu sua mulher” (Mt. 1, 24), foram féis aos planos de Deus e este simples gesto os tonou grandes.
Neste dia convido-os a imaginar o tempo de José e Maria. Precisamos nos colocar no contesto de sua época para poder entendê-los melhor. Mateus nos fala que Maria estava desposada com Jose, isto é, prometida em casamento a José. Era costume entre os judeus que a moça fosse prometida a seu esposo e retornasse por mais algum tempo a casa dos seus pais, era com o se fosse uma esposa, mas não coabitavam até que chegasse o momento do casamento “Maria, sua mãe, estava desposada com José” (Mt. 1, 18). O Evangelista continua a dizer que, “Antes de coabitarem, aconteceu que ela concebeu por virtude do Espírito Santo” (Mt. 1, 18). Imaginemos a tristeza e decepção que encheu o coração daquele pobre homem ao saber que sua amada estava grávida sendo que o filho não era seu. Por um lado o seu dever de judeus praticante da lei de Moises o encorajava a denunciá-la as autoridades para que fosse apedrejada como todas as mulheres que assim procediam. Entretanto, sua confiança e seu amor por Maria era mais forte que seu dever e assim “não querendo difamá-la, resolveu rejeitá-la secretamente” (Mt. 1, 19).
Mateus prossegue a falar, “Enquanto assim pensava, eis que um anjo do Senhor lhe apareceu em sonhos e lhe disse: José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois o que nela foi concebido vem do Espírito Santo” (Mt. 1, 20), imaginemos a alegria e paz que estas palavras do Anjo trouxe aquele coração atribulado. O justo carpinteiro agora pode entender o que aconteceu com sua querida Maria, ver que não estava enganado, quando pensava que a sua esposa não era capaz de trai-lo. Com certeza no dia seguinte José foi até a casa de Maria e tranquilizou o seu coração que também batia forte sem saber qual seria a reação de seu noivo ao saber de sua gravidez. Imaginemos este belíssimo encontro cheio de amor e afeto onde os dois, depois de um longo abraço se despediram cheios de alegria e confiança no Senhor.
Caríssimos! Podemos aprender muitas coisas belas com São José. Aprender a confiar em Deus, José era um homem honesto de uma profunda interioridade e grande confiança em Deus. José ao decidir deixar Maria e não denuncia-la, manifesta que ele movido pelo amor e a misericórdia entendia que a lei maior era a Lei do amor. Mostra-nos que o amor ultrapassar as leis e as regras e nos faz olhar aqueles que estão ao nosso redor não apenas com nossos olhos carnais, mas, com os olhos do coração. José nos faz entender que a verdadeira justiça não faz com prejulgamentos das pessoas, mas age segundo a misericórdia (o perdão). Esta sabedoria, encontramos na vida de Jesus, quando agia com misericórdia diante dos pecadores e na vida de todos os santos.
É neste ambiente de fé, de obediência, de temor de Deus, de amor e de confiança que nasce e cresce Jesus. Por várias vezes Jesus deve ter ouvido esta história (da concepção e decisão de José) contada por sua mãe ou por algum parente próximo. Jesus desde pequeno aprende com José a ser misericordioso e perdoar. Diante de Madalena quando o povo lhe traz para que Ele decida se ela deve ser apedrejada ou não, a história que Ele ouvia sempre em casa deve ter passado mais uma vez em sua cabeça enquanto traçava riscos no chão. Naquele momento Jesus deve ter lembrado o que fez José e sua resposta não foi diferente, perdoou seus pecados e agiu segundo a misericórdia.
José é o homem do silêncio que escuta e colocava em prática a vontade do Senhor. Que se levanta toma sua esposa e o menino Jesus e vão as presas ao Egito para que desta forma, o Menino Deus não seja morto pelas mãos dos soldados do rei Herodes. José forte que trabalha para sustentar Maria e Jesus seu amado filho. José que acompanhou os primeiro passos de Jesus, que acompanhou seu crescimento, que lhe ensinou a trabalhar e a fazer de sua vida um sinal da Glória de Deus. Ele que hoje nos Céus estar a interceder por todos nós. Peçamos a São José que rogue por nós a seu Filho Jesus. Salve! José o Santo do Silêncio e da misericórdia. Amém.
Roma, 19 de março, Solenidade de São José, do ano do Senhor de 2012.
Seminarista Acival Vidal de Oliveira
Diocese da Estância – SE/Brasil

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