XXX Domingo do Tempo Comum
“Jesus, filho de Davi, tem compaixão de mim”
(Mc. 10, 47)
A liturgia deste domingo nos
apresenta o Senhor como um Pai zeloso que se alegra com o retorno do seu amado
filho. O Profeta Jeremias aponta Deus como àquele que ansioso espera seu amado.
Que se prepara para o reencontro e providencia o necessário para que ocorra
tudo perfeito neste reencontro. O Senhor conhece os caminhos tortuosos que seus
filhos, isto é, o Povo de Israel passou. Ele preocupa-se com os pequenos
detalhes, é atento a ouvir seu lamento e lhe consola, enxuga todas as lágrimas.
O Deus de Israel, de Jacó é apresentado como um Pai amoroso que cuida dos seus
pequenos filhos, “porque sou para com Israel
qual um pai, e Efraim é o meu primogênito” (Jr. 31, 9).
É ele que toma Israel pela mão e guia-lhe por caminhos seguros, onde não corra
o risco de tropeçar, “Conduzi-la-ei em meio às suas
preces; levá-la-ei à beira de águas correntes, por caminhos em que não
tropeçarão” (Jr. 31, 9).
É maravilhoso o modo como o
Senhor Deus trata seus amados. É por este motivo que canta alegre o salmista, “Maravilhas fez conosco o Senhor, exultemos de alegria!” (Sl. 125).
Este cântico traduz toda a alegria que sente Israel por ser outra vez acolhido
pelo seu Deus que é rico em Misericórdia e perdoa suas faltas. A certeza que,
somos amados por Deus e que Ele sempre esta de braços abertos a esperar por
nosso retorno alegra-nos. O Senhor é fiel a suas promessas! Embora, nós nem
sempre somos fieis ao seu amor. Enche-nos de felicidade o fato de saber que
somos muito amados por um Deus que faz de tudo para que permaneçamos vizinhos
ao seu Coração. Que não pede muito em troca, somente que abramos o nosso
coração para que Ele venha estabelecer ali sua morada.
Na segunda leitura, São
Paulo nos relembrar do grande sacrifício de Amor que Nosso Senhor Jesus Cristo
vem oferecer uma vez por todas em expiação dos nossos pecados. Paulo começa
falando do sacerdócio antigo de Israel, que era concedido por meio da família
sacerdotal (Cf. Hb. 5, 1-2). Eram estes pontífices, isto é, serviam de ponte
entre Deus e o seu povo. Pessoas escolhidas por Deus do meio do povo para
oferecer sacrífico por seus próprios pecado e os do povo, “Ninguém se apropria desta honra, senão somente aquele que é chamado por
Deus” (Cf. Hb. 5, 4). Cristo é o Novo Sumo Sacerdote! Não como aqueles da
antiga lei de Moises e Aarão, mas é estabelecido por Cristo um Novo Sacerdócio,
“sacerdote eternamente, segundo a ordem do rei
Melquisedec” (Sl 109,4). Só Ele por seu
o Filho de Deus e capaz de oferecer um sacrifício perfeito e agradável ao Pai.
Os sacrifícios oferecidos pelos sacerdotes antigos de Israel eram feito
anualmente ou toda vez que fosse preciso à purificação do povo. Cristo vem
oferecer na Cruz o único e Verdadeiro Sacrifício, do qual Ele é, Sacerdote,
Altar e Cordeiro.
Por fim, chegamos ao
Evangelho de hoje. São Marcos mostra a sede que tem o povo de Deus pela
salvação trazida por Cristo Jesus. Para o povo de Israel, a enfermidade estava
ligada ao pecado, de forma que, toda doença era vista como consequência do
pecado do moribundo ou dos seus pais. Cristo é apresentado por Marcos como
aquele que ouve o clamor do seu povo, aqui representado por aquele podre
enfermo que grita, “Jesus, filho de Davi, Tem
compaixão de mim” (Mc. 10, 47), a beira do caminho esperando ser curado, liberto de sua
enfermidade. São Marcos é preciso, diz o nome do mendigo que esta a beira da
estrada, “Bartimeu, que era cego, filho de Timeu” (Mc. 10, 46). É
importante notar que toda esta narrativa se dar no caminho, Jesus tinha apenas
saído de Jericó. Neste mesmo
caminho encontra-se Jesus e mais três classes de pessoas: aquelas que são
chamadas de discípulos; uma numerosa multidão; e Bartimeu, o cego que estar às
margens da estrada. Podemos ver claramente toda humanidade representada nestas
três classes. Aqueles que são verdadeiros discípulos do Senhor e por isso o
segue. Aqueles que fazem parte da massa que ate segue o Senhor por curiosidade
ou influenciado pelo meio (ou ainda os sem religião, os que professam outras
crenças) e por último, aqueles que conhecem o Senhor como é o caso de Bartimeu,
“Sabendo que era Jesus de Nazaré” (Mc. 10, 47),
mas por causa da cegueira do pecado colocam-se às margens.
É importante lembrar que tudo
se dar na estrada, ou seja, nos caminhos da vida. Bartimeu, não que outra coisa
se não libertasse de sua cegueira, doença que lhe impede de seguir andando. Ele
sabe que precisa ter restaurada sua saúde, ter sua visão de volta para
continuar sua caminhada. O Senhor ouve seus gritos! Não é indiferente a seus
clamores e o cura. São Marcos destaca que Bartimeu, “Lançando fora a capa, ergueu-se dum salto e foi ter com ele” (Mc. 10, 50).
A capa que aquele pobre mendigo trazia consigo, provavelmente era o único bem
que possuía, que lhe aquecia nas noites de frio, mas ele lança-a fora, se
despoja de todos seus bens matérias, se esvazia de si mesmo para receber “tudo”
de Cristo. É este ato de fé, de confiança que o faz merecedor da graça de ser
curado, “Vai, a tua fé te salvou” (Mc. 10, 52). Estas palavras
de Cristo é o mesmo que dizer, vai! Seus pecados (ou os dos seus pais, que
causou esta cegueira) estão perdoados. Sua vista esta recuperada, agora tu
poder ver outa vez o caminho e seguir-me e é isso que acontece, “No mesmo instante, ele recuperou a vista e
foi seguindo Jesus pelo caminho” (Mc. 10, 52).
Amados irmãos quantas vezes somos como Bartimeu,
encontramo-nos chagados pelo pecado às margens da estrada. Precisamos ter a coragem
de nos levantarmos e gritar forte, Jesus,
filho de Davi, tem compaixão de mim. Termos a coragem de despoja-nos de
todos nossos bens, de tudo que nos prende a nosso egoísmo e orgulho próprio. Ou
ainda, identificamo-nos com aqueles que querem a graça só para si, que são
indiferentes ao sofrimento do irmão que está às margens. Ao invés de ajudá-lo a
chegar até Jesus, tentamos desestimula-lo e convencê-lo que o Senhor não ouvirá,
“Muitos o repreendiam” (Mc. 10, 48).
Durante está semana procuremos ser mais atentos as necessidades dos nossos
irmãos, ajudá-los a se aproximarem do Cristo que é a Luz da vida e o Caminho
seguro que nos leva ao Pai. Peçamos a Maria Santíssima, que interceda por nós
junto ao seu amado filho, para que Ele sempre nos ilumine. Nossa Senhora das
Candeias! Rogai por nós. Amém.
Roma, 28 de outubro, 30°
Domingo do Tempo Comum, do ano do Senhor de 2012.
Seminarista Acival Vidal de Oliveira
Diocese da Estância –
SE/Brasil

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