quinta-feira, maio 31, 2012


“Não podemos conformar-nos com as verdades do mundo”


Desde o inicio do mundo, homem procura dar uma resposta a seus próprios questionamentos, a busca responder as questões fundamentais: de onde veio? Quem ele é? Para onde vai? Porque todas as coisas são como são? Por algum tempo estas respostas eram dadas pelas crenças, filosofia e pela religião. O homem encontrava na religião e em seus deuses a resposta e o fundamento de tudo que lhe rodeava. Nos últimos tempos o homem passou a encontrar uma nova resposta para estas questões, por sua vez, mais agradável e distante do tema da religião. É uma nova era, aonde a ciência e a tecnologia vai de vento em poupa e não há mais espaço para sentimentalismo e crenças bobas. O novo homem é autossuficiente, viajou pelo universo, foi à lua, descobriu que a terra é redonda, explicou o movimento dos planetas, o motivo das estações e pode até prever o tempo, se vai chover ou não. Encontrou cura para varias doenças, descobriu o DNA, o funcionamento do corpo humano e por meio da psicologia os pensamentos mais ocultos da pessoa humana. No coração deste novo homem não há mais espaço para a religião ou para um Deus que criou tudo. Podemos explicar a criação por meio Big Bang. O surgimento de todos os seres vivos por meio da teoria da evolução das espécies. Para que Deus?
Nossa sociedade busca a cada dia o sucesso. Sucesso nas ciências, na tecnologia, na arquitetura, sucesso no trabalho e no amor. É a ideia do “SuperMan” de Nietzsche, não precisa de nada nem ninguém, pode fazer tudo àquilo que quer. Deus e a religião são apenas criações dos fracos, dos covardes que não querendo aceitar sua condição de perdedor e fracassados inventaram um Deus que é bonzinho, piedoso e que o recompensará após a morte. No entanto, todos os dados científicos e estatísticos demonstram que o homem “não precisa” da religião nem tão pouco de Deus. O Estado não precisa e nem deve ser influenciado pela a Igreja. A família deve ser independente, cada pai deve criar seus filhos como bem quiser. Fala-se de liberdade, de direitos, entretanto, esquece-se de falar de respeito e de responsabilidade.
É verdade, o homem deve ser livre! Quando Deus nos criou (Cf. Ge. 1-2), nos deu o livre arbítrio, porém a verdadeira liberdade não consiste em fazer aquilo que queremos e sim, fazer aquilo que devemos, que nos humaniza, que nos diferencia dos animais irracionais. Lógico! Que uma mãe tem pleno direito sobre seu corpo. Mas não tem o direto de matar um filho ainda indefeso só pelo o fato dele está no seu ventre. Ninguém duvida que o ventre seja seu, todavia a criança que está ali é uma pessoa, que tem uma dignidade, não é um objeto ou uma simples extensão do seu corpo (do corpo da mãe). Falta aí o respeito à dignidade humana, falta à responsabilidade que uma mãe deve ter com relação ao filho. Falávamos no inicio que a nossa sociedade tornou-se antirreligiosa, no entanto, quando se tira Deus e a religião o homem se autodestrói. O homem criado a Imagem e Semelhança do seu Criador quando o tira (o Criador = Deus) de sua vida fica sem norte e sem referencia. Passa a ver tudo como se fosse peças de um quebra cabeça que deve ser montado. Nasce aí a visão materialista e instrumentalista do homem, que deixa ser avaliado por aquilo que é realmente, para ser medido por aquilo que produz.
O SuperMan, isto é, o homem sem Deus e sem religião torna-se um objeto descartável. Desta forma fica fácil de compreender e aceitar o aborto, a eutanásia e outras aberrações deste tipo. Se o homem vale aquilo que produz, o que pode produzir uma criança que nem nasceu? O que pode produzir um anencéfalo que morrerá em algumas horas após o parto ou talvez anos? Ou uma pessoa em estado terminal irreversível? É fácil para quem fala e pode se defender gritar e exigir por “seus direitos”, mas para este! Quem gritará por eles? Quem clamará por justiça? De fato, o Super-Homem só se deu bem e resolvia todos os problemas nos filmes, quando era ator (Christopher Reeve – fazia o superman), porque na vida real caiu do cavalo e ficou paraplégico. Da mesma forma encontramos na sociedade homens impotente, que não pensam, que não respeita, que não ama nem o próximo nem a si mesmo. Encontramos com mães que exigem o seu direito de abortar suas crianças, ou melhor, de mata-las ainda no ventre, mas não respeita o direito que seus filhos têm de nascerem!  Uma coisa é verdadeira, o Mundo! O homem! Não precisa da religião nem muito menos de Deus para se autodestruir. Porque Deus é amor! (1Jo. 4, 16) Não quer que nenhum dos seus amados e pecam (Cf. Mt. 18, 12-14). Não dar aquilo que queremos e pedimos, porque sabe daquilo que necessitamos e do que é melhor para nós.
Às vezes o mundo nos presenteia com momentos felizes, contudo, um pouco de tempo e nos deparamos outra vez com o sofrimento. Às vezes a ciência e a tecnologia nos dão coisas muito boas (conforto, tranquilidade, segurança e facilidade), mas não consegue preencher o vazio do coração do homem. Falamos sempre que somos “super-homens”, forte e que nada pode nos abalar, contudo, só percebemos o tamanho da nossa força quando o dor bate a nossa porta. Buscamos nas bebidas, nas drogas, nos prazeres sexuais, nas festas e na medicina ajuda, porém parece que estes meios são insuficientes, porque são momentâneos. Queremos uma solução rápida, não queremos mais sofrer, estamos cansados das dores... da aflição, Mas nem sempre vem à solução que esperamos. Nada no mundo pode nos ajudar, preencher o vazio ou responder as nossas perguntas.
O desespero toma conta do nosso ser e nos deparamos com o fracasso, à derrota. É assim que nos sentimos, fracassados e derrotados. Nesta hora, chegamos a fundo do poço, ao nosso limite, percebemos que não somos super-homens, que Nietzsche estava errado e o que fazer? Tantas vezes passamos por essa situação onde nada, nem ninguém podem ajudar-nos se não nós mesmo. Somos fracos é verdade! Mas podemos ser fortes, temos neste momento duas opções: ceder ao sofrimento e torna-se uma pessoa amarga, sem alegria, nem motivo de viver; ou lutar, dar a volta por cima, escalar o poço e chegar à superfície. É neste momento que a famosa frase “coragem! Confie em Deus” tem sentido. Percebemos que Deus na realidade não é dos grandes e nem dos poderosos. Ele se aproxima daqueles que se esvazia de se mesmo, de qualquer sentimento de orgulho e ambição. Vem mostrar-nos o caminho a seguir e que com ele somos grandes, podemos fazer grandes coisas. Mostra-nos ainda que podemos vencer o mundo e suas dificuldades, “no mundo havereis de ter muitas tribulações, mas coragem! Eu venci o mundo” (Jo. 16, 33). Se formos fracos, com Ele tornamo-nos fortes e invencíveis “tudo posso naquele que me fortalece” (Fl. 4, 13), Com Cristo somos mais que vencedores nos diz São Paulo (Cf. Rm. 8, 37). Se não temos força para continuar, não importa! Basta querer e Ele nos carregará em seus braços. Por mais que o sofrimento não nos possibilite ver, Cristo estar sempre presente em todos os momentos da nossa vida.
É Cristo Jesus que nos dá a verdadeira felicidade. Se pensarmos que o Senhor não ouve nossos clamores, nos enganamos, pois Ele nos ouve e vem em nossa ajuda. Cristo sabe do que precisamos para sermos felizes, para nos aproximar cada vez mais do seu amor. Faz só aquilo que nos ajudará a ser mais santos, por isso que muitas vezes não entendemos por que o Senhor não nos dá o que pedimos ou como pedimos. Um pai não pode dar uma cobra ao filho só por que ele lhe pediu. Ele sabe que se dar uma cobra ao filho, ele provavelmente vai ser picado. Assim, muitas coisas que pedimos a Deus, embora pareçam boas aos nossos olhos, não é aos olhos de Deus.
O fundo do poço é o limite, podemos nos acostumar com este lugar frio e sem vida, onde só consegue sobreviver os ratos e as baratas. É um lugar dos fracos daqueles que não acredita na vida, no amor e nem na dignidade do homem. Neste lugar tudo é permitido, o aborto, a eutanásia, etc. O homem é visto como uma simples peça de uma maquina, que quando perde sua utilidade é jogada fora sem nenhum respeito. O fundo do poço, isto é, o lugar distante de Deus é o mundo moderno, onde Deus e a religião são excluídos. É um lugar frio, sem vida, sem amor e sem luz. Podemos nos acomodar aí e acostumarmo-nos com a “realidade” ou podemos olhar para cima e ver que o Sol continua a brilhar. O Sol que brilha aos nossos olhos e que nos aponta a saída é Cristo! É ele que nos convida a subir (a escalar), para sairmos deste abismo (do poço).
Caríssimo! Não podemos conformar-nos com as verdades do mundo. Precisamos ser fortes, permanecer na superfície, gritar ao mundo que o que torna o homem realmente o que é, não é aquilo que ele faz, que produz, mas aquilo que ele é (seu Ser, sua dignidade). Gritar a todos que a dignidade humana não pode ser medida nem tão pouco pesada. Dizer que não somos frutos do acaso, que somos filhos amados e queridos por Deus desde o inicio da criação. Precisamos defender a nossa fé, nossos princípios e mostrar para todos que com Deus somos mais fortes que o super-homem de Nietzsche ou dos filmes. Não só combatemos o mal e defendemos a causa dos menores e indefesos, mas lutamos contra uma humanidade descrente e que tenta sufocar a religião para não ouvir a Verdade. É verdade que não temos capa vermelha nem poderes sobrenaturais, porque nossa força não vem do planeta Krypton, mas de Cristo Jesus, o Nosso Redentor. O vermelho que trazemos é o vermelho do Sangue do Cordeiro de Deus que purifica e fortalece os corações dos homens de boa vontade.

Roma, 25 de maio, de 20012


Seminarista Acival Vidal de Oliveira
2° ano de Teologia (PCIMME)
Diocese de Estancia – SE/Brasil

sexta-feira, maio 18, 2012


VII Domingo da Páscoa


Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado
 (Mc. 16, 15)



Amados irmãos,


Neste domingo a liturgia da palavra nos convidar a refletirmos sobre a missão que tem todo cristão batizado. Jesus Cristo cumpre seu tempo aqui na terra e sobe aos Céus, cheio de glória e esplendor “elevou-se da (terra) à vista deles e uma nuvem o ocultou aos seus olhos” (At. 1, 9). A missão de levar a boa nova aos homens agora é confiado aos discípulos. São eles as testemunhas de Jesus e tem como missão fazer chegar aos confins da universo o seu Evangelho, “e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria e até os confins do mundo” (At. 1, 8). Por meio do batismo, recebemos a mesma missão, de evangelizar e testemunhar Cristo ao mundo tão sedento de paz e justiça. Devemos ter a coragem dos primeiros discípulos de Jesus  com coragem, instruídos e iluminados pelo Espirito Santo com nossas vidas testemunhar Cristo nosso único salvador.

Na segunda leitura, Paulo lembra aos Efésios, a importância da missão que tem de anunciara Cristo Jesus morto por nossos pecados e ressuscitado, “Rogo ao Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, que vos dê um espírito de sabedoria que vos revele o conhecimento dele; que ilumine os olhos do vosso coração, para que compreendais a que esperança fostes chamados, quão rica e gloriosa é a herança que ele reserva aos santos, e qual a suprema grandeza de seu poder para conosco, que abraçamos a fé” (Ef. 1, 17-19). Paulo ao escrever para esta comunidade quer mostrar que o mistério divino é revelado na unidade da Igreja (da comunidade). Ressalta ainda a fé e a esperança em Cristo Jesus que enviará o Espirito que revelará todo conhecimento. Paulo fala da Igreja como o Corpo de Cristo, para mostrar o quanto é importante à união entre os membros da comunidade, “a Igreja, que é o seu corpo” (Ef. 1, 23). A salvação vem por meio de Jesus Cristo e se derrama sobre a Igreja (corpo), da qual Ele é a Cabeça.

O trecho do Evangelho deste dia se encontra no ultimo capitulo do Evangelho de São Marcos. Ele começa este capítulo falando das mulheres que encontra o sepulcro vazio. Marcos tem a intensão de confirmar a ressureição de Jesus, quer mostrar que não é uma invenção dos discípulos, por isso fala do testemunho das mulheres e depois do Anjo, que confirma aquilo que as mulheres verem (Cf. Mc. 16, 5-6). Em um segundo momento, Marcos nos fala das aparições do Ressuscitado e da sua Ascenção aos Céus. Em sua despedida Cristo Jesus confia aos seus discípulos uma missão, “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura” (Mc. 16, 15). Vemos aí o inicio do apostolado dos primeiros discípulos e o nascimento da Igreja, para fazer parte da Igreja de Deus, povo escolhido e herdeiros da Graça, basta apenas ser batizado e ter fé em Cristo, “Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado” (Mc. 16, 15). A Igreja é parte integrante do misterioso desígnio que Deus, pouco a pouco, vai revelando e realizando na história dos homens. A Igreja nasce de uma decisão livre de Deus Trino, e tende a recapitular em Cristo todos os homens.

Poderíamos dizer que a Igreja é missão, já que existe em quanto é enviada por Deus a convocar a todos os homens em seu Filho Jesus Cristo; e que por ser missão deve converter-se em missionária. Ela nasce após ou com a missão que Cristo confia as aos Apóstolos. Embora Cristo não esteja mais presente visivelmente, como era presente em meio aos discípulos, continua a acompanhar a sua Esposa ao longo dos séculos. São marcos nos fala que Jesus cooperava e confirmava com sinais e milagres a ação dos Apóstolos, “Estes milagres acompanharão os que crerem: expulsarão os demônios em meu nome, falarão novas línguas, manusearão serpentes e, se beberem algum veneno mortal, não lhes fará mal; imporão as mãos aos enfermos e eles ficarão curados... O Senhor cooperava com eles e confirmava a sua palavra com os milagres que a acompanhavam” (Mc. 16, 17-18.20).

Caríssimos! Todos nós fazemos parte da Igreja de Jesus. Por meio do batismo tornamo-nos membros do corpo místico de Cristo e assim, temos a missão de anunciar a boa nova do Senhor a todos os povos. Como aos Apóstolos, o Senhor nos confia à missão de pregar a boa nova a todos os homens. Toda a Igreja, e por assim dizer, todos seus membros (fieis e pastores) tem a obrigação de viver em continuo estado de missão. A cada dia, devemos proclamar a todos que Cristo Jesus está vivo! Que morreu para nos salvar, mas ressuscitou e está a direita do Pai a interceder por nós. Peçamos a Maria Santíssima, ela que estava junto aos discípulos do seu Filho na primeira comunidade, que nos auxilie a sermos fieis e a ter sempre coragem de anunciar Jesus. Maria Mãe da Igreja, rogai por nós. Amém.



Roma, 20 de maio, 7° Domingo da Páscoa, do ano do Senhor de 2012




Acival Vidal de Oliveira
Diocese de Estancia-Se
Brasil


sábado, maio 05, 2012


V Domingo da Páscoa

“Eu sou a videira; vós, os ramos
 (Jo. 15, 5
)



Caríssimos irmãos,


No Evangelho que meditamos neste domingo, o Senhor se coloca como a verdadeira videira e nós como seus ramos, “Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor” (Jo. 15, 1). O convite que Cristo nos faz neste dia é o de permanecer em seu amor, isto é, unido a Ele, tronco vivo que possibilita-nos uma vida frutuosa. É esta união ao Senhor que nos torna aptos para produzir frutos, “Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. O ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira” (Jo. 15, 4). De fato, se somos ramos e estamos destacados da videira, do tronco não seremos capazes de produzir frutos ou ao menos sobreviver. A nossa vida de fé deve ser alimentada pela “seiva” do amor de Cristo Jesus verdadeira videira. “Assim também vós: não podeis tampouco dar fruto, se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira; vós, os ramos” (Jo. 15, 4-5).

Santo Agostinho interpreta esta passagem do Evangelho de São João, que fala da videira e dos ramos, como a união que existe entre Cristo e a Igreja. Assim como o tronco e os ramos da videira torna-se uma só coisa, isto é, uma só árvore, Cristo (cabeça) e a Igreja seu corpo torna-se uma “coisa” só. Não se pode conceber uma Igreja sem Cristo ou um Cristão (membro do corpo de Cristo) distante da Igreja e de Cristo cabeça. É preciso que exista uma união entre Cristo (cabeça da Igreja e tronco da videira) e nós que fazemos parte da sua Igreja (membros do corpo, os ramos). Esta interpretação é maravilhosa, ressalta a união que se deve haver entre os cristãos, Cristo e a Igreja. É só assim que produziremos muitos frutos em meio à sociedade.

Atualmente, deparamo-nos com cristãos cansados, desencorajados e descrentes dessa união entre os fieis que formam a Igreja. Esta situação leva muitos membros da Igreja de Jesus a abandonar seus atos de piedade ou de frequentar as celebrações litúrgicas e a vida comunitária. As palavras de Cristo Jesus devem ressoar mais forte do que nossas decepções e sentimentos. O fato de alguns dos membros (ramos) não produzirem frutos, não nos dar o direito de afastar-nos de Cristo e sua Igreja, porque se fizermos dessa forma, também destacamo-nos da videira que é Cristo, “Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. Se alguém não permanecer em mim será lançado fora, como o ramo” (Jo. 15, 5-6). É necessário estarmos unidos a Jesus para que a nossa vida seja um verdadeiro ato de louvor a Deus e assim produza frutos de amor que transforma, perdoa e fortalece os outros irmãos que encontramos no caminho, “Nisto é glorificado meu Pai, para que deis muito fruto e vos torneis meus discípulos” (Jo. 15, 8). O segredo para realizar estas coisas é esta junto a Cristo, com os olhos fixos no seu Sagrado Coração. Desta forma, nada nem ninguém poderá afastar-nos de uma vida santa (unida à videira que é Cristo) e frutuosa.

Na segunda leitura deste dia, São João nos exorta a ter uma confiança inabalável em Deus. Se cumprirmos seus mandamentos, isto é, fazermos sua vontade nos será dado tudo aquilo que precisamos “Caríssimos, temos confiança diante de Deus, e tudo o que lhe pedirmos, receberemos dele porque guardamos os seus mandamentos e fazemos o que é agradável a seus olhos” (1Jo. 3, 21-22). O Senhor nos conhece e sabe do que necessitamos, estar sempre disposto a dar-nos aquilo que nos fará cresce na vida de santidade. É seguindo a sua Palavra que mantemo-nos unidos à videira. É fazendo a sua vontade, seguindo os ensinamentos do seu Filho Jesus que seremos ramos que produzem bons frutos, “Eis o seu mandamento: que creiamos no nome do seu Filho Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, como ele nos mandou. Quem observa os seus mandamentos permanece em Deus e Deus nele.” (1Jo 3, 23-24). O amor é o motor que impulsionar o homem a fazer o bem e agir conforme a vontade de Deus, pois Deus é amor e se estamos unidos a Ele, nossos atos nada mais é do que um reflexo deste amor que age em nós.

Diante de tantas crises de fé e de contra testemunho corremos o risco de deixar-nos levar pela desilusão e afastar-nos da videira que é Cristo. Não podemos deixar que alguns ramos, que já estão secos, interfiram na nossa união e intimidade com Cristo. Ao contrário, devemos mostrar-nos fortes e mais unidos para que nossos frutos saciem a fome de Deus que tem a nossa sociedade. É com nossa vida que daremos ao mundo o testemunho de que Deus estar conosco e com Ele podemos fazer maravilhas. O brilho das nossas folhas deve atrair mais que o mau exemplo daqueles ramos que se deligaram do tronco. É preciso por meio de nossos atos, gritar ao mundo que podemos viver santamente, resplandecendo na nossa vida a luz do Cristo. É Ele a nossa força, nosso alimento e sem Ele não produziremos fruto algum, O ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira... Eu sou a videira; vós, os ramos. Uma sociedade sem Deus é uma sociedade seca, sem vida, sem nenhuma serventia. É preciso atacar-nos a Cristo para poder florescer e produzir os frutos da justiça e do amor.
Caríssimos! Em Cristo somos filhos amados de Deus, fazemos parte do seu Corpo Místico, isto é, a Igreja. Devemos cultivar a vida de santidade que já a temos em Cristo. Quando nos afastamos de Jesus e do seu corpo (a Igreja), nos distanciamos da graça e do Céu. Deus quer que sejamos santos, para isso enviou seu Filho, para que todos os que crerem nele não pereça, mas tenham a vida eterna. É seguindo o exemplo de Cristo que seremos santos; sendo pobres de espírito, mansos, humildes e misericordiosos que alcançaremos o Reino dos Céus. “Quem me segue não anda nas trevas, diz o Senhor” (Jo 8,12). Sabemos que sozinhos, por nossas próprias forças, não podemos praticar perfeitamente estas virtudes, já que somos humanos e débeis. Contudo, com a força da graça de Deus que age em nós podemos tornar possível tudo o que aos olhos humanos é impossível. Peçamos então a Deus nosso Pai, “Sanctus Sanctorum” (o Santo dos santos) que nos mostre como podemos permanecer unidos a seu Filho verdadeira videira e trilharmos passo a passo o caminho que nos leva ao seu Coração. Que Maria Santíssima, que sempre fez a vontade de Deus e que com seu Fiat nos deu Cristo Jesus, possa interceder junto a seu Filho por nós e ajude-nos nesta caminhada. Maria Mãe de Deus e nossa, rogai por nós. Amém.



Roma, 06 de maio, 5° Domingo da Páscoa, do ano do Senhor de 2012





Acival Vidal de Oliveira
Diocese de Estancia-Se
Brasil



quinta-feira, maio 03, 2012


CATEDRA DE PEDRO OU CÂMERA DO PADRE?



Nas minhas aulas de comunicação abordei muitas vezes o assunto “dissidência calculada”. O pregador e seu grupo tem um ponto de vista. O papa e os bispos praticam outro. Para não baterem de frente contra as autoridades, detendo eles algum meio de comunicação recorre a algum documento do passado que os autoriza a continuar praticando a fé do jeito deles, quando papa e bispos autorizam e praticam do jeito novo. É o neo conservadorismo que adota modernidade em alguns quesitos e voltam ao passado no quesito que lhes interessa voltar. São dissidentes calculados. Não obedecem sem desobedecer.. E dão um jeito de chamar de desobedientes os que não se regem pelos mesmos textos que eles. Tendo a mídia nas mãos eles parecem os bons católicos e quem ousa aderir às mudanças autorizadas passa por católico tíbio. Já vimos este filme em vários capítulos.
O assunto eucaristia tem causado essas divisões. Ainda temos católicos que sistematicamente desafiam as normas das dioceses e paróquias alegando que os líderes dos seus movimentos estão acima da diocese e da paróquia. Ouvem primeiro o padre do seu grupo e, só depois, o papa, os bispos e o pároco. Teimam em receber a eucaristia só na boca, nunca nas mãos e fazem a genuflexão antes de comungar, mesmo que por razões da diocese o bispo tenha dispensado todo o ritual. O argumento de um desses sacerdotes é o de que comunhão nas mãos é mera concessão e , se um dia , um papa quiser abolir todo mundo terá que voltar a comungar na boca e ajoelhar-se e benzer-se antes de receber a eucaristia. Em outras palavras, o ritual de ontem era melhor do que o de hoje…
O papa e os bispos fazem e autorizam, mas eles pregam rebeldia de seus membros, dizendo aos mais fervorosos que não são obrigados a aceitar as normas da diocese. O padre terá que lhes dar comunhão do jeito antigo se não quiserem aceitar a prática daquela diocese. Vale mais palavra do pregador de televisão do que o bispo que mora naquela região. Pronto! Está estabelecido o confronto e a rebeldia: o padre da televisão contra os padres e os bispos da diocese. O fiel escolhe se segue os padres dos seu movimento querido que os levou a sentir Jesus ou os padres e o bispo da diocese onde ele mora. Adivinhe com quem o fiel fica?
O papa já foi visto dando comunhão nas mãos e não só em casos excepcionais. Os bispos o fazem quase sempre, mas o padre da televisão disse com toda a autoridade que não tem que o jeito correto é seguir o ritual antigo. Em outras palavras: quem autorizou está errado e certo está quem comunga só na boca e se ajoelha antes em gesto de adoração. Só este é respeitoso…
As razões da diocese não valem…Enfrentei este tipo de rebeldia nos anos 70 quando houve em São Paulo um surto de meningite e os médicos pediram ao cardeal que não permitisse comunhão na boca por conta do risco de se difundir ainda mais o vírus pela saliva. Alargamos as portas , pusemos dutos que permitissem mais escoamento do ar e adotamos a prática da comunhão nas mãos.

Não poucas vezes enfrentamos católicos que advogavam seu direito de comungar pela boca. Foi muito simples. Ou aceitavam as normas da diocese ou não receberiam o Cristo do jeito deles. Alguns iam embora batendo os pés no chão e depois nos atacavam pela mídia. Passado o risco os bispos mantiveram o novo costume.
Quarenta anos depois, num sábado, véspera do dia das missões, vejo um sacerdote pregar pela mídia a mesma dissidência calculada. Muitos fiéis o seguirão. Outra vez a palavra do padre inteligente se sobrepõe sorrateiramente à palavra dos bispos e párocos. Alguém alegará que ouviu o padre XYZ a falar na televisão que o certo e o direito é o antigo ritual: de joelhos ou na boca. Mas o que diz o antigo ritual? E o que diz o direito canônico sobre a autoridade dos bispos? O que deve prevalecer? O que diz o padre da televisão ou o que dizem os bispos?
Há uma mídia católica que coopera com as dioceses. Há outra que passa por cima da autoridade do bispo. O fiel escolha. Cátedra de Pedro ou câmera do padre?

Pe. Zezinho

terça-feira, maio 01, 2012


Sao José


Carismos, 


Neste dia convido-os a imaginar o tempo de José e Maria. Precisamos nos colocar no contesto de sua época para poder entendê-los melhor. Mateus nos fala que Maria estava desposada com Jose, isto é, prometida em casamento a José. Era costume entre os judeus que a moça fosse prometida a seu esposo e retornasse por mais algum tempo a casa dos seus pais, era com o se fosse uma esposa, mas não coabitavam até que chegasse o momento do casamento “Maria, sua mãe, estava desposada com José” (Mt. 1, 18). O Evangelista continua a dizer que, “Antes de coabitarem, aconteceu que ela concebeu por virtude do Espírito Santo” (Mt. 1, 18). Imaginemos a tristeza e decepção que encheu o coração daquele pobre homem ao saber que sua amada estava grávida sendo que o filho não era seu. Por um lado o seu dever de judeus praticante da lei de Moises o encorajava a denunciá-la as autoridades para que fosse apedrejada como todas as mulheres que assim procediam. Entretanto, sua confiança e seu amor por Maria era mais forte que seu dever e assim “não querendo difamá-la, resolveu rejeitá-la secretamente” (Mt. 1, 19).

Mateus prossegue a falar, “Enquanto assim pensava, eis que um anjo do Senhor lhe apareceu em sonhos e lhe disse: José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois o que nela foi concebido vem do Espírito Santo” (Mt. 1, 20), imaginemos a alegria e paz que estas palavras do Anjo trouxe aquele coração atribulado. O justo carpinteiro agora pode entender o que aconteceu com sua querida Maria, ver que não estava enganado, quando pensava que a sua esposa não era capaz de trai-lo. Com certeza no dia seguinte José foi até a casa de Maria e tranquilizou o seu coração que também batia forte sem saber qual seria a reação de seu noivo ao saber de sua gravidez. Imaginemos este belíssimo encontro cheio de amor e afeto onde os dois, depois de um longo abraço se despediram cheios de alegria e confiança no Senhor.

Caríssimos! Podemos aprender muitas coisas belas com São José. Aprender a confiar em Deus, José era um homem honesto, de uma profunda interioridade e grande confiança em Deus. José ao decidir deixar Maria e não denuncia-la, manifesta que ele movido pelo amor e a misericórdia entendia que a lei maior era a Lei do amor. Mostra-nos que o amor ultrapassar as leis e as regras e nos faz olhar aqueles que estão ao nosso redor não apenas com nossos olhos carnais, mas, com os olhos do coração. José nos faz entender que a verdadeira justiça não faz com prejulgamentos das pessoas, mas age segundo a misericórdia (o perdão). Esta sabedoria, encontramos na vida de Jesus, quando agia com misericórdia diante dos pecadores e na vida de todos os santos.



Acival Vidal De Oliveira