V Domingo da Páscoa
“Eu sou a
videira; vós, os ramos”
(Jo. 15, 5
)
)
Caríssimos irmãos,
No Evangelho que meditamos neste domingo, o Senhor
se coloca como a verdadeira videira e nós como seus ramos, “Eu sou a videira
verdadeira, e meu Pai é o agricultor” (Jo. 15, 1). O convite que Cristo nos faz neste
dia é o de permanecer em seu amor, isto é, unido a Ele, tronco vivo que possibilita-nos
uma vida frutuosa. É esta união ao Senhor que nos torna aptos para produzir
frutos, “Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. O ramo não pode dar fruto
por si mesmo, se não permanecer na videira” (Jo. 15, 4). De fato, se somos ramos e estamos
destacados da videira, do tronco não seremos capazes de produzir frutos ou ao
menos sobreviver. A nossa vida de fé deve ser alimentada pela “seiva” do amor
de Cristo Jesus verdadeira videira. “Assim também vós: não podeis tampouco dar fruto, se não permanecerdes em
mim. Eu sou a videira; vós, os ramos” (Jo. 15, 4-5).
Santo Agostinho interpreta esta passagem do
Evangelho de São João, que fala da videira e dos ramos, como a união que existe
entre Cristo e a Igreja. Assim como o tronco e os ramos da videira torna-se uma
só coisa, isto é, uma só árvore, Cristo (cabeça) e a Igreja seu corpo torna-se
uma “coisa” só. Não se pode conceber uma Igreja sem Cristo ou um Cristão
(membro do corpo de Cristo) distante da Igreja e de Cristo cabeça. É preciso
que exista uma união entre Cristo (cabeça da Igreja e tronco da videira) e nós
que fazemos parte da sua Igreja (membros do corpo, os ramos). Esta
interpretação é maravilhosa, ressalta a união que se deve haver entre os
cristãos, Cristo e a Igreja. É só assim que produziremos muitos frutos em meio à
sociedade.
Atualmente, deparamo-nos com cristãos cansados, desencorajados
e descrentes dessa união entre os fieis que formam a Igreja. Esta situação leva
muitos membros da Igreja de Jesus a abandonar seus atos de piedade ou de
frequentar as celebrações litúrgicas e a vida comunitária. As palavras de
Cristo Jesus devem ressoar mais forte do que nossas decepções e sentimentos. O
fato de alguns dos membros (ramos) não produzirem frutos, não nos dar o direito
de afastar-nos de Cristo e sua Igreja, porque se fizermos dessa forma, também
destacamo-nos da videira que é Cristo, “Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito
fruto; porque sem mim nada podeis fazer. Se alguém não permanecer em mim será
lançado fora, como o ramo”
(Jo. 15, 5-6). É necessário estarmos unidos a Jesus para que a nossa vida seja
um verdadeiro ato de louvor a Deus e assim produza frutos de amor que
transforma, perdoa e fortalece os outros irmãos que encontramos no caminho, “Nisto é glorificado
meu Pai, para que deis muito fruto e vos torneis meus discípulos” (Jo. 15, 8). O segredo para realizar
estas coisas é esta junto a Cristo, com os olhos fixos no seu Sagrado Coração.
Desta forma, nada nem ninguém poderá afastar-nos de uma vida santa (unida à
videira que é Cristo) e frutuosa.
Na segunda leitura deste dia, São João nos exorta a
ter uma confiança inabalável em Deus. Se cumprirmos seus mandamentos, isto é, fazermos
sua vontade nos será dado tudo aquilo que precisamos “Caríssimos, temos
confiança diante de Deus, e tudo o que lhe pedirmos, receberemos dele porque
guardamos os seus mandamentos e fazemos o que é agradável a seus olhos” (1Jo. 3, 21-22). O Senhor nos conhece
e sabe do que necessitamos, estar sempre disposto a dar-nos aquilo que nos fará
cresce na vida de santidade. É seguindo a sua Palavra que mantemo-nos unidos à videira.
É fazendo a sua vontade, seguindo os ensinamentos do seu Filho Jesus que
seremos ramos que produzem bons frutos, “Eis o seu mandamento: que creiamos no nome do seu
Filho Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, como ele nos mandou. Quem
observa os seus mandamentos permanece em Deus e Deus nele.” (1Jo 3, 23-24). O amor é o motor que
impulsionar o homem a fazer o bem e agir conforme a vontade de Deus, pois Deus
é amor
e se estamos unidos a Ele, nossos atos nada mais é do que um reflexo deste amor
que age em nós.
Diante de tantas crises de fé e de contra testemunho
corremos o risco de deixar-nos levar pela desilusão e afastar-nos da videira que é Cristo. Não podemos deixar
que alguns ramos, que já estão secos, interfiram na nossa união e intimidade
com Cristo. Ao contrário, devemos mostrar-nos fortes e mais unidos para que
nossos frutos saciem a fome de Deus que tem a nossa sociedade. É com nossa vida
que daremos ao mundo o testemunho de que Deus estar conosco e com Ele podemos
fazer maravilhas. O brilho das nossas folhas deve atrair mais que o mau exemplo
daqueles ramos que se deligaram do tronco. É preciso por meio de nossos atos,
gritar ao mundo que podemos viver santamente, resplandecendo na nossa vida a
luz do Cristo. É Ele a nossa força, nosso alimento e sem Ele não produziremos fruto
algum, O ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira... Eu
sou a videira; vós, os ramos. Uma sociedade sem
Deus é uma sociedade seca, sem vida, sem nenhuma serventia. É preciso
atacar-nos a Cristo para poder florescer e produzir os frutos da justiça e do
amor.
Caríssimos! Em
Cristo somos filhos amados de Deus, fazemos parte do seu Corpo Místico, isto é,
a Igreja. Devemos cultivar a vida de santidade que já a temos em Cristo. Quando
nos afastamos de Jesus e do seu corpo (a
Igreja), nos distanciamos da graça e do Céu. Deus quer que sejamos santos,
para isso enviou seu Filho, para que
todos os que crerem nele não pereça, mas tenham a vida eterna. É seguindo o
exemplo de Cristo que seremos santos; sendo pobres de espírito, mansos,
humildes e misericordiosos que alcançaremos o Reino dos Céus. “Quem me segue não anda nas trevas, diz o
Senhor” (Jo 8,12). Sabemos que
sozinhos, por nossas próprias forças, não podemos praticar perfeitamente estas
virtudes, já que somos humanos e débeis. Contudo, com a força da graça de Deus
que age em nós podemos tornar possível tudo o que aos olhos humanos é
impossível. Peçamos então a Deus nosso Pai, “Sanctus Sanctorum” (o Santo dos santos)
que nos mostre como podemos permanecer unidos a seu Filho verdadeira videira e trilharmos
passo a passo o caminho que nos leva ao seu Coração. Que Maria Santíssima, que
sempre fez a vontade de Deus e que com seu Fiat nos deu Cristo Jesus, possa
interceder junto a seu Filho por nós e ajude-nos nesta caminhada. Maria Mãe de
Deus e nossa, rogai por nós. Amém.
Roma, 06 de maio, 5° Domingo da Páscoa, do ano do
Senhor de 2012
Acival Vidal de
Oliveira
Diocese de Estancia-Se
Brasil

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