“Não
podemos conformar-nos com as verdades do mundo”
Nossa
sociedade busca a cada dia o sucesso. Sucesso nas ciências, na tecnologia, na
arquitetura, sucesso no trabalho e no amor. É a ideia do “SuperMan” de
Nietzsche, não precisa de nada nem ninguém, pode fazer tudo àquilo que quer.
Deus e a religião são apenas criações dos fracos, dos covardes que não querendo
aceitar sua condição de perdedor e fracassados inventaram um Deus que é bonzinho, piedoso e que o
recompensará após a morte. No entanto, todos os dados científicos e
estatísticos demonstram que o homem “não
precisa” da religião nem tão pouco de Deus.
O Estado não precisa e nem deve ser influenciado pela a Igreja. A família deve
ser independente, cada pai deve criar seus filhos como bem quiser. Fala-se de liberdade,
de direitos, entretanto, esquece-se de falar de respeito e de responsabilidade.
É
verdade, o homem deve ser livre! Quando Deus nos criou (Cf. Ge. 1-2), nos deu o
livre arbítrio, porém a verdadeira liberdade não consiste em fazer aquilo que
queremos e sim, fazer aquilo que devemos, que nos humaniza, que nos diferencia
dos animais irracionais. Lógico! Que uma mãe tem pleno direito sobre seu corpo.
Mas não tem o direto de matar um filho ainda indefeso só pelo o fato dele está
no seu ventre. Ninguém duvida que o ventre seja seu, todavia a criança que está
ali é uma pessoa, que tem uma dignidade, não é um objeto ou uma simples
extensão do seu corpo (do corpo da mãe). Falta aí o respeito à dignidade
humana, falta à responsabilidade que uma mãe deve ter com relação ao filho.
Falávamos no inicio que a nossa sociedade tornou-se antirreligiosa, no entanto,
quando se tira Deus e a religião o homem se autodestrói. O homem criado a
Imagem e Semelhança do seu Criador quando o tira (o Criador = Deus) de sua vida
fica sem norte e sem referencia. Passa a ver tudo como se fosse peças de um
quebra cabeça que deve ser montado. Nasce aí a visão materialista e
instrumentalista do homem, que deixa ser avaliado por aquilo que é realmente,
para ser medido por aquilo que produz.
O
SuperMan, isto é, o homem sem Deus e
sem religião torna-se um objeto descartável. Desta forma fica fácil de
compreender e aceitar o aborto, a eutanásia e outras aberrações deste tipo. Se
o homem vale aquilo que produz, o que pode produzir uma criança que nem nasceu?
O que pode produzir um anencéfalo que morrerá em algumas horas após o parto ou
talvez anos? Ou uma pessoa em estado terminal irreversível? É fácil para quem
fala e pode se defender gritar e exigir por “seus direitos”, mas para este!
Quem gritará por eles? Quem clamará por justiça? De fato, o Super-Homem só se
deu bem e resolvia todos os problemas nos filmes, quando era ator (Christopher
Reeve – fazia o superman), porque na vida real caiu do cavalo e ficou paraplégico.
Da mesma forma encontramos na sociedade homens impotente, que não pensam, que
não respeita, que não ama nem o próximo nem a si mesmo. Encontramos com mães
que exigem o seu direito de abortar suas crianças, ou melhor, de mata-las ainda
no ventre, mas não respeita o direito que seus filhos têm de nascerem! Uma coisa é verdadeira, o Mundo! O homem! Não
precisa da religião nem muito menos de Deus para se autodestruir. Porque Deus é
amor! (1Jo. 4, 16) Não quer que nenhum dos seus amados e pecam (Cf. Mt. 18,
12-14). Não dar aquilo que queremos e pedimos, porque sabe daquilo que
necessitamos e do que é melhor para nós.
Às
vezes o mundo nos presenteia com momentos felizes, contudo, um pouco de tempo e
nos deparamos outra vez com o sofrimento. Às vezes a ciência e a tecnologia nos
dão coisas muito boas (conforto, tranquilidade, segurança e facilidade), mas
não consegue preencher o vazio do coração do homem. Falamos sempre que somos “super-homens”,
forte e que nada pode nos abalar, contudo, só percebemos o tamanho da nossa
força quando o dor bate a nossa porta. Buscamos nas bebidas, nas drogas, nos
prazeres sexuais, nas festas e na medicina ajuda, porém parece que estes meios são
insuficientes, porque são momentâneos. Queremos uma solução rápida, não queremos
mais sofrer, estamos cansados das dores... da aflição, Mas nem sempre vem à
solução que esperamos. Nada no mundo pode nos ajudar, preencher o vazio ou
responder as nossas perguntas.
O
desespero toma conta do nosso ser e nos deparamos com o fracasso, à derrota. É
assim que nos sentimos, fracassados e derrotados. Nesta hora, chegamos a fundo
do poço, ao nosso limite, percebemos que não somos super-homens, que Nietzsche estava
errado e o que fazer? Tantas vezes passamos por essa situação onde nada, nem
ninguém podem ajudar-nos se não nós mesmo. Somos fracos é verdade! Mas podemos
ser fortes, temos neste momento duas opções: ceder ao sofrimento e torna-se uma
pessoa amarga, sem alegria, nem motivo de viver; ou lutar, dar a volta por
cima, escalar o poço e chegar à superfície. É neste momento que a famosa frase
“coragem! Confie em Deus” tem
sentido. Percebemos que Deus na realidade não é dos grandes e nem dos
poderosos. Ele se aproxima daqueles que se esvazia de se mesmo, de qualquer
sentimento de orgulho e ambição. Vem mostrar-nos o caminho a seguir e que com
ele somos grandes, podemos fazer grandes coisas. Mostra-nos ainda que podemos
vencer o mundo e suas dificuldades, “no
mundo havereis de ter muitas tribulações, mas coragem! Eu venci o mundo”
(Jo. 16, 33). Se formos fracos, com Ele tornamo-nos fortes e invencíveis “tudo posso naquele que me fortalece”
(Fl. 4, 13), Com Cristo somos mais que vencedores nos diz São Paulo (Cf. Rm. 8,
37). Se não temos força para continuar, não importa! Basta querer e Ele nos
carregará em seus braços. Por mais que o sofrimento não nos possibilite ver,
Cristo estar sempre presente em todos os momentos da nossa vida.
É
Cristo Jesus que nos dá a verdadeira felicidade. Se pensarmos que o Senhor não
ouve nossos clamores, nos enganamos, pois Ele nos ouve e vem em nossa ajuda.
Cristo sabe do que precisamos para sermos felizes, para nos aproximar cada vez
mais do seu amor. Faz só aquilo que nos ajudará a ser mais santos, por isso que
muitas vezes não entendemos por que o Senhor não nos dá o que pedimos ou como
pedimos. Um pai não pode dar uma cobra ao filho só por que ele lhe pediu. Ele
sabe que se dar uma cobra ao filho, ele provavelmente vai ser picado. Assim,
muitas coisas que pedimos a Deus, embora pareçam boas aos nossos olhos, não é aos
olhos de Deus.
O
fundo do poço é o limite, podemos nos acostumar com este lugar frio e sem vida,
onde só consegue sobreviver os ratos e as baratas. É um lugar dos fracos
daqueles que não acredita na vida, no amor e nem na dignidade do homem. Neste
lugar tudo é permitido, o aborto, a eutanásia, etc. O homem é visto como uma
simples peça de uma maquina, que quando perde sua utilidade é jogada fora sem
nenhum respeito. O fundo do poço, isto é, o lugar distante de Deus é o mundo
moderno, onde Deus e a religião são excluídos. É um lugar frio, sem vida, sem
amor e sem luz. Podemos nos acomodar aí e acostumarmo-nos com a “realidade” ou
podemos olhar para cima e ver que o Sol continua a brilhar. O Sol que brilha
aos nossos olhos e que nos aponta a saída é Cristo! É ele que nos convida a
subir (a escalar), para sairmos deste abismo (do poço).
Caríssimo!
Não podemos conformar-nos com as verdades do mundo. Precisamos ser fortes,
permanecer na superfície, gritar ao mundo que o que torna o homem realmente o
que é, não é aquilo que ele faz, que produz, mas aquilo que ele é (seu Ser, sua
dignidade). Gritar a todos que a dignidade humana não pode ser medida nem tão
pouco pesada. Dizer que não somos frutos do acaso, que somos filhos amados e
queridos por Deus desde o inicio da criação. Precisamos defender a nossa fé,
nossos princípios e mostrar para todos que com Deus somos mais fortes que o
super-homem de Nietzsche ou dos filmes. Não só combatemos o mal e defendemos a
causa dos menores e indefesos, mas lutamos contra uma humanidade descrente e
que tenta sufocar a religião para não ouvir a Verdade. É verdade que não temos
capa vermelha nem poderes sobrenaturais, porque nossa força não vem do planeta
Krypton, mas de Cristo Jesus, o Nosso Redentor. O vermelho que trazemos é o
vermelho do Sangue do Cordeiro de Deus que purifica e fortalece os corações dos
homens de boa vontade.
Roma, 25 de maio, de 20012
Seminarista
Acival Vidal de Oliveira
2°
ano de Teologia (PCIMME)
Diocese
de Estancia – SE/Brasil
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